Gigante do Google quebra padrões do mercado de dívida corporativa — e redefine como as big techs levantam capital para competir no futuro da inteligência artificial
Alphabet está buscando capitalização: custear o futuro com IA custa caro.
, redator(a) da StartSe
5 min
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10 fev 2026
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Atualizado: 10 fev 2026
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A Alphabet, holding controladora do Google, está prestes a protagonizar um dos movimentos mais ousados do mercado financeiro global: lançar um título de dívida com vencimento em 100 anos — algo raríssimo para uma empresa de tecnologia desde o final dos anos 1990.
No início de fevereiro de 2026, a Alphabet já havia captado US$ 20 bilhões em títulos nos Estados Unidos — montante acima do planejado inicialmente devido à forte demanda dos investidores. Além disso, a empresa planeja emissões inéditas em libras esterlinas e francos suíços, incluindo esse título centenário.
Título centenário é um termo que chama atenção: trata-se de uma dívida com vencimento em um século, o que é incomum no mundo corporativo, onde aquisições, mudanças de modelo de negócio e obsolescência tecnológica tornam dívidas tão longas raríssimas. Tradicionalmente, esse tipo de instrumento é mais comum entre governos e instituições como universidades.
Esse movimento não é apenas uma jogada financeira criativa — ele reflete algo muito maior: a intensificação da corrida pela inteligência artificial. A Alphabet anunciou planos de investir até US$ 185 bilhões em 2026 em capital voltado para IA, quase o dobro do que gastou no ano anterior. Dados de mercado mostram que as grandes empresas de tecnologia podem captar mais de US$ 400 bilhões em títulos corporativos ao longo deste ano para financiar essa corrida competitiva.
Ao diversificar suas emissões em diferentes moedas e prazos tão longos, a Alphabet busca alcançar uma base ainda mais ampla de investidores — incluindo fundos de pensão e seguradoras, que tradicionalmente alocam recursos em ativos de prazo extenso.
Títulos de 100 anos carregam tanto possibilidades quanto riscos singulares. Mesmo que investidores tenham demonstrado entusiasmo inicial — com pedidos que superaram em muito a oferta — instrumentos com maturidade extrema estão sujeitos a incertezas econômicas, mudanças de ambiente regulatório e transformações tecnológicas ao longo de décadas.
Além disso, a emissão massiva de dívida por grandes instituições de tecnologia faz parte de um movimento mais amplo, que já inclui outras gigantes como Meta, Microsoft e Amazon, todas elevando seus gastos com IA e infraestrutura.
Seja como um experimento financeiro ou uma resposta à necessidade imperativa de capital, o título de 100 anos da Alphabet tem um significado simbólico e prático. Ele sinaliza aos mercados que as grandes plataformas tecnológicas estão prontas para comprometer recursos gigantescos — e por períodos extremamente longos — para dominar a próxima onda da economia digital: a inteligência artificial.
Nesse contexto, investidores que apostam no futuro da tecnologia estão dispostos a financiar horizontes que ultrapassam gerações — uma abordagem que, se bem-sucedida, pode moldar como as corporações pensam sobre financiamento de inovação nas próximas décadas.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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