Lucro após uma década de investimentos intensos não é exceção no universo de tecnologia e plataformas digitais. Empresas globais como Amazon, Uber e Tesla seguiram jornadas similares, mostrando que tempo até lucrar pode ser um indicador estratégico, não um fracasso.
Desde sua criação, foram 10 anos fechando no vermelho, mas o jogo virou no último balanço
, redator(a) da StartSe
7 min
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25 fev 2026
•
Atualizado: 25 fev 2026
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O Globoplay, serviço de streaming da Globo, registrou lucro pela primeira vez em 2025, cerca de dez anos após seu lançamento em 2015. A plataforma consolidou sua base de mais de 30 milhões de usuários, apostou em conteúdo ao vivo, produções originais e formatos freemium para ampliar o alcance e gerar receita consistente, fatores que impulsionaram sua trajetória até a rentabilidade.
Esse marco é mais do que simbólico: ele sinaliza uma virada estratégica no modelo de monetização do streaming no Brasil, muito além de simples assinaturas.
E aponta para uma lição mais ampla sobre como pensar lucros em setores que demandam escala antes de margem.
No ecossistema global de tecnologia, levantar capital e focar em crescimento acelerado antes do lucro já foi padrão para gigantes que hoje são sinônimos de sucesso.
Por exemplo:
Amazon demorou cerca de 4–5 anos para reportar seu primeiro lucro depois de sua fundação, em um modelo que priorizou fatia de mercado e reinvestimento agressivo em crescimento.
Uber, fundada em 2009, só reportou seu primeiro lucro anual em 2023, cerca de 14 anos depois de entrar no mercado.
Outras empresas como Tesla e Twitter também levaram mais de uma década para alcançar lucratividade (Tesla ~17 anos; Twitter ~12 anos).
Essa trajetória prolongada não significa incapacidade operacional e sim uma escolha estratégica de investimento: priorizar expansão, escala e captura de mercado antes de transformar em lucro líquido.
Em outras palavras: o combinado (no plano de negócios), não sai caro. Se o conselho de administração, diretoria e acionistas estão na mesma página e sabem que o negócio precisa queimar caixa para, lá na frente, virar o jogo e dar lucro, tudo bem.
Várias razões explicam por que modelos como o de streaming ou tech podem levar tempos longos para se tornarem lucrativos:
a) Alta necessidade de capital
Construir infraestruturas, licenciar conteúdo ou desenvolver tecnologia exige desembolsos elevados antes que receita suficiente seja gerada.
b) Crescimento de base é ativo competitivo
Mais usuários significa maior poder de negociação com anunciantes, parceiros e plataformas, o que aumenta o valor futuro.
c) Monetização escalonada
Assinaturas, publicidade, eventos ao vivo e parcerias trazem retorno só depois que a plataforma atinge massa crítica.
Isso se aplica tanto a serviços nacionais como o Globoplay quanto a gigantes globais.
Empresas que demoraram a lucrar muitas vezes seguem um padrão comum:
Longo período de investimento pesado em crescimento — absorção significativa de capital.
Consolidação de usuários e expansão de receita recorrente — assinaturas ou serviços associados.
Diversificação de receita — publicidade, conteúdo premium, eventos.
Virada para margem — ajustes operacionais, foco em eficiência e estratégia de preços.
O Globoplay, por exemplo, capitalizou em conteúdos ao vivo e formatos diferenciados, além de manter preços acessíveis enquanto ampliava audiência: uma das estratégias que finalmente o levou ao ponto de equilíbrio financeiro.
Apesar de estratégico, esse caminho não é isento de riscos:
Investidores precisam de paciência
Empresas tecnológicas podem perder valor de mercado se expectativa por lucro for antecipada pela percepção pública ou pelo mercado financeiro.
Custo de capital é real
Juros, inflação e mudanças econômicas podem tornar mais caro sustentar longos períodos no vermelho.
Competição feroz
Mercados como streaming já têm players consolidados (Netflix, Disney+) com vantagem de escala global — pressionando margens de novos entrantes.
Mas histórias como a da Globoplay mostram que modelos regionais podem achar espaços lucrativos ao explorar diferenciais locais e nichos estratégicos de consumo.
O caso Globoplay junta-se a outras jornadas longas de lucro para oferecer insights valiosos:
📌 Lucro não é destino, é um ponto de inflexão
O tempo até lucrar importa menos que a estabilidade e a sustentabilidade da trajetória.
📌 Estratégia de monetização híbrida é diferencial
Assinaturas + publicidade + conteúdo ao vivo funcionam como um portfólio de receita robusto.
📌 Escala precede margem em muitos modelos digitais
A rapidez em adquirir usuários pode justificar lucros futuros maiores do que os imediatos.
📌 Contexto de mercado muda expectativas
Em setores onde a economia de dados, atenção e conteúdo é chave, métricas tradicionais de curto prazo cedem lugar a indicadores de engajamento e retenção.
Esse resultado do Globoplay reforça que tempo até lucrar muitas vezes é menos um sinal de fracasso e mais um reflexo de escolhas estratégicas de longo prazo, especialmente em mercados de alta competição e elevado custo inicial.
Para estrategistas e conselheiros, entender essa dinâmica é crucial para avaliar investimentos, definir expectativas e estruturar modelos de crescimento que sobrevivam à pressão de curto prazo, transformando perdas em vantagem competitiva sustentável.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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