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O pessimismo tomou conta do C-Level, revela pesquisa

A queda de confiança dos CEOs globais chegou ao patamar mais baixo em cinco anos. O que está por trás do recuo e o que líderes estão fazendo para crescer mesmo assim

O pessimismo tomou conta do C-Level, revela pesquisa

Realistas ou pessimistas: líderes partem da premissa que não vão crescer no curto prazo.

Bruno Lois

, Editor

8 min

25 jun 2026

Atualizado: 25 jun 2026

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A 29ª edição da Global CEO Survey, divulgada pela PwC em janeiro de 2026 durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, aponta uma queda na confiança dos líderes empresariais sobre o crescimento das receitas no curto prazo. Segundo o levantamento, que ouviu 4.454 CEOs em 95 países entre setembro e novembro de 2025, apenas 30% dos executivos estão muito ou extremamente confiantes no aumento do faturamento para os próximos 12 meses. O índice representa um recuo em comparação aos 38% registrados no início de 2025 e aos 56% observados em 2022.

No Brasil, o movimento é ainda mais pronunciado. A confiança dos CEOs brasileiros no crescimento da receita nos próximos 12 meses caiu para 38%, ante 50% no ano anterior. O ajuste não indica colapso, mas um ambiente mais defensivo. A distinção importa: líderes que leram o dado como catástrofe tenderam a paralisar. Os que leram como recalibração encontraram espaço para movimento.

Por que os riscos deixaram de ser conjunturais

O pessimismo documentado pela PwC não é produto de um trimestre ruim. É o reflexo de uma lista de ameaças que mudou de natureza: deixou de ser circunstancial e passou a ser estrutural.

A instabilidade macroeconômica é citada por 31% dos gestores como uma ameaça financeira significativa, empatada com os riscos cibernéticos, que subiram de 24% para 31% no último ano. Geopolítica, tecnologia, inflação e clima agora disputam espaço na mesa de decisões simultaneamente.

Há um agravante que aparece com força na pesquisa. Um terço dos líderes globais não acredita que suas empresas serão economicamente sustentáveis em dez anos caso mantenham os modelos atuais. Esse dado é mais relevante do que o índice de confiança de curto prazo: indica que o pessimismo não é apenas sobre o próximo ano. É sobre a relevância futura do negócio.

Outro fator que alimenta a insegurança é a IA. Com a IA ainda sem retorno mensurável para a maioria das organizações, riscos em escalada e confiança fragilizada, a capacidade de reinventar modelos de negócio se torna um dos grandes desafios do momento.

O que separa quem está paralisado de quem está crescendo

A pesquisa da PwC traz um dado que tende a ser menos citado do que o índice de pessimismo, mas que é igualmente revelador. As empresas que planejam realizar grandes aquisições e outros investimentos relevantes, mesmo diante do ambiente incerto, estão crescendo mais rápido e registrando margens de lucro superiores.

A lógica por trás disso é direta. Empresas que entram em modo de contenção total nos momentos de retração perdem posição relativa para concorrentes que seguem em movimento. Na outra ponta, os CEOs menos inclinados a realizar grandes investimentos devido à incerteza geopolítica estão crescendo mais devagar e registrando margens menores do que seus concorrentes.

O mesmo padrão aparece na expansão para novos setores. Mais de metade das empresas brasileiras passou a competir em novos setores nos últimos cinco anos. As que obtêm uma fatia maior de receita nesses novos setores são mais lucrativas e têm CEOs mais confiantes nas perspectivas de crescimento. Em outras palavras: o ato de mover-se é, por si, um fator de confiança, não apenas uma consequência dela.

O que a IA tem a ver com a queda de confiança

Um dos elementos mais relevantes da pesquisa é o posicionamento ambíguo da IA na equação de confiança dos líderes. Por um lado, tecnologia e IA aparecem como a principal preocupação dos CEOs globais quando perguntados sobre o que mais os inquieta. Por outro, a maioria das organizações ainda não consegue converter investimento em IA em retorno financeiro mensurável.

A gestão continua centrada no imediato: 58% do tempo dos CEOs é dedicado ao curto prazo e apenas 10% das decisões têm impacto daqui a cinco ou mais anos. Essa assimetria condiciona a capacidade de identificar oportunidades emergentes, construir novos modelos de negócio e antecipar mudanças estruturais.

A pressão por demonstrar retorno rápido sobre investimentos em tecnologia, combinada com a dificuldade real de escalar IA além dos projetos-piloto, cria um ciclo que alimenta o pessimismo: investe-se, não se mede resultado, a confiança recua, reduz-se o investimento, e a distância para quem já converteu IA em vantagem competitiva aumenta.

Para líderes que precisam construir o repertório necessário para navegar essa equação com clareza, o Executive Program da StartSe trabalha exatamente a capacidade de tomar decisões estratégicas em ambientes de incerteza, com repertório atualizado sobre tecnologia, geopolítica e modelos de negócio.

Como líderes estão respondendo ao cenário

Marco Castro, CEO da PwC Brasil, resume o momento: “A diminuição da confiança está vinculada a uma quantidade de incertezas: questões geopolíticas, dificuldades locais, conflitos globais e a realocação das cadeias de produção, que ainda não está estabilizada.”

A resposta mais frequente entre os líderes que seguem em movimento combina três elementos. Primeiro, revisão do modelo de negócio com horizonte de médio prazo, sem esperar o ambiente estabilizar para decidir. Segundo, expansão para setores adjacentes como forma de diversificar receita sem abandonar as competências centrais. Terceiro, investimento seletivo em IA com critério claro de retorno, saindo da fase de experimento para a fase de integração nos fluxos de decisão reais.

Mohamed Kande, presidente global da PwC, destacou que 2026 será decisivo para determinar quais organizações conseguirão converter investimentos tecnológicos em retornos mensuráveis. O pessimismo captado pela pesquisa é real. A paralisia que ele pode provocar é uma escolha.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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