Ao dizer isso a investidores OpenAI está questionando, e reinventando, o modelo que sustentou o SaaS por 20 anos
Sam Altman, CEO da OpenAI
, redator(a) da StartSe
6 min
•
26 fev 2026
•
Atualizado: 26 fev 2026
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O mercado chamou de “SaaSpocalipse”.
Mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado evaporado em empresas de software empresarial desde o início do ano. Não por crise financeira. Não por escândalo. Mas por uma mudança estrutural: agentes de IA que prometem executar fluxos de trabalho inteiros sem intervenção humana.
E quem colocou gasolina no fogo foi a própria OpenAI.
Em apresentação a investidores — enquanto busca uma rodada que pode ultrapassar US$ 100 bilhões e avaliá-la em US$ 730 bilhões — a empresa afirmou que seus agentes estão prontos para substituir softwares como Salesforce, Workday, Adobe, Slack e Atlassian.
Isso não é incremental. É existencial.
Durante duas décadas, o SaaS viveu de um modelo simples:
Mais usuários = mais licenças = mais receita.
Mas agentes autônomos mudam essa equação.
Se um agente pode executar tarefas de CRM, atendimento ou RH sem que um humano precise fazer login, o que acontece com o modelo de cobrança por usuário?
Os analistas já deram nome ao fenômeno: “compressão de assentos”.
Menos pessoas usando o sistema.
Menos licenças vendidas.
Menos receita recorrente.
O mercado reagiu rápido:
Atlassian: -39% em 2026 e -78% em 12 meses
Salesforce: quase -40% desde as máximas de 2025
Adobe: -25% no ano
E isso mesmo com resultados operacionais sólidos. A Atlassian, por exemplo, reportou crescimento de 23% na receita e ultrapassou US$ 1 bilhão em receita de nuvem no trimestre.
Ou seja: o mercado não está precificando o presente.
Está precificando o risco estrutural do futuro.
A empresa divulgou números ambiciosos:
US$ 13,1 bilhões de receita em 2025
Meta de US$ 30 bilhões em 2026
Projeção de US$ 280 bilhões em 2030
Além disso, reduziu seus planos de gasto em infraestrutura de US$ 1,4 trilhão para US$ 600 bilhões até o fim da década — sinal claro de maturidade financeira.
Mas o ponto mais estratégico não está no valuation. Está no posicionamento.
Com o lançamento da plataforma Frontier, a OpenAI quer que agentes executem fluxos corporativos de ponta a ponta. E com as “Alianças de Fronteira” — parcerias com McKinsey, BCG, Accenture e Capgemini — a empresa está criando o canal de implementação para entrar direto nas operações da Fortune 500.
Não é apenas produto.
É distribuição corporativa.
O CEO da Atlassian, Mike Cannon-Brookes, reagiu dizendo que “há muito barulho no mercado” e que a IA é positiva para a empresa. Destacou 5 milhões de usuários na plataforma de IA Rovo e melhoria de margens.
E ele pode estar certo.
Porque existe uma segunda leitura:
A OpenAI não vai construir todos os agentes. Ela pode virar a camada de infraestrutura sobre a qual o SaaS roda.
A própria Fidji Simo, CEO de Aplicações da OpenAI, sinalizou isso ao dizer que o Frontier pode ser uma plataforma onde softwares terceiros implantam seus próprios agentes.
Se isso acontecer, não é o fim do SaaS.
É o fim do SaaS como conhecemos.
Historicamente, empresas compravam software para que pessoas executassem tarefas.
Agora surge a possibilidade de comprar software para que agentes executem tarefas.
Isso muda três pilares:
Modelo de receita — menos usuários, mais cobrança por resultado?
Estrutura de times — menos operadores, mais supervisores de agentes?
Margem das empresas de software — valor agregado passa da interface para a inteligência.
Se agentes autônomos se tornarem padrão, o diferencial competitivo não será mais interface bonita ou CRM robusto.
Será quem controla o “cérebro” que executa.
Provavelmente não.
Mas estamos vendo o fim do SaaS baseado exclusivamente em licenças humanas.
O que está acontecendo não é um colapso. É uma transição de arquitetura. Assim como a nuvem substituiu servidores locais, agentes podem substituir workflows manuais.
A pergunta não é se Salesforce, Adobe ou Workday vão desaparecer.
A pergunta é: Eles vão virar plataformas de agentes — ou serão substituídos por quem fizer isso primeiro?
O barulho é alto. Mas, como sempre, o mercado não entra em pânico por moda.
Ele entra em pânico quando percebe que o modelo mudou.
E o modelo pode estar mudando agora.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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