A fala do CEO da Nike expõe algo que o mercado evita admitir: por mais que tenha pares, a alta liderança é solitária.
Elliott Hill no modo mais sincero: admite frustração, indica ajustes e reforça busca por mais eficiência
, Editor
5 min
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1 abr 2026
•
Atualizado: 1 abr 2026
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“Estou cansado. E sei que vocês também estão.”
A frase do CEO da Nike não veio de um livro. Veio de dentro da empresa, durante divulgação dos mais recentes resultados financeiros da marca.
E eles vieram abaixo do esperado. Mesmo após uma sequência de tentativas de reorganização. O mais alto líder de uma das marcas mais icônicas do mundo verbalizou algo raro no topo: fadiga real. E um tanto de solidão.
E isso diz mais sobre o momento das lideranças do que qualquer relatório, palestra, workshop, etc.
Empresas querem ser “data driven”. E estão acostumadas a medir tudo:
— receita
— margem
— crescimento
— produtividade
Mas existe um indicador que quase nunca aparece: o desgaste da liderança.
E quando ele aparece, ele cobra.
Quando um CEO diz que está cansado, não é sobre sono, não é que naquele dia ele correu 21km logo cedo e está com a coluna travada. É sobre tentar corrigir uma máquina complexa que não responde na velocidade esperada.
A maratona, nestes casos, são corporativas. Todo dia uma, com as dificuldades que um negócio do tamanho da Nike exige.
A Nike não está quebrada, claro. Mas está pressionada.
A concorrência mais ágil. Nunca se observou tantas mudanças no comportamento do consumidor. Estratégias que não entregam no ritmo esperado.
Esse é o pior tipo de cenário: não existe um problema único para resolver. E talvez não há um problema claro para resolver. Aí o CEO olha para o lado e se vê sozinho nesse direcionamento. Pressionado por um Board que espera resultados. Com olhares ansiosos de liderados que esperam que seu direcionamento esteja certo, porque querem bater suas metas, querem ganhar seus bônus. E nada errado aqui.
Existe um conjunto de ajustes contínuos, mas diferente de uma maratona, sem linha de chegada clara.
Existe uma expectativa silenciosa no mercado: de que o líder aguenta tudo.
Sempre lúcido. Sempre estratégico. Sempre no controle.
Só que liderança também desgasta.
Principalmente quando as mudanças são constantes, os resultados demoram e a pressão não diminui.
Cansaço no topo não é exceção. É cada vez mais comum.
Porque o ambiente atual exige decisões mais rápidas, menos margem para erro, adaptação constante. Todos os dias. Sem trégua.
O problema da Nike não é o CEO estar cansado. O problema é o que vem depois disso.
Porque quando o desgaste se acumula, três coisas começam a acontecer:
— decisões ficam mais conservadoras (preciso errar menos)
— a velocidade diminui (preciso de mais tempo para não errar)
— a empresa entra em modo de defesa (tudo bem não acertar, desde que eu não erre)
E quando o erro vira o foco, isso impacta no resultado.
A fala do CEO da Nike é um sinal. De que liderar hoje não é só sobre estratégia.
É sobre resistência e alto poder de adaptação. É sobre saber porque o resultado está bom e também porque ele está ruim. Este é um dos pilares do Executive Program, da StartSe.
Porque sem liderança sustentável, não existe estratégia que aguente.
Afinal, quem cuida de quem está tentando consertar tudo?
Porque quando o topo cansa… o resto sente depois.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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