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"Você não precisa saber programar. Precisa saber pedir." A oficina que mostrou como construir startups 10x mais rápido no AI Festival

Alexandre Messina, embaixador da Lovable no Brasil e MIT Innovator Under 35, conduziu uma das oficinas mais práticas do evento: um passo a passo para ir da ideia ao produto usando apenas linguagem natural.

"Você não precisa saber programar. Precisa saber pedir." A oficina que mostrou como construir startups 10x mais rápido no AI Festival

Embaixador da Lovable compartilhou 10 dicas para melhor usar a ferramenta

Victor Hugo Bin

, redator(a) da StartSe

11 min

14 mai 2026

Atualizado: 14 mai 2026

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Cobertura AI Festival 2026 — Workshops e Oficinas

Se você ainda acha que precisa de um time de desenvolvedores para tirar uma ideia do papel, a oficina de Alexandre Messina no AI Festival 2026 foi um choque de realidade.

Com o tema "A Nova Geração de Builders: Construindo startups 10x mais rápido com Lovable e Vibe Coding", o facilitador não fez uma palestra teórica. Ele montou um framework completo — da descoberta da ideia até a publicação do produto — usando IA como motor de tudo.

Quem é Alexandre Messina

Messina não é um evangelista de garagem. Ele é sócio e embaixador da Lovable no Brasil — a plataforma sueca de vibe coding que saiu de US$ 0 a US$ 6,6 bilhões de valuation em menos de dois anos e já ultrapassou US$ 400 milhões em receita anual recorrente. A empresa é considerada uma das startups de crescimento mais rápido da história do SaaS.

Antes da Lovable, Messina cofundou a Zaia (com exit), foi Head de Venture Capital na Americanas, é formado em engenharia pela PUC-Rio com MBA na FGV e foi reconhecido pelo MIT como Innovator Under 35 em Inteligência Artificial. É também professor convidado na Singularity e na Exame, onde ensina aplicações práticas de vibe coding para empresas.

O Brasil, aliás, é o segundo maior mercado da Lovable no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos — e Messina é uma peça central dessa expansão.

O que é Vibe Coding (e por que importa)

O termo foi cunhado por Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, em fevereiro de 2025. A lógica é simples e poderosa: em vez de escrever código linha a linha, você descreve o que quer em linguagem natural e a IA constrói para você.

O conceito virou a "palavra do ano" em 2025. Mas Messina expandiu a ideia durante a oficina: "Você não precisa usar 'vibe' só para coding", disse. Sempre que deixamos a IA executar algo por nós, estamos "vibing". E essa mentalidade muda tudo.

O framework da oficina: do "Vibe Discovery" ao "Vibe Marketing"

A oficina não foi sobre uma ferramenta. Foi sobre um método. Messina dividiu o processo em etapas claras, cada uma com ferramentas e referências práticas.

Vibe Discovery — Comece pelo problema certo

Antes de abrir qualquer plataforma, Messina provocou a plateia com o conceito japonês do Ikigai: o que você ama, o que o mundo precisa e como você pode ser pago por isso. Recomendou o livro The Genius Zone, de Gay Hendricks, para quem quer encontrar sua zona de genialidade.

A mensagem central: como dá para construir praticamente tudo com vibe coding hoje, a parte mais importante é ter certeza do caminho antes de começar a construir.

E citou Peter Diamandis, da Singularity: os maiores problemas do mundo também são as maiores oportunidades de negócio.

Vibe Ideas — Onde encontrar a próxima ideia de negócio

Messina apresentou duas grandes categorias de boas ideias:

1. Uma dor real no seu trabalho. A ideia mais forte nasce da fricção que você já vive no dia a dia.

2. Algo que já está funcionando lá fora. Pegar um modelo que já foi validado internacionalmente e adaptar para o Brasil. "Quando uma empresa grande resolve vir para cá, você já está anos à frente", disse.

Para encontrar essas ideias, Messina compartilhou um arsenal de ferramentas:

  • AI Agents Directory — para mapear o mercado de agentes de IA
  • YC Startup Directory — para pesquisar startups nascentes e modelos de negócio em diferentes mercados
  • Os 100 maiores casos de uso de IA (estudo Harvard Business Review) — para entender as dores de mercado e onde a IA já está sendo aplicada no dia a dia
  • ideabrowser.com — um site que entrega uma ideia de negócio por dia
  • trustmrr.com — para verificar quais ideias de negócio estão performando e quanto geram de receita mensal recorrente (MRR)

E uma tática especialmente interessante: ir ao Google, filtrar por Reddit, adicionar "AI" e buscar "Is there any tool". Isso revela pessoas reais perguntando por ferramentas de IA que ainda não existem — ou que existem, mas não estão bem difundidas. Em ambos os casos, há oportunidade.

