Sou Aluno
Formações
Imersões Internacionais
Eventos
AI Tools
Artigos
Sobre Nós
Para Empresas
Consultoria
Gestão do Negócio

Empresas anunciam o fim dos juniores. Outras dobram a aposta neles: o que está acontecendo?

Mercado: contratando humanos no lugar da IA

Empresas anunciam o fim dos juniores. Outras dobram a aposta neles: o que está acontecendo?

Como traduzir os sinais confusos do mercado

Redação StartSe

, Redator

7 min

19 fev 2026

Atualizado: 19 fev 2026

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!

Durante os últimos dois anos, uma narrativa ganhou força: a inteligência artificial substituirá primeiro os cargos de entrada. Analistas projetam cortes massivos. Consultorias falam em reconfiguração profunda da base do mercado de trabalho. O “fim dos juniores” virou quase consenso.

Mas algo curioso está acontecendo.

Enquanto parte do mercado prevê um apagão de vagas iniciais, outra parte está ampliando contratações justamente nesse nível.

O debate deixou de ser teórico. Virou estratégico.

O time do “fim dos juniores”

Alguns relatórios colocam números expressivos na mesa.

O Goldman Sachs estima que a IA pode afetar até 300 milhões de empregos globalmente, com forte impacto sobre funções administrativas e de nível inicial.

A Anthropic vai além: projeta que até 50% das posições básicas podem desaparecer nos próximos anos, especialmente em áreas como direito, finanças, consultoria e backoffice corporativo.

O raciocínio é simples: tarefas repetitivas, padronizadas e baseadas em processamento de informação são altamente automatizáveis. E é justamente aí que muitos profissionais iniciam a carreira.

Se a IA executa com mais velocidade e menor custo, por que manter humanos nesses postos?

Parece lógico. Mas o mercado raramente é linear.

O time do “contrata-se juniores”

Na direção oposta, movimentos concretos desafiam o discurso apocalíptico.

A IBM anunciou que irá triplicar suas contratações de nível inicial. Segundo sua liderança de RH, parte dessas vagas está justamente em áreas onde a IA já opera.

A justificativa é estratégica: jovens profissionais chegam ao mercado com maior fluência tecnológica, maior conforto com ferramentas digitais e menos resistência à integração com IA.

A McKinsey também ampliou suas contratações de nível inicial, com crescimento planejado ao longo de cinco anos. O argumento é claro: a nova geração não compete com a IA — aprende a operar com ela.

O que essas empresas parecem entender é que o problema não é “IA versus humano”.

É humano que sabe usar IA versus humano que não sabe.

A falsa dicotomia

A discussão pública tende a simplificar o cenário como uma disputa binária:

IA substitui pessoas
ou
IA cria mais oportunidades.

A realidade é mais complexa.

A IA substitui tarefas.
Mas as empresas contratam capacidades.

Cargos de entrada tradicionalmente eram compostos por tarefas repetitivas. Se essas tarefas desaparecem, o desenho do cargo muda. Mas isso não significa que o profissional deixa de ser necessário.

Significa que ele entra no mercado já em outro patamar de exigência.

A nova lógica da carreira

O modelo clássico de carreira — estagiário, analista, coordenador, gerente, diretor — sempre pressupôs um período longo de aprendizado operacional.

A base era: você aprende executando tarefas básicas.

Se a IA assume parte dessas tarefas, o aprendizado precisa mudar de natureza.

O novo júnior não é treinado para repetir processos.
É treinado para interpretar dados, questionar outputs da IA, integrar contexto humano e tomar decisões assistidas por tecnologia.

O problema não é o fim dos juniores.
É o fim do júnior tradicional.

O risco invisível: sem base, sem liderança

Existe uma pergunta estratégica que poucas empresas estão fazendo:

Se você elimina posições de entrada, como forma seus futuros líderes?

Toda organização precisa de pipeline de talento. Sem formação interna, a empresa passa a depender exclusivamente de contratações externas para posições estratégicas — o que aumenta custo, risco cultural e perda de conhecimento acumulado.

Eliminar juniores pode gerar eficiência de curto prazo.
Mas pode comprometer sucessão de longo prazo.

E empresas que não pensam em sucessão, pagam caro no futuro.

O que realmente está mudando

A disputa “IA substitui” versus “IA amplia” esconde a verdadeira transformação.

O que está mudando não é apenas o número de vagas. É o perfil da entrada.

Empresas estão buscando:

  • Capacidade de aprender rápido
  • Fluência tecnológica
  • Pensamento crítico
  • Autonomia precoce
  • Capacidade de trabalhar com sistemas inteligentes

O mercado não está deixando de contratar jovens profissionais.
Está deixando de contratar jovens profissionais despreparados para um ambiente híbrido.

A pergunta estratégica

Independentemente de qual “time” esteja certo, uma coisa é evidente:

A carreira linear morreu.

O profissional do futuro não será aquele que sobe degrau por degrau repetindo tarefas.
Será aquele que aprende continuamente, se reposiciona e domina ferramentas emergentes.

E as empresas que entenderem isso primeiro sairão na frente.

A pergunta que fica é:

Sua empresa está usando IA para substituir pessoas — ou para elevar o nível delas?

Porque a diferença entre essas duas escolhas define não apenas o próximo trimestre.

Define a próxima geração de líderes.

Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!

Imagem de fundo do produto: StartSe Talks | Executivo | StartSe

Assuntos relacionados

Imagem de perfil do redator

Leia o próximo artigo

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!