Comitês, rituais e discursos consomem orçamento sem gerar valor real, e o board raramente percebe a tempo
Slides bonitos, uso de IA sem qualquer governança... a inovação que parece, mas não é.
, Editor
5 min
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27 jul 2026
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Atualizado: 27 jul 2026
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O termo "teatro da inovação", cunhado pelo escritor americano Steve Blank e citado na CEO Survey 2026 da PwC, descreve algo que boa parte dos conselhos brasileiros já viveu sem ter nome para isso: atividades que aparentam inovação, mas não produzem valor real. Hackathons anuais, comitês de futuro, apresentações elaboradas sobre tendências emergentes. Tudo parece movimento. Poucas vezes é resultado.
O teatro da inovação não aparece como prejuízo direto. Aparece como orçamento consumido sem retorno mensurável, como equipes dedicadas a projetos que nunca saem do estágio de piloto, como relatórios de inovação que impressionam na apresentação e desaparecem na prática operacional. Segundo a própria CEO Survey da PwC, empresas que adotam um conjunto consistente de práticas reais de inovação registram fatia maior de receita proveniente de novos produtos e serviços, o que evidencia, por contraste, o custo de quem só finge inovar.
O problema é que esse teatro costuma ser aplaudido internamente antes de ser questionado. Apresentações bem construídas, linguagem sofisticada sobre transformação digital e comitês formados por lideranças influentes criam a aparência de prioridade estratégica. A ausência de métrica de impacto real, no entanto, revela que a inovação virou retórica, não prática.
Um padrão comum em empresas que praticam esse teatro é a criação de estruturas paralelas de governança para inovação, sem autoridade real de decisão. Comitês se multiplicam, apresentações se sofisticam, mas a capacidade de aprovar, financiar e escalar um projeto até o mercado continua travada pela mesma burocracia que sempre existiu. O resultado é uma organização que discute inovação com intensidade crescente e entrega inovação com velocidade decrescente.
Isso se conecta diretamente a outro dado da mesma pesquisa: 60% dos CEOs brasileiros já preveem que vão precisar de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos, em parte por conta da automação viabilizada por inteligência artificial. Empresas que tratam inovação como teatro correm o risco de cortar base operacional sem ter, de fato, construído a capacidade de inovação que justificaria esse corte.
A pergunta que separa um projeto real de um projeto decorativo é simples e raramente feita com honestidade: se essa iniciativa fosse cancelada hoje, algum resultado de negócio mudaria? Projetos de inovação real têm métrica de receita, de eficiência ou de retenção associada. Projetos decorativos têm métrica de visibilidade: quantas pessoas participaram, quantas menções na imprensa, quantos slides na apresentação anual.
Conselhos que querem sair do teatro da inovação precisam exigir essa métrica de resultado antes de aprovar continuidade de orçamento. Não como punição, mas como disciplina que separa o que gera valor do que apenas parece gerar.
O primeiro passo é auditar, com honestidade, quantos projetos de inovação ativos na empresa têm meta de resultado financeiro clara e prazo definido para entregá-la. O segundo é redesenhar a governança de inovação para que ela tenha autoridade real de decisão, não apenas espaço de discurso. O terceiro é conectar inovação diretamente à estratégia do board, e não a um departamento isolado que precisa justificar sua própria existência a cada ciclo orçamentário.
Conselhos e lideranças que buscam essa disciplina encontram no Board Program da StartSe um espaço estruturado para revisar governança de inovação com rigor de resultado, não de aparência.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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