Enquanto a Eli Lilly surfou na explosão dos medicamentos para obesidade e superou expectativas com receita e projeções robustas, a Novo Nordisk viu suas ações derreterem diante de guidance fraco, competição feroz e pressão de preços.
Eli Lilly decolou em resultado. Novo Nordisk patinou.
, redator(a) da StartSe
8 min
•
4 fev 2026
•
Atualizado: 4 fev 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
O mercado farmacêutico mundial vive um dos capítulos mais impressionantes de sua história recente. Medicamentos para obesidade e diabetes, especialmente os que atuam na classe GLP-1, elevaram o patamar de valor dessas empresas — e, ao mesmo tempo, expuseram quem estava preparado para o futuro e quem ficou vulnerável à competição e à dinâmica de preços.
Recentemente, a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, tradicional líder no segmento dos medicamentos Ozempic e Wegovy, viu suas ações despencarem até 18% em um único dia, eliminando mais de US$ 330 bilhões de valor de mercado após divulgar um uma projeção para 2026 muito abaixo das expectativas do mercado.
A previsão de queda de vendas e lucro — entre 5% e 13% — contrastou fortemente com o que os analistas esperavam e acendeu um alerta de deterioração estrutural no principal pilar do seu negócio: os tratamentos contra obesidade e diabetes.
Isso não é apenas uma queda num gráfico de ações. É o reflexo de um contexto competitivo que mudou dramaticamente. A liderança quase incontestável que a Novo Nordisk detinha no mercado de GLP-1 enfrentou rivais mais agressivos, especialmente a americana Eli Lilly, que soube se posicionar estrategicamente com seus medicamentos Mounjaro e Zepbound.
Esses produtos registraram crescimento de receita exponencial e capturaram significativa participação de mercado — traduzindo inovação clínica em resultado financeiro real e confiança dos investidores.
O que explica essa disparidade de performance entre duas empresas que apostaram na mesma tendência de mercado? A resposta está em execução, percepção do mercado e ajuste de expectativas:
A Eli Lilly divulgou balanços que superaram o consenso de mercado, com receitas robustas impulsionadas por Mounjaro e projeções de crescimento acima do esperado. Isso cria um ciclo virtuoso: resultados sólidos atraem mais capital, mais confiança e, em seguida, mais valorização de ações.
Pelo contrário, a Novo Nordisk não só revisou suas projeções para baixo, como o guidance divulgado sugeriu queda de vendas e lucro, gerando incerteza sobre sua capacidade de manter o ritmo de crescimento que os investidores esperavam após anos de valorização recorde.
Se a Novo Nordisk foi pioneira com Wegovy e Ozempic, ela passou a enfrentar concorrência forte da Eli Lilly, que não só ganhou mercado com produtos eficazes, como também soube capitalizar essa vantagem nos resultados financeiros e na narrativa para o mercado.
Isso inclui a performance superior de Mounjaro em estudos clínicos e sua presença consolidada no mercado americano — um dos mais valiosos do mundo.
Ao mesmo tempo, a pressão de versões genéricas, intermediárias e produtos alternativos está comprimindo margens e, portanto, pressionando os preços médios que a Novo Nordisk pode praticar.
Na bolsa, expectativas são tão importantes quanto números passados. A Eli Lilly conseguiu entregar não apenas resultados — mas narrativa positiva de transformação de receita.
A Novo Nordisk, apesar de ter conseguido aprovações importantes para uma versão oral do Wegovy, ainda luta para converter essa conquista regulatória em crescimento real de receita que compense as projeções sacrificadas de medicamentos tradicionais.
Esse descompasso entre narrativa e execução imediata ajuda a explicar por que a mesma indústria pode produzir resultados tão díspares para seus maiores players.
O episódio das duas farmacêuticas é um estudo de caso direto sobre execução estratégica em ambientes competitivos e tecnologicamente transformadores.
📌 Inovação sem execução parece promessa. Ter um produto inovador (como um tratamento de GLP-1) não garante sucesso se a execução comercial, definição de preços, expansão de mercado e gestão de expectativas não estiverem alinhadas.
📌 Comunicação e projeção importam tanto quanto receita. Revisões frequentes de resultados, como ocorreu com a Novo Nordisk, sinalizam ao mercado que a empresa enfrenta incertezas internas — e isso pesa na avaliação de risco e retorno.
📌 Competição reforça valor de estratégia integrada. A Eli Lilly não foi apenas mais rápida em entrega, mas também conseguiu organizar sua cadeia de valor, pipeline de produtos e narrativa de crescimento em um pacote coeso para investidores.
📌 Riscos regulatórios e de patentes podem desalinhar planos. Com pressões de preços e expiração de patentes, o terreno competitivo muda constantemente, e empresas que se adaptam mais rapidamente — seja por diversificação do portfólio ou expansão de indicações — tendem a capturar mais valor.
A história de Eli Lilly e Novo Nordisk em 2025–2026 é mais do que um duelo de farmacêuticas: é um alerta para líderes e estrategistas em qualquer setor. Inovação sem execução tangível e alinhamento de mercado pode gerar resultados fracos, mesmo com produtos promissores.
E, no fim das contas, o mercado não entrega prêmio apenas pela promessa de liderança — entrega prêmio pelo resultado real, repetível e comunicável.
Este contraste é um convite para gestores revisarem suas métricas de sucesso: mais do que ter algo incrível, é necessário saber como transformar isso em crescimento sustentável, previsível e mensurável para todos os stakeholders.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Assuntos relacionados
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!