Pesquisa da McKinsey com mais de 10 mil executivos em 15 países mostra o tamanho do abismo entre falar de IA e liderar de fato a transformação que ela exige.
Inteligência Artificial (Foto: via Canva)
, Redator
6 min
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15 set 2026
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Atualizado: 15 set 2026
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Quase toda empresa hoje tem alguém falando de inteligência artificial em reunião de diretoria. Poucas têm alguém realmente liderando essa mudança com estratégia clara, prazo definido e responsável nomeado.
A McKinsey mediu essa distância. Em pesquisa global com 10.018 executivos seniores em 15 países, 86% dos líderes afirmam que suas organizações não estão preparadas para adotar IA nas operações do dia a dia. E, mais grave: apenas 14% das organizações têm líderes que consistentemente capitaneiam essa adoção com estratégia clara.
O mesmo levantamento encontrou que 88% das organizações já estão experimentando IA em algum grau. Só que 81% delas não relatam ganho significativo até agora. A conta não fecha por falta de ferramenta — fecha por falta de direção.
Testar tecnologia sem estratégia de liderança é como comprar um carro de corrida e não ensinar ninguém a dirigir: o investimento existe, o resultado não aparece, e a culpa acaba caindo sobre a tecnologia em vez de cair sobre a ausência de comando.
Um dado do mesmo estudo escancara essa desorganização: 1 em cada 6 organizações pesquisadas não tem sequer um responsável claro em nível de C-level para conduzir a adoção de IA. Sem dono, a iniciativa vira responsabilidade de todo mundo — e responsabilidade de todo mundo, na prática, é responsabilidade de ninguém.
Isso explica por que tanta empresa acumula piloto de IA sem produzir mudança real de resultado. O piloto nasce de baixo, sem patrocínio de cima, e morre no primeiro trimestre em que a atenção da liderança migra para outra prioridade.
A diferença entre liderar de verdade e apenas acompanhar aparece nos números de expectativa: entre os pioneiros em IA, 64% esperam impacto positivo nos próximos um a dois anos. Entre os que não são pioneiros, essa expectativa cai para 45%.
Não é otimismo gratuito. É reflexo direto de quem já testou, já ajustou processo, já formou time — e por isso confia no que vem a seguir. Confiança, nesse contexto, é dado de maturidade organizacional, não de personalidade do executivo.
As organizações onde a liderança realmente capitaneia a adoção de IA compartilham um traço: visão clara, comunicada e sustentada ao longo do tempo, não uma frase solta em apresentação anual. A própria pesquisa mostra que, quando essa visão existe, cerca de 90% dos líderes daquela organização adotam a IA ativamente — o oposto do cenário em que a tecnologia fica restrita a um departamento isolado.
Também aparece um segundo traço: 2 em cada 3 líderes reconhecem que a própria empresa é excessivamente complexa e ineficiente para se mover rápido. As organizações que lideram de fato a mudança são, em geral, as que primeiro atacaram essa complexidade interna — antes mesmo de discutir qual modelo de IA usar.
O erro mais comum é tratar IA como entrega de um projeto — com data de início, data de fim e um responsável técnico no meio do caminho. As empresas que aparecem nesse seleto grupo de 14% tratam o tema como decisão de gestão contínua: revisitada todo trimestre, com prioridade renovada, não arquivada depois do primeiro anúncio de sucesso.
Essa é a diferença entre "ter IA" e "ser liderado por quem sabe usar IA para decidir o que vem a seguir".
Essa é a pergunta que separa quem vai sair na frente de quem vai continuar testando piloto sem direção clara. É exatamente esse tipo de critério — visão, prioridade e governança para transformação com IA — que o AI FIRST ajuda lideranças a construir, antes que a concorrência construa primeiro.
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