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A geração que cresceu com tecnologia nas mãos está sabotando a IA no trabalho — e pode estar cavando o próprio buraco.

44% da Geração Z sabotam ativamente as ferramentas de inteligência artificial nas suas empresas.

A geração que cresceu com tecnologia nas mãos está sabotando a IA no trabalho — e pode estar cavando o próprio buraco.

44% da Geração Z sabotam ativamente as ferramentas de inteligência artificial nas suas empresas.

Victor Hugo Bin

, redator(a) da StartSe

6 min

14 abr 2026

Atualizado: 14 abr 2026

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Uma pesquisa das empresas Writer e Workplace Intelligence ouviu 2.400 funcionários nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa e revelou que 29% deles sabotam ativamente as ferramentas de inteligência artificial nas suas empresas. O dado que chama atenção: 44% desse grupo é formado por jovens da Geração Z — os nascidos entre 1995 e 2010. O motivo? Medo de ser substituído.

Por que isso importa: A sabotagem não é um movimento isolado de funcionários insatisfeitos. É um sintoma de uma fratura entre o que as empresas esperam da tecnologia e o que os jovens talentos entendem sobre o futuro do trabalho. Para quem lidera times, isso é um sinal de alerta sobre cultura organizacional — e sobre o que está faltando na formação das próximas gerações.

O que está acontecendo na prática

As táticas de sabotagem documentadas na pesquisa vão além da simples recusa em usar ferramentas:

  • Inserção deliberada de informações incorretas em agentes de IA
  • Recusa explícita em adotar as plataformas implementadas pela empresa
  • Geração proposital de resultados ruins para fazer a IA "parecer incompetente"

O fenômeno tem até nome: FOBO (Fear of Becoming Obsolete, ou medo de se tornar obsoleto). Cerca de 30% dos sabotadores admitiram sofrer desse temor. Uma pesquisa anterior da KPMG já havia apontado que 4 em cada 10 funcionários temem perder o emprego para a IA em breve.

O paradoxo que a maioria não está enxergando

Aqui está o ponto que os veículos tradicionais estão ignorando: a sabotagem não protege nenhum emprego. Ela acelera a demissão.

Os dados da mesma pesquisa são diretos:

  • 60% dos executivos entrevistados afirmam que consideram demitir quem se recusa a usar IA
  • Profissionais com domínio das ferramentas têm 3x mais chances de receber promoções ou aumentos
  • Líderes já declaram que quem não for proficiente em IA não será considerado para cargos mais altos

Em outras palavras: o funcionário que sabota a IA por medo de perder o emprego está, na prática, aumentando as suas chances de perder o emprego.

O sinal que empresários e executivos precisam captar

Essa pesquisa não é só sobre comportamento dos jovens. É sobre o que está faltando nas organizações.

Quando quase metade dos sabotadores pertence à Geração Z, a leitura mais honesta não é "essa geração é resistente à tecnologia." É: essa geração entrou no mercado de trabalho sem preparação real para um mundo de IA — e as empresas também não ofereceram essa base.

O resultado é um time que convive com ferramentas que não entende, em um ambiente onde ninguém explica o "porquê" por trás da adoção tecnológica. O medo preenche o vácuo onde deveria estar o conhecimento.

Fique de olho

Para quem lidera times ou tem filhos e filhas em idade de entrada no mercado:

  • O problema não é a IA. É a falta de letramento. Empresas que não investem em capacitação real vão colher resistência — ou demitir talentos que poderiam ser treinados.
  • A janela de formação é agora. Jovens entre 15 e 20 anos que entram no mercado nos próximos anos ainda têm tempo de construir uma relação diferente com a tecnologia — de protagonismo, não de medo.
  • Quem domina IA não é substituído por ela. Vira o operador dela. Essa distinção precisa ser comunicada nas empresas — e ensinada antes mesmo da faculdade.

O que fazer se você tem um jovem na família — ou no seu time

A diferença entre o profissional que vai prosperar na próxima década e o que vai ficar para trás não está no diploma. Está no repertório prático com tecnologia.

A Tomorrow Learning é um programa de 3 dias criado pela StartSe para jovens entre 15 e 20 anos que querem construir essa base cedo. Os participantes visitam empresas reais, interagem com IA e outras tecnologias, e vivem experiências que ensinam a resolver problemas com perspectiva global — a mesma que move os negócios do Vale do Silício.

Não é curso. É imersão. E a diferença entre os dois é exatamente a diferença entre saber o que é IA e saber usar IA.

 Conheça a Tomorrow Learning

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