A nomeação do novo CEO da Disney é um sinal claro de que, no mundo corporativo, conselho e liderança estão recalibrando prioridades num ambiente onde experiência operacional e visão estratégica precisam caminhar juntas.
Josh D'Amaro, novo CEO da Disney
, redator(a) da StartSe
6 min
•
3 fev 2026
•
Atualizado: 3 fev 2026
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O conselho da Walt Disney Company anunciou recentemente a promoção de Josh D’Amaro ao cargo de CEO, em um movimento que surpreendeu muitos analistas e observadores do mercado. D’Amaro, que vinha liderando a divisão de parques, experiências e produtos — tradicionalmente o motor de receita mais estável da Disney — agora assume a responsabilidade por todas as frentes da gigante do entretenimento, incluindo mídia, streaming e operações globais.
O anúncio reflete uma leitura bastante consciente por parte do board: em um momento em que o consumo de mídia está fragmentado, os parques físicos continuam sendo um ativo resiliente e estratégico, e a Disney precisava de alguém que compreendesse execução tática com profundidade e fosse capaz de integrar isso à visão de futuro da empresa.
Essa escolha do board não é casual. D’Amaro é visto como um executivo que une duas qualidades raras no topo de grandes corporações: intimidade operacional com ativos reais e capacidade de pensar em modelos de negócio que transcendem plataformas tradicionais de conteúdo — algo crítico num mundo onde experiências físicas e digitais estão cada vez mais interligadas.
Tradicionalmente, a sucessão de um CEO poderia ser algo organizado apenas pela equipe executiva. Mas no caso da Disney, o board desempenhou papel central como agente ativo da transição, escolhido alguém com um perfil diferente do que muitos esperavam: não um executivo de mídia tradicional, nem um guru tecnológico, mas um líder de operações profundamente conectado com a experiência do cliente.
Esse tipo de decisão reflete uma mudança mais ampla em conselhos corporativos: eles não estão apenas aprovando nomes, mas redefinindo o que significa liderar em tempos complexos. Governança deixou de ser um conjunto de boas práticas formais; virou um processo dinâmico de leitura de contexto, antecipação de riscos e alinhamento entre legado e futuro.
No caso da Disney, essa transição concorda com uma série de desafios que a companhia enfrenta:
queda de receita em segmentos de mídia tradicional,
pressão por performance no streaming,
necessidade de integração entre experiências físicas e conteúdo digital,
competição por atenção em níveis globais.
D’Amaro, com sua experiência nos parques — onde a Disney não apenas entrega produto, mas experiência vivencial — simboliza esse tipo de liderança híbrida, que une execução detalhada e visão de longo prazo.
A história da Disney entrega várias lições para executivos que precisam pensar além do óbvio:
Experiência operacional conta — e muito: em momentos de transição, conselhos estão valorizando líderes que conhecem profundamente a “planta” da empresa, não apenas a teoria organizacional.
Modelos híbridos de liderança se tornam críticos: hoje não basta ser bom no passado; é preciso ser capaz de conectar ativos físicos, digitais e humanos de forma integrada.
Boards não podem ser passivos: sucessões bem-sucedidas não acontecem por acaso, acontecem por design — com critérios, debate estratégico e alinhamento de longo prazo.
O papel do conselho aqui foi crucial: agir não apenas como guardião de regras, mas como decisor estratégico. E é exatamente essa capacidade — de antecipar cenários, construir pipelines de liderança e integrar decisões complexas — que diferencia boards de alta performance daqueles que apenas reagem ao mercado.
Para conselheiros e líderes que buscam dominar esse novo patamar de governança — onde sucessão, estratégia e execução se cruzam — o Board Program da StartSe é o ambiente ideal para desenvolver as habilidades que realmente importam: decifrar contextos complexos, estruturar sucessões estratégicas e alinhar liderança a cenários voláteis.
Se a Disney está reposicionando sua liderança para responder às demandas de um mercado em transformação, a pergunta para outros conselhos é clara:
seu board está preparado para a próxima sucessão antes que ela seja uma crise?
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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