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Board em ação: como conselheiros influenciam decisões críticas em crises de liderança

A substituição do CEO da DP World mostra que decisões de governança não são técnicas, mas estratégicas, e por isso conselhos preparados fazem toda a diferença

Board em ação: como conselheiros influenciam decisões críticas em crises de liderança

De acordo com a Bloomberg, os documentos mostram que bin Sulayem (foto) manteve correspondência com Epstein por mais de uma década após o financista ser preso pela primeira vez em 2008

Bruno Lois

, redator(a) da StartSe

8 min

13 fev 2026

Atualizado: 13 fev 2026

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Quando uma das maiores operadoras portuárias globais anuncia mudança abrupta na liderança executiva, há mais em jogo do que uma simples troca de nomes no organograma. 

A DP World, multinacional com presença em mais de 80 países e responsável por um décimo do comércio global de contêineres, substituiu seu presidente e CEO após a divulgação de documentos que ligaram seu antigo líder a um escândalo internacional: os arquivos Epstein.

Essa reviravolta ilustra não apenas uma crise de imagem corporativa — mas, sobretudo, a importância do papel do conselho de administração na gestão de riscos, reputação e continuidade do negócio em momentos críticos.

Quando a governança encontra a crise

Até fevereiro de 2026, Sultan Ahmed bin Sulayem ocupava os cargos de chairman e CEO da DP World, uma figura central na transformação da empresa em uma gigante logística global.

No entanto, após a divulgação de e-mails nos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein — que revelaram uma relação pessoal com o executivo — grandes investidores, como o fundo britânico British International Investment e o canadense La Caisse, anunciaram a suspensão de novos aportes na companhia.

Diante da pressão internacional sobre reputação, governança e risco de mercado, o conselho de administração da DP World tomou uma decisão drástica:

Essa Kazim foi nomeado presidente do conselho;

Yuvraj Narayan, até então CFO e executivo de longa data, assumiu como Group CEO.

Essas mudanças não ocorreram em um vácuo. Foram decisões deliberadas de governança corporativa, orientadas por critérios que envolvem reputação, sustentabilidade do negócio e confiança dos investidores.

Governança que protege valor

O episódio da DP World expõe um ponto central para qualquer board: a governança não é apenas um conjunto de regras formais — é um mecanismo de proteção de valor da empresa em cenários de alta complexidade.

Conselheiros eficazes precisam ser capazes de:

🔹 Avaliar riscos reputacionais que ultrapassam a própria performance financeira
A ligação do ex-CEO com figuras controversas não diretamente ligada ao negócio trouxe risco material à confiança dos parceiros e investidores.

🔹 Responder rapidamente em crise
A substituição imediata de liderança foi uma medida que buscou reconquistar confiança de stakeholders e garantir continuidade operacional.

🔹 Reequilibrar poder e estratégia
A escolha de novos líderes com histórico financeiro e estratégico sólido evidencia o papel do conselho em realinhar a empresa a prioridades de longo prazo.

O conselho como centro nervoso estratégico

Em empresas globais, decisões desse porte não são administrativas — são estratégicas. Elas exigem:

  • Capacidade de julgamento além de dados financeiros;
  • Compreensão profunda de reputação e risco ético;
  • Visão integrada de mercado, cultura e sustentabilidade;
  • Decisão com rapidez e legitimidade junto aos diversos públicos.

Nenhuma dessas habilidades está garantida apenas pela experiência executiva. Elas decorrem de preparo, repertório e capacidade de pensar sob ambiguidade — exatamente o que se espera de um conselheiro bem formado.

Conselhos preparados tomam decisões difíceis

O caso DP World nos lembra que:

✔ Conselhos não são comitês formais de assinatura.
✔ São instâncias de decisão crítica.
✔ Sua qualidade pode determinar o futuro da organização.

A crise de liderança desencadeada por questões reputacionais exigiu do board não apenas aplicação de regras, mas interpretação estratégica de princípios, contexto e mercado.

E isso exige mais do que formação técnica.

Por que isso é tema de Board

Decisões como substituir um líder que comandou a empresa por quase duas décadas — e fazer isso em meio a uma forte pressão de investidores internacionais — demonstram que a governança corporativa está no cerne da sustentabilidade empresarial.

Elas exigem:

🧠 Preparação para cenários complexos, não redutíveis a métricas tradicionais
🎯 Capacidade de posicionamento estratégico diante de stakeholders divergentes
🛡 Visão de longo prazo mesmo sob choque de curto prazo
🔗 Maturidade para conectar reputação, risco e valor corporativo

Em outras palavras: conselheiros não são supervisores — são estrategistas que precisam estar prontos para responder a situações que ultrapassam fronteiras organizacionais e envolvem reputação global.

O que líderes e executivos devem aprender

O episódio da DP World é uma aula prática de governança:

Riscos reputacionais podem se transformar em riscos de capital
Boards devem ser proativos, não reativos
É preciso repertório para interpretar crises que combinam fatores éticos, de mercado e de imagem
Decisões de conselho têm impacto econômico e institucional de longo prazo

A nomeação de um novo CEO e presidente do conselho na DP World — impulsionada por um escândalo que transcende questões operacionais é uma lição sobre o papel central do conselho na preservação do valor, na gestão de riscos e na sustentabilidade do negócio em contextos complexos.

Empresas que desejam navegar os desafios do século XXI não podem tratar a governança como um adereço. Ela é o centro da arquitetura de decisão — e exige conselheiros com preparo, bagagem e visão estratégica.

Decidir nesse nível não é técnica. É estratégia.
E estratégia se aprende antes da crise, não durante ela.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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