Com novas ferramentas de inteligência artificial, a empresa quer reduzir custos, acelerar processos e redefinir o equilíbrio entre criatividade humana e eficiência tecnológica
Hollywood e IA: surge um novo capítulo do audiovisual?
, redator(a) da StartSe
6 min
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4 fev 2026
•
Atualizado: 4 fev 2026
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A Amazon está prestes a dar um passo decisivo na transformação da indústria audiovisual. A partir de março, o Amazon MGM Studios lançará, em beta fechado, um conjunto de ferramentas de inteligência artificial voltadas à produção de filmes e séries. O objetivo é claro: reduzir custos, acelerar processos e tornar viável aquilo que hoje é caro, lento e arriscado demais para a maioria dos estúdios.
O movimento acontece em um momento sensível para Hollywood. Ao mesmo tempo em que a IA se mostra poderosa para otimizar produção, ela também acende alertas sobre substituição de empregos, perda de controle criativo e diluição da autoria artística. A Amazon sabe disso — e está tentando se posicionar no meio do caminho entre eficiência industrial e respeito ao processo criativo.
O projeto, chamado internamente de AI Studio, funciona como uma startup dentro da Amazon, seguindo a famosa filosofia da “equipe de duas pizzas” de Jeff Bezos. Liderado por Albert Cheng, executivo veterano do setor, o time reúne engenheiros, cientistas de dados e um núcleo menor de profissionais criativos.
A ambição não é criar filmes automaticamente, mas resolver o que Cheng chama de “a última milha” da produção: consistência de personagens entre cenas, integração com softwares criativos padrão da indústria e maior controle fino para diretores. Em outras palavras, usar IA para fazer melhor aquilo que hoje consome tempo, dinheiro e energia — sem substituir a visão humana.
O pano de fundo dessa iniciativa é econômico. Produzir conteúdo audiovisual ficou caro demais. Isso limita experimentação, reduz diversidade criativa e concentra apostas em fórmulas já testadas. Ao diminuir o custo marginal de produção, a Amazon aposta que a IA pode liberar espaço para mais risco criativo — não menos.
O exemplo já está em casa. Na série bíblica House of David, a combinação de filmagens reais com cenas geradas por IA permitiu multiplicar o volume de tomadas digitais de forma exponencial. A Netflix segue caminho semelhante, como revelou Ted Sarandos ao comentar o uso de IA em The Eternaut, onde uma cena complexa foi criada dez vezes mais rápido do que pelos métodos tradicionais.
Apesar do discurso conciliador, a tensão é real. Atrizes, diretores e sindicatos veem a tecnologia com desconfiança — especialmente após demissões em massa no setor, muitas delas justificadas por ganhos de eficiência com IA. A própria Amazon cortou cerca de 30 mil empregos corporativos desde 2023, incluindo áreas do Prime Video.
O temor não é apenas perder vagas, mas perder a essência do que torna uma obra cultural relevante: a conexão humana. Quando uma atriz gerada por IA substitui uma pessoa real, o debate deixa de ser técnico e passa a ser ético, cultural e político.
Mais do que ferramentas de produção, a Amazon está testando um novo modelo de indústria criativa. Um modelo onde IA vira infraestrutura — como câmeras digitais um dia foram — e não protagonista. Quem conseguir usar essa tecnologia como alavanca, sem transformar criatividade em commodity, terá vantagem competitiva.
O recado é claro: a IA não está chegando a Hollywood para pedir permissão. Ela já está sendo usada. A questão agora não é se a indústria vai adotar essas ferramentas, mas quem vai definir as regras do jogo — e em que termos humanos, criativos e econômicos isso vai acontecer.
A Amazon acaba de entrar nesse tabuleiro com força total. E, goste-se ou não, isso tende a acelerar uma mudança que já estava em curso.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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