Vibe Coding — A Lovable em ação

Aqui Messina trouxe os números que impressionaram a sala. A Lovable:

  • Saiu de US$ 1 milhão para US$ 100 milhões de ARR em apenas 8 meses
  • Tem 15 milhões de criadores no mundo
  • Já gerou 44 milhões de projetos

Citou Madhu Guru, do Google: "A construção é a nova forma de comunicação."

E trouxe cases reais de empresas construídas inteiramente (ou quase) com a plataforma:

  • Plinq — mais de US$ 2 milhões de ARR e 20 mil clientes em menos de 6 meses
  • Summitfy — US$ 230 mil de ARR otimizando perfis no LinkedIn
  • YouSafer — 500 mil usuários em assistência de plano de saúde, construída apenas com Lovable e Supabase

A plataforma cuida de front-end, back-end e banco de dados — tudo em um só lugar.

As 10 dicas práticas de Vibe Coding que Messina compartilhou

  1. Use comando de voz para descrever o que você quer. Economiza horas de escrita.
  2. Comece com uma ideia que já deu certo fora do Brasil. Adapte, não invente do zero.
  3. Adicione o Design System de uma empresa que você admira — ou busque referências visuais em sites como motionsites.ai.
  4. Ative o Modo Plan no prompt inicial, combinando a descrição do projeto com o Design System.
  5. Retire dados mockados durante o desenvolvimento para manter o projeto limpo.
  6. Peça todas as features que quiser. Se algo for complexo demais, a própria Lovable vai sugerir chamar uma API e te dar o plano de integração.
  7. Para uso interno de poucas pessoas, não é preciso publicar. Basta convidar o time para usar diretamente na plataforma.
  8. Para uso interno de mais pessoas, peça à Lovable para implementar login por SSO e garantir segurança de acesso.
  9. Use o Plan para fazer perguntas, não só planejamento. Ele funciona como um consultor técnico.
  10. Parta do pressuposto de que sempre dá para fazer — vídeos, imagens, textos, integrações, efeitos. Tudo.

Vibe Marketing — IA em todas as frentes

Messina também expandiu o conceito de "vibe" para o marketing, apresentando cinco frentes:

  • Vibe AI para Branding — construção de marca assistida por IA
  • Vibe AI para SEO/GEO — e aqui veio um anúncio em primeira mão: tudo que for criado na Lovable já nasce com SEO e GEO otimizados. A feature foi anunciada durante a própria oficina no AI Festival.
  • Vibe AI para Ads — criação e otimização de anúncios com IA
  • Vibe AI para UGC — conteúdo orgânico gerado por IA nas redes
  • Vibe AI para Retention — estratégias de retenção potencializadas por IA

As tendências que Messina deixou no ar

A oficina terminou com provocações que soam radicais — mas que, vindas de quem está no epicentro do movimento, merecem atenção:

  • Vibe Coder é um novo tipo de profissão. Não é dev, não é designer, não é PM. É uma mistura de tudo, com IA como copiloto.
  • Hackathons são o novo EAD. Aprender fazendo, em tempo real, com ferramentas reais.
  • Embaixadores são os novos afiliados. O modelo de distribuição está mudando.
  • Websites tendem a desaparecer. A interface do futuro é outra.
  • Empresas vão construir mais do que contratar SaaS. Por que pagar por um software genérico se você pode criar o seu em horas?
  • Estamos numa bolha de vibe coding — mas a oportunidade é gigante. A bolha é real, mas o valor subjacente também é.

O recado final

A oficina de Alexandre Messina no AI Festival 2026 não foi sobre entusiasmo vazio com a tecnologia. Foi sobre método, ferramentas e uma tese clara: quem souber pedir para a IA construir, não precisa mais esperar por ninguém para empreender.

A barreira de entrada para criar um produto digital caiu para praticamente zero. A pergunta que sobra é: você vai construir o quê?

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