Pesquisa da Robert Half com executivos brasileiros mostra dificuldade para identificar sucessores até 2035. A sucessão é responsabilidade do conselho, e o tempo está passando.
Empresas familiares: sucessão ainda é um assunto delicado e intocado por maioria.
, Redator
8 min
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19 out 2026
•
Atualizado: 19 out 2026
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Imagine que o CEO da sua empresa anuncie hoje que vai sair em seis meses. Quem assume?
Se a resposta demorou a vir, você não está sozinho. Segundo uma pesquisa da Robert Half citada pelo Diário do Comércio, 78% dos gestores brasileiros dizem ter dificuldade para identificar sucessores para cargos de liderança nas suas organizações até 2035.
A pesquisa ouviu 100 executivos brasileiros, entre conselheiros, alta liderança e média gestão. A amostra é pequena e a reportagem não informa a margem de erro, mas o resultado confirma uma percepção comum no mercado: as empresas brasileiras planejam pouco a próxima geração de líderes.
Porque a sucessão costuma ser tratada como evento, e não como processo. Na maioria das empresas, o tema só ganha urgência quando um líder anuncia a saída, adoece ou é desligado. Aí já é tarde para formar alguém. Resta escolher entre os disponíveis ou buscar fora.
Há outros fatores. Muitos líderes evitam o assunto porque falar em sucessão parece falar na própria saída. Equipes enxutas deixam pouco espaço para preparar substitutos. E o perfil de liderança está mudando tão rápido, com a IA redefinindo funções, que fica difícil saber que tipo de sucessor será necessário daqui a cinco ou dez anos.
“Sucessores internos fortes não são construídos no momento em que a vaga aparece”, resume Margot McShane, da consultoria Russell Reynolds, citada pela SHRM. Ela defende que as empresas troquem a lógica de sucessão como evento por um sistema contínuo de desenvolvimento de líderes.
De forma desigual. Os dados da Robert Half mostram diferenças entre empresas de capital aberto e fechado:
| Abordagem para sucessão | Capital aberto | Capital fechado |
|---|---|---|
| Combina talentos internos e externos | 56% | 50% |
| Só talentos internos | 36% | 30% |
| Só talentos externos | 2% | 16% |
Entre as ações planejadas, investir mais em desenvolvimento de liderança aparece para 52% das empresas abertas e 54% das fechadas. Mas só 40% das empresas abertas e 38% das fechadas pretendem criar uma estrutura formal de sucessão.
A diferença entre os dois números é reveladora. A maioria quer desenvolver líderes, mas menos da metade pretende organizar isso de forma estruturada.
As prioridades de treinamento apontadas na pesquisa dão uma pista. Nas empresas de capital aberto, 72% priorizam formação específica em IA, e 58% gestão de conflitos e crises. Nas fechadas, os números são 60% e 68%.
A combinação diz muito sobre o perfil esperado. O próximo líder vai precisar entender de tecnologia e, ao mesmo tempo, conduzir pessoas em momentos de tensão e incerteza. É um perfil mais completo, e mais raro, do que o exigido há uma década.
Isso reforça a importância de começar cedo. Ninguém desenvolve esse conjunto de competências em poucos meses.
Porque escolher, avaliar e, se necessário, substituir o CEO é uma das atribuições centrais de qualquer conselho de administração. E o conselho também deveria acompanhar se a empresa está preparando sucessores para as demais posições críticas.
Mesmo assim, o tema raramente recebe a atenção que merece. Na pesquisa Prioridades dos Conselhos de Administração 2026, da EY Brasil, só 27% dos conselheiros brasileiros citam o planejamento de sucessão dos principais executivos como preocupação. Num cenário em que 78% dos gestores não sabem quem vai sucedê-los, o número parece baixo.
O risco de negligenciar o tema é concreto. Uma saída inesperada sem sucessor preparado pode paralisar decisões, afetar o valor da empresa, abrir disputas internas e forçar escolhas apressadas.
Transformar a sucessão em pauta permanente, e não em discussão de emergência. Algumas práticas ajudam:
Nenhuma dessas medidas garante uma sucessão perfeita. Todas reduzem o risco de a empresa ser pega de surpresa.
A pergunta é simples, e a resposta diz muito sobre a maturidade da governança de uma empresa. Se o conselho não sabe responder, ou se a resposta depende de “ver quem está disponível”, a empresa está exposta a um risco que poderia ser evitado com planejamento.
A sucessão não é um evento a ser administrado quando acontece. É um processo que começa anos antes. Preparar conselheiros para conduzir esse processo com método, critério e visão de longo prazo é o que o Board Program da StartSe faz com quem tem a responsabilidade de garantir o futuro da liderança das empresas.
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