Moody’s (com base em dados do FMI) coloca o Brasil no grupo de emergentes com ganhos potenciais de 0,4% a 1,4% ao ano com GenAI.
IA vai ou não impactar na eficiência dos negócios do país?
, redator(a) da StartSe
7 min
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25 fev 2026
•
Atualizado: 25 fev 2026
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Um relatório recente da Moody's aponta que o Brasil pode elevar produtividade anual entre 0,4% e 1,4% com IA — enquanto economias avançadas tenderiam a capturar mais: 1,2% a 2,9% ao ano, por conta de estrutura ocupacional e maior prontidão para adoção.
Há um detalhe que conselhos e CEOs deveriam sublinhar: a simulação mostra que reduzir o “tempo de materialização” dos ganhos (ex.: de 10 para 6 anos) adiciona cerca de 20 bps ao crescimento anual.
Isso é governança de execução, não hype tecnológico.
O FMI mede a AI Preparedness Index (AIPI) com quatro pilares: infraestrutura digital, capital humano/mercado de trabalho, inovação/integração e regulação/ética.
A fotografia por grupos é dura:
Economias avançadas: 0,68
Emergentes: 0,46
Baixa renda: 0,32
Ou seja: o Brasil disputa o jogo onde o “motor” existe, mas o chassi ainda é frágil. E isso define o ritmo do ganho de produtividade.
Nos países líderes, a IA já deixou de ser experimento:
Em Coreia, Dinamarca e Suécia, a adoção de IA por empresas supera 25%, em múltiplos setores e portes.
Em hubs específicos, taxas passam de 30%.
E o dado mais relevante para “como avançar”: a OECD mostra que empresas usuárias de IA tendem a ser mais produtivas, especialmente as maiores (efeito escala + dados + processos).
Tradução StartSe: produtividade não vem de “ter IA”. Vem de difusão + processo + governança + dados.
O BIS (Banco de Compensações Internacionais) aponta que, no curto prazo, o impacto de GenAI no crescimento tende a ser maior em economias avançadas do que em emergentes, por diferenças de estrutura setorial e prontidão.
Isso conversa diretamente com a tese da Moody’s/Exame: não é só exposição ocupacional — é capacidade de absorção.
A própria matéria deixa a pista: velocidade de adoção + ambiente de políticas públicas serão determinantes.
Na prática, isso vira um checklist em 3 frentes (empresa + ecossistema + Estado).
A pergunta certa para diretoria:
Quantas horas por semana a IA devolveu por função crítica?
Em quais fluxos isso virou ciclo mais curto, menos erro, mais receita?
Sem isso, IA vira custo e narrativa.
O relatório destaca que, na maioria das economias, os ganhos vêm predominantemente de automação, e o efeito líquido depende da reintegração da mão de obra e criação de novas tarefas.
Playbook (90 dias):
A OECD é clara ao tratar difusão como tema de política e competitividade: IA permanece concentrada, e acelerar difusão passa por acesso a insumos como dados e capacidades.
Checklist de governança (para conselho cobrar):
Dono de dado por domínio (cliente, produto, operação)
Padrão de qualidade de dado (mínimo aceitável)
Política de uso (privacidade, risco, compliance)
Critério de ROI por caso de uso (antes/depois)
O paradoxo: uso individual pode explodir antes da adoção corporativa madura. A OECD aponta que mais de 1/3 das pessoas nos países OECD usaram GenAI em 2025, mas difusão empresarial ainda é desigual.
Tradução: você pode ter colaboradores usando IA todo dia e, ainda assim, não ter produtividade macro — porque falta processo, integração, métricas e governança.
O Brasil está no “range” de ganhos. O que decide se isso vira 0,4% ou 1,4% ao ano é:
quão rápido a empresa transforma IA em rotina operacional (e não em projeto).
A pergunta para o board não é “temos IA?”.
É: quanto tempo vamos levar para transformar IA em produtividade mensurável — 6 anos ou 10?
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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