O armazenamento deixou de ser commoditie de consumo e virou motor essencial da revolução da IA — e a SanDisk capitalizou essa transição em grande estilo.
SanDisk: valorização de 1000%
, redator(a) da StartSe
7 min
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27 jan 2026
•
Atualizado: 27 jan 2026
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A história recente da SanDisk é uma das reviravoltas mais interessantes do mercado tecnológico dos últimos anos: uma empresa tradicionalmente conhecida por pen drives e cartões de memória tornou-se uma das protagonistas da infraestrutura que alimenta a inteligência artificial.
Essa transformação não aconteceu por acaso — ela é reflexo de uma mudança estrutural profunda no que impulsiona valor na economia digital em 2025–2026.
A inteligência artificial exige algo que vai muito além da capacidade de processamento bruto: ela precisa de armazenamento de dados rápido, robusto e de alta capacidade. Treinar e implementar modelos de IA — especialmente aqueles de grande escala — significa mover, acessar e reter vastos volumes de dados constantemente.
Esse movimento criou uma demanda sem precedentes por memória flash avançada e unidades de estado sólido (SSDs) com alto desempenho, especialmente no segmento de data centers e aplicações corporativas, onde a latência e a velocidade de leitura/escrita podem definir a diferença entre um sistema competitivo ou lento.
Em fevereiro de 2025, a SanDisk foi desmembrada da Western Digital e voltou a operar como uma empresa independente focada exclusivamente em tecnologia de memória flash e armazenamento SSD — justamente quando o ciclo de armazenamento centrado em IA começava a ganhar tração.
Esse reposicionamento permitiu que a empresa deixasse para trás a inércia de um portfólio mais amplo (incluindo discos rígidos) e se concentrasse naquilo que a IA mais precisava: tecnologia de ponta em memória NAND flash e soluções especializadas de armazenamento para workloads de IA.
O mercado respondeu rápido. À medida que data centers, provedores em nuvem e empresas de tecnologia expandiam suas operações de IA, a SanDisk viu suas ações dispararem, chegando a registrar uma valorização superior a 500% desde o spin-off e inclusive se tornando uma das empresas de melhor desempenho no S&P 500.
Analistas chegaram a dobrar o preço-alvo das ações devido ao forte crescimento da demanda ligada à IA e ao aumento nos preços de memória NAND em função da escassez e preferência por tecnologia de alta performance.
Não se trata apenas de vender mais chips. A SanDisk tem focado em tecnologias como High Bandwidth Flash (HBF) — um tipo de memória que combina alta capacidade com desempenho otimizado para cargas de trabalho de IA — e parcerias com outros gigantes para padronizar esses avanços.
Esse tipo de inovação responde a uma tendência maior do setor: conforme os modelos de IA crescem em tamanho e complexidade, a arquitetura tradicional de memória (como DRAM) se torna um gargalo. Soluções como HBF e flash de alta densidade reduzem essa barreira, oferecendo maior capacidade com consumo de energia mais eficiente, algo crítico para aplicações de inferência e treinamento de modelos.
Globalmente, a corrida por dominar a infraestrutura de IA — desde chips até armazenamento e redes — já virou tema estratégico entre maiores players de tecnologia, governos e investidores. A SanDisk entrou no centro dessa narrativa, em um segmento em que marcas como Samsung, SK hynix e Micron também competem ferozmente.
Ao ocupar esse espaço, a SanDisk se beneficia não apenas de uma demanda crescente, mas também de um deslocamento estrutural da indústria de tecnologia: os sistemas de IA modernos dependem tanto de armazenamento quanto de poder computacional. Em outras palavras, se a IA é o motor do futuro digital, o armazenamento rápido e eficiente é o combustível que mantém esse motor funcionando.
A transformação da SanDisk não foi um acaso; foi o resultado de uma antecipação estratégica do que o mercado de IA demandaria — junto com uma reestruturação corporativa que permitiu foco, velocidade e inovação. A empresa entendeu que, no ciclo de dados e inteligência artificial, o valor não está mais nas memórias persistentes do passado, mas em soluções de armazenamento ágeis e capazes de acompanhar a velocidade da IA.
Essa história entrega um insight mais amplo para gestores e líderes: transformações tecnológicas profundas não recompensam empresas que insistem no legado — elas favorecem aquelas que alinham produto, estratégia e timing ao ritmo da mudança estrutural.
A SanDisk fez exatamente isso, transformando um legado de consumo em um protagonismo estratégico no coração da era da IA.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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