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David Vélez, do Nubank, entra para o conselho da OpenAI

A escolha de um fundador latino-americano para ajudar a decidir os rumos da empresa mais valiosa da era da inteligência artificial é reconhecimento direto da trajetória construída em treze anos de Nubank

David Vélez, do Nubank, entra para o conselho da OpenAI

Foto: Sam Barnes/Web Summit Rio via Sportsfile

Bruno Lois

, Editor

7 min

22 jul 2026

Atualizado: 22 jul 2026

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A OpenAI, dona do ChatGPT, anunciou nesta terça-feira, 21 de julho, a entrada de David Vélez, fundador e CEO do Nubank, em seu conselho de administração. Segundo reportagem da Exame, Vélez passa a integrar, ao lado de Robin Vince, presidente e CEO do BNY, os conselhos da OpenAI Foundation e da OpenAI Group PBC — as duas estruturas que controlam a empresa. É um reconhecimento direto de que a experiência construída à frente do maior banco digital da América Latina tem lugar na mesa que decide os próximos passos da companhia mais valiosa da era da inteligência artificial.

Para quem acompanha a trajetória do Nubank desde sua fundação em São Paulo, em 2013, esse convite carrega um significado claro: a disciplina de gestão que levou a fintech a mais de 135 milhões de clientes e cerca de US$ 82 bilhões em valor de mercado passou a ser vista, pelo próprio mercado global de tecnologia, como ativo estratégico relevante para além das fronteiras do setor financeiro.

Por que essa escolha diz tanto sobre o momento da OpenAI

O que chama atenção nessa nomeação é o perfil escolhido. Nem Vélez nem Vince vêm da área de tecnologia ou de pesquisa em IA — ambos constroem carreira em serviços financeiros e mercado de capitais. Essa escolha deliberada sinaliza que a OpenAI está buscando, no seu conselho, o tipo de experiência que sustenta crescimento institucional em grande escala: governança financeira, disciplina de capital e histórico comprovado de liderança em momentos decisivos de uma empresa.

Vélez, especificamente, traz para essa mesa uma credencial rara: ele conduziu pessoalmente a abertura de capital do Nubank na Bolsa de Nova York em 2021, uma das maiores da história da tecnologia latino-americana. Parte do mercado financeiro já interpreta essa nomeação como preparação da OpenAI para seu próprio caminho de abertura de capital — e, se essa leitura se confirmar, dificilmente existiria escolha mais natural do que alguém que já liderou, com sucesso, esse exato processo.

O reconhecimento de uma trajetória construída com consistência

Essa nomeação também reforça algo que executivos brasileiros e latino-americanos vêm demonstrando com cada vez mais frequência: a capacidade de liderar instituições de padrão global, não apenas operar bem dentro de mercados locais. Vélez transformou o Nubank de desafiante regional em uma das dez maiores instituições financeiras do Brasil por ativos, e vem expandindo essa mesma disciplina para outros mercados — a fintech já obteve aprovação condicional para operar como banco nacional nos Estados Unidos, além de operações em crescimento no México e na Colômbia.

O comunicado oficial da OpenAI reforça esse reconhecimento. Segundo Bret Taylor, presidente do conselho da empresa, a experiência de Vélez e Vince na liderança de grandes instituições, somada ao compromisso de ambos com a filantropia, será inestimável à medida que a OpenAI passa a atender mais empresas e pessoas ao redor do mundo. O próprio Vélez, em nota, expressou a expectativa de contribuir para "levar uma IA útil a todos" — um objetivo que conecta diretamente a missão declarada da OpenAI com a trajetória do próprio Nubank, construída sobre a tese de que serviços complexos podem, sim, ser entregues de forma simples e acessível em grande escala.

O que esse movimento sinaliza para governança corporativa global

Para conselhos de administração ao redor do mundo, essa nomeação reforça um princípio de governança cada vez mais relevante: empresas de tecnologia de fronteira, mesmo as mais avançadas tecnicamente, se beneficiam de conselheiros com histórico comprovado em disciplina financeira, gestão de capital e liderança institucional — competências que raramente nascem dentro do próprio núcleo técnico de uma empresa de IA. A OpenAI, ao equilibrar seu conselho com esse tipo de experiência, sinaliza maturidade organizacional na forma como estrutura sua própria governança.

Esse tipo de composição de conselho — equilibrando profundidade técnica com experiência sólida de mercado de capitais e disciplina institucional — é exatamente o tipo de decisão estratégica que o Board Program da StartSe explora com conselheiros e lideranças que estruturam ou integram conselhos de empresas em rápido crescimento, onde a escolha certa de composição pode ser tão decisiva quanto qualquer estratégia de produto.

A entrada de David Vélez no conselho da OpenAI é, antes de tudo, a confirmação pública de algo que o mercado latino-americano já reconhecia: a experiência construída em treze anos de Nubank tem valor que atravessa fronteiras geográficas e setoriais — e agora ajuda a moldar os próximos passos de uma das empresas mais influentes do mundo.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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