Piloto da 4 Day Week Brasil com FGV e Boston College mostra 84,6% das lideranças aprovando o modelo, com aumento de receita em quase três em cada quatro empresas participantes.
(Foto: via Canva)
, Redator
6 min
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9 set 2026
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Atualizado: 9 set 2026
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Vinte e uma empresas brasileiras, reunindo cerca de 290 colaboradores, testaram por seis meses a redução da jornada para quatro dias, sem corte de salário. O programa foi coordenado pela 4 Day Week Brasil em parceria com FGV e Boston College, com apoio de implementação da Reconnect Happiness at Work. Dezenove das 21 empresas completaram o piloto até o fim, encerrado em junho de 2024.
O resultado que mais importa para quem lidera não é sobre bem-estar. É sobre número de resultado: 84,6% das lideranças confirmaram benefício direto para o negócio.
O receio mais comum de qualquer CFO diante da proposta de cortar um dia de trabalho é simples: será que a mesma entrega cabe em quatro dias? Os dados do piloto respondem que sim, e por uma margem larga. Produtividade percebida aumentou para 71,5% dos participantes, engajamento cresceu para 60,3%, e o comprometimento com a empresa subiu para 65,5%.
Do lado humano, os números são ainda mais expressivos: 77,3% relataram melhora na saúde mental, 73,7% perceberam melhoria na saúde física, e 30,5% relataram redução de ansiedade.
Aqui está o dado que costuma travar a conversa quando ela chega ao conselho. Na comparação entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2023, 72,7% das empresas participantes tiveram melhoria de receita, e 63,6% relataram aumento de lucro. Não é uma amostra pequena o bastante para descartar como coincidência, nem grande o bastante para tratar como prova definitiva — mas é dado real, coletado por instituição acadêmica, não estudo de caso de fornecedor interessado em vender o modelo.
O erro mais comum de quem tenta reproduzir o resultado é tratar a semana de 4 dias como só cortar a sexta-feira do calendário e torcer para dar certo. As empresas que sustentaram o piloto até o fim precisaram redesenhar reuniões, cortar retrabalho e rever critério de priorização — a redução de jornada funcionou como forçador de eficiência, não como benefício isolado sobreposto à rotina antiga.
Sem esse redesenho, o mais provável é que a mesma carga de trabalho simplesmente se comprima em menos dias, produzindo exaustão em vez de ganho — o oposto do que os dados do piloto brasileiro mostraram.
Reino Unido, Islândia, Espanha e Nova Zelândia já testaram ou adotaram versões do modelo de quatro dias em escala nacional ou setorial antes do piloto brasileiro começar. O Brasil entra nessa conversa tarde, mas entra com um ingrediente próprio: o debate acontece em paralelo à discussão sobre o fim da escala 6x1 em setores como varejo e serviços, o que torna o tema mais urgente na pauta trabalhista do país do que em boa parte dos mercados que testaram o modelo antes.
É essa a pergunta que separa quem vai olhar para os números do piloto brasileiro como curiosidade de RH de quem vai tratá-los como sinal real de vantagem competitiva em retenção de talento. Redesenhar jornada, prioridade e critério de entrega sem perder resultado é decisão de liderança, não ajuste operacional — e é esse tipo de repertório que o Executive Program ajuda a desenvolver em quem precisa liderar esse tipo de mudança com segurança.
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