A USP desenvolveu uma bateria de nióbio funcional, recarregável, com 3 volts e operando fora do laboratório — e o mais importante: o protótipo já entrou em testes industriais reais.
O nióbio é um metal de transição, brilhante e de baixa dureza, extraído principalmente de minerais como a columbita e o pirocloro
, redator(a) da StartSe
5 min
•
15 jan 2026
•
Atualizado: 15 jan 2026
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Enquanto o mundo corre atrás de lítio, o Brasil acaba de provar que a próxima fronteira do armazenamento de energia pode ter sotaque nacional. A USP desenvolveu uma bateria de nióbio funcional, recarregável, com 3 volts e operando fora do laboratório — e o mais importante: o protótipo já entrou em testes industriais reais.
Não é paper acadêmico. É tecnologia em rota de mercado.
A pesquisa é liderada pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos, e resolve um problema que por décadas travou o uso do nióbio em baterias: a degradação do metal em ambientes eletroquímicos, especialmente na presença de água e oxigênio.
Esse bloqueio caiu.
A solução não veio da indústria. Veio da natureza.
O avanço nasceu de uma inspiração pouco óbvia: processos biológicos. Crespilho criou um sistema de proteção inteligente chamado NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), capaz de controlar o ambiente químico da bateria e permitir que o nióbio alterne seus estados eletrônicos sem se degradar.
É exatamente o que acontece em enzimas e metaloproteínas no corpo humano — metais altamente reativos operando por bilhões de anos sem colapsar.
A ciência copiou o que a natureza já tinha resolvido.
Grande parte do refinamento da tecnologia foi conduzida pela pesquisadora Luana Italiano, que passou dois anos ajustando o equilíbrio mais delicado do projeto: proteger o nióbio sem matar a performance elétrica. Proteção demais trava a energia. Proteção de menos destrói a bateria.
O ponto de equilíbrio foi encontrado.
Do laboratório para o padrão industrial
A tecnologia já teve patente depositada pela USP e foi testada em formatos industriais padrão, como células tipo coin e pouch, em parceria com pesquisadores da Unicamp. Os testes comprovaram estabilidade e múltiplos ciclos de carga e descarga — exatamente o que o mercado exige.
A tensão de 3 volts coloca a bateria de nióbio no mesmo patamar das soluções comerciais atuais, abrindo espaço real para competir com tecnologias dominantes.
Não por acaso, empresas chinesas do setor de baterias já demonstraram interesse.
O jogo geopolítico por trás do nióbio
Esse avanço tem peso estratégico. O Brasil detém cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio e responde por 90% da produção global. Até hoje, isso significou exportar matéria-prima.
Essa bateria muda a narrativa.
Ela abre a possibilidade de o Brasil sair da posição de fornecedor e entrar no jogo como criador de tecnologia crítica para a transição energética.
“Não precisamos apenas exportar recursos. Podemos liderar tecnologias”, resume Crespilho. Mas com uma condição clara: ciência tratada como prioridade nacional.
Os pesquisadores agora defendem a criação de um centro multimodal de inovação, unindo governo, universidades e startups para escalar a tecnologia e levá-la ao mercado.
Se isso acontecer, o Brasil não terá apenas o nióbio do mundo. Terá também o controle sobre o futuro da energia.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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