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A Apple acaba de ganhar uma nova liderança

O novo CEO da Apple nunca lançou um produto novo. E é exatamente por isso que foi escolhido

A Apple acaba de ganhar uma nova liderança

O novo CEO da Apple nunca lançou um produto novo. E é exatamente por isso que foi escolhido

Victor Hugo Bin

, redator(a) da StartSe

10 min

22 abr 2026

Atualizado: 22 abr 2026

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Fim de uma era em Cupertino. A Apple anunciou que Tim Cook deixará o cargo de CEO em 1º de setembro, encerrando um ciclo de quase 15 anos no comando de uma empresa que hoje vale cerca de US$ 4 trilhões. Cook assumirá o posto de presidente-executivo do conselho — e quem senta na cadeira de CEO é John Ternus, atual chefe de engenharia de hardware, na empresa desde 2001.

A StartSe antecipou esse movimento ainda em janeiro, quando publicou a análise sobre a linha sucessória da Apple. Leia a análise completa aqui

Por que isso importa

Transições de CEO em Big Techs não são apenas mudanças de gestão — são sinais estratégicos sobre para onde a empresa aposta nos próximos 10 a 15 anos. A Apple é a segunda (ou terceira, dependendo do dia) empresa mais valiosa do mundo. Quando ela troca de líder pela terceira vez em quase 50 anos de história, o mercado inteiro presta atenção.

A escolha de Ternus — e não de um executivo de software ou serviços — revela uma aposta clara: a Apple acredita que seu futuro continua sendo definido pelo hardware. Isso num momento em que concorrentes como Google, Microsoft e OpenAI estão investindo bilhões em inteligência artificial generativa e modelos de linguagem.

O legado de Cook em números

Cook assumiu em agosto de 2011, seis semanas antes da morte de Steve Jobs. A Apple valia US$ 350 bilhões. Hoje, vale cerca de US$ 4 trilhões — um salto de mais de 10x.

As ações da Apple subiram 1.933% sob Cook, quase quadruplicando o retorno do S&P 500 no mesmo período (504%), segundo dados da Sherwood News. O faturamento anual praticamente quadruplicou, chegando a US$ 416 bilhões.

Mais do que manter o legado de Jobs, Cook profissionalizou a operação: fortaleceu serviços como Apple Music, iCloud e App Store, consolidou novos produtos como Apple Watch e AirPods, e transformou a empresa em uma máquina de geração de caixa e expansão global.

Cook permanecerá como presidente-executivo do conselho, em um modelo semelhante ao que Jeff Bezos fez na Amazon e Bill Gates na Microsoft — oferecendo supervisão estratégica e memória institucional.

Quem é John Ternus

Ternus tem 51 anos, entrou na Apple em 2001 e passou praticamente toda a sua carreira na empresa — 25 anos no total. Seu primeiro emprego fora da universidade foi numa pequena empresa de dispositivos de realidade virtual. De lá, foi direto para a equipe de design de produto da Apple.

Em 2013, tornou-se VP de engenharia de hardware. Em 2021, foi promovido a SVP — tornando-se o membro mais jovem do time executivo sênior da Apple.

O que ele lidera: o desenvolvimento de iPhone, Mac, iPad, Apple Watch e AirPods. Ele foi peça-chave na transição dos chips Intel para o Apple Silicon — o movimento que recolocou os Macs entre os produtos mais elogiados do mercado. Mais recentemente, liderou o lançamento do MacBook Neo, o laptop mais acessível da Apple.

Ternus é descrito internamente como uma figura técnica, discreta e profundamente alinhada à cultura da Apple. Em seu discurso de formatura na Universidade da Pensilvânia, em 2024, disse algo que resume seu estilo: "Sempre presuma que você é tão inteligente quanto qualquer pessoa na sala, mas nunca presuma que sabe tanto quanto elas".

O que muda (e o que não muda)

O que muda: A Apple terá pela primeira vez um CEO cuja formação é de engenheiro de produto — não de operações (Cook) nem de design/visão (Jobs). A expectativa é de um líder que priorize execução técnica e iteração de produtos existentes sobre grandes apostas disruptivas.

O que não muda (por enquanto): Cook seguirá no conselho como presidente-executivo. Arthur Levinson, que presidiu o conselho nos últimos 15 anos, se torna diretor independente líder. Johny Srouji assume o cargo expandido de Chief Hardware Officer. A estrutura de poder se reorganiza, mas a transição foi planejada para ser gradual, não abrupta.

A reação do mercado

As ações da Apple caíram até 2% no after-market após o anúncio, mas recuperaram parte das perdas em seguida. O analista Dan Ives, da Wedbush Securities, classificou a reação como "mista" — destacando que a Apple está no meio de uma reformulação de sua estratégia de IA e que investidores terão "mais perguntas do que respostas" no curto prazo.

A Apple divulga resultados trimestrais em 30 de abril. Será o primeiro teste de Ternus diante do mercado como futuro CEO.

Sinais e impactos: o que ficar de olho

1. A aposta no hardware como diferencial. Enquanto a narrativa do Vale do Silício gira em torno de IA e software, a Apple dobrou a aposta em quem faz hardware. Isso pode sinalizar que a empresa acredita que a próxima grande onda — seja dispositivos vestíveis, computação espacial ou chips proprietários — será vencida por quem domina o físico, não só o digital.

2. O dilema da IA continua. A Apple Intelligence ainda não convenceu o mercado. Com Ternus no comando, a grande pergunta é se a empresa vai acelerar ou continuar no ritmo cauteloso de Cook em IA generativa. Concorrentes não estão esperando.

3. Linha sucessória como estratégia. A Apple levou quase 15 anos para planejar essa transição. Para CEOs e fundadores de empresas de qualquer tamanho, a lição é clara: sucessão não é evento, é processo. E quanto mais cedo começar, mais suave será.

4. O perfil do novo líder. Ternus não é o tipo carismático que dá entrevistas na TV. É o tipo que conta os sulcos de um parafuso às 2h da manhã. Em um mercado que glamouriza fundadores exuberantes, a Apple está dizendo: execução importa mais que carisma.

O quadro geral

A Apple fez apenas três transições de CEO em quase cinco décadas. Cada uma definiu a era seguinte da empresa. Jobs criou a Apple. Cook a transformou na maior máquina de valor da história. A pergunta agora é: Ternus vai otimizar o presente ou inventar o futuro?

O mercado está pedindo inovação em IA. O conselho escolheu um engenheiro de hardware. A tensão entre essas duas forças vai definir os próximos anos da empresa mais valiosa do planeta.

Se a maior empresa do mundo planeja sua sucessão com 15 anos de antecedência, como está o plano de sucessão da sua? 

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