Ao ampliar a produção na Índia, a Apple mostra como empresas globais precisam dominar a arte de produzir onde há mais vantagem competitiva, mesmo que isso signifique redesenhar cadeias produtivas inteiras.
iPhone azul (Foto: Unsplash)
, redator(a) da StartSe
6 min
•
10 mar 2026
•
Atualizado: 10 mar 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
Durante mais de uma década, a história da Apple e a história da China foram praticamente inseparáveis.
E apesar da maioria dos iPhones do mundo ainda sair de lá, esse cenário está mudando aos poucos.
Hoje, cerca de 25% de todos os iPhones já são montados na Índia, um salto significativo de 53% em quantidade, em relação ao ano passado.
E essa mudança revela muito mais do que uma decisão industrial.
Ela revela uma decisão estratégica.
Em 2025, a Apple produziu aproximadamente 55 milhões de iPhones na Índia, contra cerca de 36 milhões no ano anterior — um crescimento de mais de 50%.
A empresa produz cerca de 220 a 230 milhões de iPhones por ano, o que significa que a Índia já representa um quarto da produção global.
Esse crescimento acelerado aconteceu por três fatores principais:
1. Geopolítica
Tensões comerciais entre Estados Unidos e China aumentaram o risco de depender de um único país para produção.
2. Incentivos governamentais
A Índia criou programas industriais que subsidiam grandes fabricantes de tecnologia.
3. Estratégia de diversificação
Empresas globais passaram a adotar o chamado modelo “China + 1”, distribuindo produção em mais de um país para reduzir risco operacional.
O resultado é que a cadeia de suprimentos mais sofisticada do planeta começou a se mover.
O iPhone é provavelmente o produto de consumo mais complexo já fabricado em escala global.
Ele depende de uma cadeia gigantesca que envolve:
Mover parte dessa operação não é trivial.
Mas empresas como a Apple fazem isso porque entendem algo fundamental sobre competitividade global: vantagem competitiva também é geográfica.
Produzir no lugar certo pode significar: reduzir tarifas, acessar incentivos fiscais, diminuir riscos políticos, aproximar-se de mercados consumidores, aumentar resiliência da cadeia produtiva.
Em outras palavras: a fábrica também faz parte da estratégia.
Há um conceito muito discutido em estratégia chamado ambidestria organizacional.
É a capacidade de uma empresa fazer duas coisas ao mesmo tempo:
A Apple está fazendo exatamente isso.
Ela não está abandonando a China, que continua sendo o maior polo industrial da empresa.
Mas ao mesmo tempo está criando um segundo eixo de produção global na Índia.
Isso garante algo crucial para empresas de escala global: opcionalidade.
Se o cenário geopolítico muda, a empresa consegue reagir.
Se tarifas aumentam, ela ajusta a produção.
Se um mercado cresce mais rápido, ela reposiciona a operação.
Poucas organizações no mundo conseguem fazer isso com tanta velocidade.
A lição aqui não é sobre smartphones. É sobre mentalidade estratégica.
Empresas vencedoras não ficam presas a estruturas que funcionaram no passado.
Elas redesenham suas operações constantemente para capturar novas vantagens competitivas.
Isso exige três coisas:
1- visão global
2- capacidade de adaptação
3- coragem para mudar estruturas complexas
E é justamente esse tipo de dilema que líderes enfrentam todos os dias.
Se a Apple pode redesenhar uma cadeia produtiva global com centenas de fornecedores, a pergunta que fica para qualquer líder é: o quanto sua empresa está preparada para se reorganizar quando o mundo muda?
Essa reflexão está no centro do Executive Program.
A imersão reúne executivos, gestores e líderes empresariais para discutir exatamente esse tipo de desafio: como navegar mudanças tecnológicas, geopolíticas e de mercado que estão redesenhando setores inteiros.
Mais do que conteúdo, o programa oferece algo que muitas lideranças procuram: repertório para tomar decisões melhores em um mundo que muda rápido demais.
Porque, no fim das contas, a história da Apple mostra uma verdade simples:
No mercado global, vantagem competitiva não é apenas o que você faz.
É onde e como você decide fazer.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!