Pesquisa da Workera mostra que a oferta de treinamento em IA foi de 25% para 58% das empresas. Mas 56% dos funcionários dizem ter zero horas de trabalho reservadas para isso.
Aprender novas habilidades exige mais do que acesso a cursos: exige espaço na rotina.
, Redator
7 min
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2 out 2026
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Atualizado: 2 out 2026
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As empresas fizeram a parte fácil. Compraram as plataformas, montaram as trilhas e distribuíram os acessos. Esqueceram de um detalhe: o tempo para alguém usar tudo isso.
O 2026 Skills Intelligence Report, da Workera, ouviu mil funcionários de empresas americanas com mais de 5 mil colaboradores em julho de 2026. O dado central: a parcela de empresas que oferecem treinamento específico em IA saltou de 25% para 58%. Ao mesmo tempo, 56% dos funcionários dizem não ter nenhuma hora de trabalho reservada para desenvolver essas habilidades.
Não é falta de investimento, é falta de espaço na agenda. E essa diferença explica boa parte dos programas de capacitação que existem no papel e não mudam nada na prática.
Estão, e mais do que nunca. Segundo a Workera, 80% das empresas dizem estar prontas para a IA, contra 67% no ano anterior. A oferta de treinamento mais que dobrou.
Mas os números do lado do funcionário contam outra história. Mais de 84% dedicam cinco horas ou menos por semana a treinamento. Quase 60% dizem que habilidades em IA não pesam nas decisões de promoção. Apenas 27% recebem coaching regular do gestor, e 22% não recebem nenhum, embora metade gostaria de receber mais apoio.
O diagnóstico do relatório é direto: as organizações tratam o desenvolvimento profissional como um "comportamento extra", algo que se faz além do trabalho, e não como parte dele. Quando a agenda aperta, é a primeira coisa a desaparecer.
Porque aprender IA não é como fazer um curso de compliance. É uma habilidade que se desenvolve na prática, testando a ferramenta em tarefas reais, errando, ajustando e comparando resultados. Isso exige tempo contínuo, e não uma trilha de vídeos para assistir no fim de semana.
Há também um problema de incentivo. Se as habilidades em IA não contam para a promoção e o gestor não acompanha o desenvolvimento, a mensagem implícita é que aprender é opcional. E, em uma rotina sobrecarregada, o que é opcional não acontece.
A pesquisa traz ainda um dado sobre como os funcionários enxergam a própria posição: 76,6% acreditam ter desempenho superior ao da IA nas suas funções, e 78,1% estimam que a IA poderia fazer 30% ou menos do seu trabalho. Essa confiança pode ser saudável. Mas também pode reduzir a urgência de aprender.
É enorme, e tem prazo. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das competências essenciais dos trabalhadores vão mudar até 2030. Se a força de trabalho global fosse de 100 pessoas, 59 precisariam de treinamento até lá, e 11 provavelmente não receberiam.
Esses números ajudam a dimensionar o problema. Não se trata de ensinar uma ferramenta nova a um grupo de entusiastas. Trata-se de requalificar mais da metade da força de trabalho em poucos anos, enquanto ela continua entregando tudo o que já entregava.
Tempo protegido, gestores envolvidos e conexão com a carreira. As empresas que avançam de verdade tratam o aprendizado como parte do trabalho: reservam horas na agenda, definem projetos reais em que a IA precisa ser aplicada e cobram resultados, não certificados.
O gestor é peça-chave. É ele quem transforma um curso em mudança de rotina, perguntando como a equipe está usando o que aprendeu, removendo tarefas para abrir espaço e reconhecendo quem encontra aplicações úteis. Sem esse elo, o treinamento fica isolado da operação.
Por fim, a capacitação precisa aparecer nas decisões que importam para as pessoas: avaliação, promoção, novos projetos. Quando a empresa diz que a IA é estratégica, mas não valoriza quem se desenvolve nela, o discurso perde credibilidade.
Porque ninguém protege o tempo de aprendizado da equipe se a liderança não protege o próprio. Executivos que não usam IA no dia a dia têm dificuldade de avaliar o que ela realmente muda, de definir prioridades e de liderar pelo exemplo.
A pesquisa da Workera aponta que 41% dos funcionários aceitariam ter as habilidades medidas continuamente, desde que controlassem os próprios dados. Existe disposição. O que falta, na maioria das empresas, é uma liderança que transforme essa disposição em estrutura.
Comprar plataformas de capacitação é a parte fácil. O difícil é criar uma cultura em que aprender IA faça parte do trabalho, com tempo reservado, gestores preparados e líderes que dão o exemplo. É essa transformação, que começa pela capacitação das próprias lideranças em IA, que o AI Journey da StartSe conduz, para que o investimento em treinamento vire, de fato, competência.
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