O que a ascensão da Amazon ao topo do ranking mundial de receita revela sobre a transformação dos modelos de negócio, o futuro do varejo e os imperativos estratégicos para líderes corporativos e formuladores de políticas
A líder de vendas mundial
, redator(a) da StartSe
9 min
•
20 fev 2026
•
Atualizado: 20 fev 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
A Amazon ultrapassou o Walmart em receita global em 2025, marcando um divisor de águas histórico no cenário corporativo mundial.
Após mais de uma década de domínio do Walmart como a maior empresa em vendas do planeta, a gigante fundada por Jeff Bezos registrou US$ 717 bilhões em receita no último exercício fiscal, contra US$ 713 bilhões do rival tradicional do varejo. A mudança representa não apenas um novo líder num ranking global, mas uma alteração profunda na forma como a economia converte valor em escala, tecnologia e experiência do cliente.
Este artigo analisa as implicações dessa transição para executivos, investidores, líderes de transformação digital e autoridades públicas.
A trajetória da Amazon — de livraria online em 1994 a maior empresa do mundo em vendas — espelha a transformação dos modelos de negócios em um contexto de digitalização intensa da economia. A diferença entre os dois titãs não está apenas nos números absolutos de receita, mas na diversificação das fontes de monetização.
Enquanto o Walmart ainda obtém mais de 90% de suas vendas por meio de lojas físicas e seus próprios sites, a Amazon combina varejo online com uma plataforma de serviços, incluindo Amazon Web Services (AWS), publicidade e assinaturas Prime.
A AWS, por exemplo, gerou quase US$ 129 bilhões em receita no último ano, impulsionando não só crescimento, mas margens mais robustas e uma posição estratégica em infraestrutura digital crítica para empresas e governos.
Esse modelo híbrido — varejo tradicional digitalizado + plataforma de tecnologia empresarial — é uma lição para líderes que buscam escalabilidade sustentável sem depender exclusivamente de um único fluxo de receita.
A ascensão da Amazon reflete mudanças profundas no comportamento do consumidor global. O e-commerce não é apenas uma alternativa ao varejo físico; tornou-se um núcleo central da experiência de compra moderna. A Amazon capitalizou isso com:
Capilaridade digital e logística integrada, que reduzem fisicamente a distância entre oferta e demanda.
Personalização e retenção via serviços de assinatura — o programa Prime moldou expectativas de conveniência e velocidade.
Monetização de dados e publicidade como uma fonte de receita adicional altamente rentável.
Para o Walmart, a resposta tem sido reforçar sua infraestrutura física e digital, realocando esforços para consolidar presença omnichannel e expandir segmentos de maior valor agregado.
Esse embate de estratégias pode ser entendido como uma metáfora da economia contemporânea: modelos centrados em ativos físicos precisam, cada vez mais, se reinventar por meio da integração com tecnologia e dados para competir com ecossistemas nativamente digitais.
A mudança no topo do ranking revela que as barreiras à liderança global hoje passam, em grande parte, por capacidades tecnológicas. A AWS não apenas contribui significativamente para a receita da Amazon, como posiciona a empresa em infraestrutura crítica de nuvem e inteligência artificial, áreas onde o Walmart não compete de forma comparável.
Essa diferença expõe um princípio estratégico: num mundo digital, possuir meios de produção de tecnologia (como plataformas de cloud, serviços de IA e analytics) é tão relevante quanto dominar canais de distribuição física.
Para líderes e decisores, isso implica reavaliar investimentos em tecnologia não como custo operacional, mas como ativo estratégico capaz de influenciar competitividade setorial e resiliência a longo prazo.
A perda do posto de maior empresa em vendas não é necessariamente um sinal de declínio para o Walmart. A companhia alcançou o marco de valor de mercado acima de US$ 1 trilhão, tornando-se um dos primeiros varejistas tradicionais a fazê-lo, e tem registrado crescimento sólido em nichos como e-commerce e público de maior renda.
Sua recente migração para listagem na Nasdaq, sinalizando ênfase em tecnologia e inovação, reflete uma mudança estratégica importante: competir não apenas por preço e escala física, mas por capacidades digitais integradas.
Esse reposicionamento oferece uma leitura sofisticada do cenário competitivo: empresas tradicionais podem não simplesmente ser ultrapassadas, mas redefinir sua própria missão para prosperar no novo ecossistema de valor.
A recente mudança na liderança global de receita tem múltiplas implicações para altos executivos, conselhos de administração e formuladores de políticas:
1. Modelos de negócio híbridos dominam o crescimento em escala global:
A integração de varejo, serviços de plataforma, tecnologia e dados posiciona empresas de forma superior em métricas como receita e resiliência.
2. Investimento em infraestrutura digital é condição de competitividade:
Capacidades como nuvem, inteligência artificial e soluções de backend não são apenas diferenciadores; são infraestruturas imprescindíveis para competir em mercados globais.
3. Estratégias omnichannel são imperativas para varejo tradicional:
A presença física continua relevante, mas precisa ser conectada a experiências digitais que aumentem conveniência, retenção e valor por cliente.
4. Liderança de mercado pode emergir de novas métricas de valor:
A receita total, por si só, é insuficiente como métrica isolada de sucesso futuro. Margens, diversificação, engajamento digital e capacidade de inovação são igualmente determinantes.
A ascensão da Amazon sobre o Walmart como maior empresa do mundo em vendas não é apenas um marco numérico. É um sintoma de transformação macroeconômica e estrutural. Indica que o centro de gravidade da economia global está migrando de modelos lineares para ecossistemas digitais complexos, nos quais tecnologia e experiência do cliente são fatores decisivos de liderança.
Para altos líderes, esse episódio é um chamado à ação: a era em que escala física bastava para dominar o mercado terminou. O futuro pertence a organizações que conseguem combinar ativos físicos, digitais e cognitivos de maneira sinérgica, competitiva e sustentável.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!