Parece um número impensável de se recusar, mas é papel de conselheiro dizer não quando precisa. Leia e entenda a negativa.
Conselho da eBay e a resposta que fechou as portas para 56 bi de dólares
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6 min
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12 mai 2026
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Atualizado: 12 mai 2026
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Em 3 de maio de 2026, Ryan Cohen — CEO da GameStop, a rede de lojas de videogame que ele transformou em símbolo da era das meme stocks — enviou uma proposta não solicitada para comprar o eBay por US$ 125 por ação, numa combinação de dinheiro e ações que totalizava cerca de US$ 55,5 bilhões.
A lógica, ao menos no papel, tinha uma certa audácia estratégica: unir o eBay, marketplace global com décadas de história, à rede física da GameStop, que serviria como ponto de entrega e retirada de produtos. Cohen chegou a propor transmissões de vendas ao vivo feitas dentro das lojas da GameStop, exibindo produtos do eBay. A visão era criar um rival capaz de enfrentar a Amazon num terreno que ela ainda não domina completamente: o mercado de segunda mão e itens de coleção.
O problema foi a matemática.
A GameStop tinha valor de mercado de cerca de US$ 11 bilhões antes do anúncio, e embora Cohen tenha apresentado uma carta de financiamento de US$ 20 bilhões do TD Bank, o gap entre os recursos disponíveis e o tamanho da oferta era substancial.
Ou seja: uma empresa de US$ 11 bilhões tentando comprar uma de US$ 56 bilhões, com financiamento incompleto e sem um plano claro de como fechar a diferença.
Wall Street não levou a sério. Investidores e analistas expressaram ceticismo imediato sobre como a GameStop planejaria financiar uma transação várias vezes maior que seu próprio valor de mercado.
O eBay confirmou o recebimento da proposta e disse que seu conselho a analisaria.
Nove dias depois, na terça-feira 12 de maio, veio a resposta.
Direta, fria, e em menos de 300 palavras.
A carta, traduzida na íntegra:
Prezado Sr. Cohen,
O Conselho, com o apoio de seus assessores independentes, analisou detalhadamente sua proposta e decidiu rejeitá-la.
Concluímos que sua proposta não é crível nem atraente. Levamos em consideração fatores como: 1) as perspectivas independentes do eBay; 2) a incerteza em relação à sua proposta de financiamento; 3) o impacto de sua proposta sobre o crescimento e a rentabilidade de longo prazo do eBay; 4) a alavancagem, os riscos operacionais e a estrutura de liderança de uma entidade combinada; 5) as implicações desses fatores sobre a valuation; e 6) a governança e os incentivos executivos da GameStop.
O eBay é um negócio sólido e resiliente que tem entregado resultados expressivos ao longo dos últimos anos. Aprimoramos nosso foco estratégico, fortalecemos a execução, melhoramos a experiência do marketplace e dos vendedores, e devolvemos capital aos acionistas de forma consistente. Com seu marketplace global diferenciado e uma estratégia clara, o Conselho do eBay está confiante de que a empresa, sob sua atual liderança, está bem-posicionada para continuar gerando crescimento sustentável, executando com disciplina e entregando valor de longo prazo aos nossos acionistas.
Nossa equipe segue focada em executar nossa estratégia e avançar nosso negócio da melhor forma possível para a empresa, nossos acionistas, nossos colaboradores e os milhões de compradores e vendedores ao redor do mundo.
Atenciosamente, Paul S. Pressler Presidente do Conselho de Administração, eBay
Nove dias de análise. Três parágrafos. O caso estava encerrado.
O que isso prova? Primeiro de tudo, que um conselho bem estruturado não precisa “enrolar”. Não precisa convocar várias assembleias até chegar a um veredito. E atualmente, com as variadas possibilidades tecnológicas de conexão, um conselho nem mesmo precisa de encontros presenciais para deliberar assuntos de máxima urgência.
Mesmo quando o número parece tentador ou irrecusável, um conselho precisa analisar de forma estratégica e isenta o impacto no negócio.
Pontos como este e outros casos de mercado são estudados com profundidade no Board Program, da StartSe: a formação de conselheiros 100% conectada ao mercado, com situações, dilemas e problemas que conselhos enfrentam todos os dias. Conheça e participe da próxima turma.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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