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4 unicórnios que fracassaram apesar do tamanho

Da ascensão à queda: esses 4 unicórnios falharam por diferentes motivos. Entenda como uma empresa avaliada em bilhões de dólares não é grande demais para falhar.

4 unicórnios que fracassaram apesar do tamanho

4-unicornios-fracassaram-apesar-do-tamanho (Foto: Pexels).

, Head de Conteúdo na Captable

12 min

29 set 2022

Atualizado: 11 jan 2023

Por Victor Marques, da Captable Brasil

No mundo das startups, ser unicórnio parece um prêmio – difícil de conquistar e a maioria dos empreendedores cria seu negócio sonhando com esse status. Recentemente, os unicórnios estão vivendo em apuros. Mas, não é novidade: ser unicórnio não torna um negócio imune a falhas.

Por muito tempo, no mundo dos negócios, o mantra ‘too big to fail’ foi levado a sério: a partir de um determinado tamanho, as startups ganhavam mais e mais confiança dos investidores – levando a um cenário de confiança cega, com outros players seguindo aqueles que já haviam aportado. 

E pior, gerando empreendedores confiantes demais em seus modelos de negócio – uma receita para o desastre. Conheça 4 startups que atingiram avaliação de mais de US$ 1 bilhão de dólares e falharam:

OS QUATRO UNICÓRNIOS QUE FALHARAM

 

1. Evernote

O que é a Evernote?

A Evernote é um app de anotações que nasceu para centralizar todas as informações da vida do usuário. A força, no princípio, estava em manter todas as anotações e documentos atualizados em todos os dispositivos dos usuários.

Fundada em 2004, a companhia se aproveitou do pioneirismo como vantagem para concorrer com futuros concorrentes – a Evernotenasceu no extremo princípio da onda dos smartphones, antes do nascimento do iPhone, em 2007.

sede-da-evernote-no-vale-do-silicio-localizacao-e-valuation-da-empresa-não-foram-suficientes-para-impedi-la-de-falhar (Foto: Evernote/Divulgação).

Que problemas a Evernote enfrentou?

Produto estagnado, perda de visão e modelo de negócio inadequado. A Evernote tentou criar um produto que atendesse todo mundo, sem focar em um tipo de usuário – isso levou a uma crise de identidade da marca e estagnou o produto. 

A perda de visão veio quando a pressão de investidores por crescimento fez a Evernote atirar para todos os lados e crescer na direção incorreta. Por fim, o modelo de negócio da empresa, freemium, atraiu milhões de usuários com a oferta gratuita, mas que não eram necessariamente engajados o suficiente para consumir as categorias pagas. 

Com o peso dos usuários gratuitos sem perspectiva de conversão em pagos, a conta não fechou e a empresa passou a desenvolver funcionalidades que atendiam aos usuários gratuitos, mas não agradavam a base pagante.

A razão para a falha da Evernote

A falha que permeia todas as outras foi a falta de foco: desde a aquisição dos usuários (qualquer um vale, freemium), passando pelo desenvolvimento de produtos de nicho e funcionalidades que não importavam e, por último, não definir um perfil de cliente ideal (ICP) e não encontrar um product-market-fit, ou seja, entender em que segmento do mercado o produto se encaixava – antes de escalar.

 

2. Zynga

O que é a Zynga?

A Zynga é um estúdio de games que alcançou relevância extrema no Facebook em 2010 com o jogo Farmville. Em seu pico, o jogo atraía mais de 83 milhões de usuários mensais e, por algum tempo, alcançou 35 milhões de usuários por dia.

a-zynga-conseguiu-terminar-vendida-depois-de-um-ipo-na-nasdaq. (Foto: Zynga/Divulgação).

Que problemas a Zynga enfrentou?

Para começar, a Zynga ficou dependente de apenas uma plataforma, em uma tecnologia que estava caminhando para seu fim. O jogo, popular no Facebook, era desenvolvido para Flash, tecnologia da Adobe que ficou obsoleta – especialmente após a Apple barrar o plugin de rodar em iPhones. 

Depois, a Zynga tentou replicar o sucesso do Farmville com vários títulos extremamente similares, como o Cityville. Por último, demorou a se adaptar para outras plataformas e caminhar na mesma direção que o mercado de jogos casuais se direcionava: os smartphones.

A razão para a falha da Zynga

Uma das maiores razões para o sucesso dos jogos da Zynga também foi a principal razão para sua falha: a dependência do Facebook.Ao mesmo tempo que serviu para colocar o jogo em uma plataforma que estava em evidência diária na vida dos usuários, caiu no esquecimento pelo mesmo motivo.

Embora o número de usuários do Facebook não tenha caído, menos pessoas passaram a ter o hábito diário de acessar a rede social – migrando para Instagram, Snapchat e TikTok – e as notificações constantes de jogos do Facebook passaram a ser opcionais: um golpe para um jogo que dependia da constante lembrança para que os usuários entrassem e realizassem ações em um tempo determinado.

O crescimento da App Store e Play Store também monopolizou a maior parte da atenção dos usuários em busca de jogos casuais. E a Zynga demorou a perceber e se adaptar à nova realidade. Embora ofereça seus jogos nas lojas de aplicativo, perdeu o timing da virada e caiu no esquecimento.

Depois do lançamento de vários jogos mobile e um IPO na Nasdaq, a Zynga foi adquirida pela Take-Two Interactive em janeiro de 2022 por US$ 12,7 bilhões. 

 

3. Powa Technologies

O que é a Powa Technologies?

A Powa Technologies foi um unicórnio inglês que prometia atrair os consumidores de volta para lojas físicas. Para isso, a empresa começou prometendo o desenvolvimento da PowaTag, uma etiqueta eletrônica, escaneável com smartphones, que permitiria que consumidores tivessem mais informações sobre um item e até mesmo comprá-lo e pagar diretamente pela etiqueta.

a-sede-da-powa-technologies-foi-um-dos-seus-maiores-erros. (Foto: Powa Technologies).

Que problemas a Powa Technologies enfrentou?

A Powa Technologies prometeu muito, chegou a afirmar que tinha contratos com 1200 negócios, mas não passavam de cartas de intenção. Para financiar o desenvolvimento da PowaTag, perdeu o foco e desenvolveu outros produtos para lojas – de estações de pagamento (caixas), até software para esses negócios.

Por último, a Powa Technologies decidiu buscar financiamento através de dívida e com termos que davam muito poder para a empresa que cedeu o crédito.

A razão para a falha da Powa Technologies

A falta de conhecimento na hora de buscar investimento foi o que levou a startup à ruína. Com o empréstimo, ficou sujeita a uma cobrança repentina do credor, o que aconteceu: de repente, o maior investidor da Powa Technologies, Wellington Management, cobrou 42 milhões de libras emprestadas para que fossem pagas até o final de 2013.

Segundo a startup, a Wellington Management não deu nenhum aviso aos empreendedores ou ao conselho administrativo, simplesmente cobraram a dívida. A startup então entrou em processo de falência, a Wellington conquistou parte do seu investimento de volta com a venda da tecnologia do PowaTag por 42 milhões de libras.

Curiosamente, a venda ocorreu para uma nova empresa de propriedade da própria Wellington e de outro investidor da Powa Technologies. Embora a falta de aviso sobre a cobrança da dívida seja o argumento do empreendedor para a falha do negócio, administradores da Deloitte divulgaram relatório que mostrava um negócio fora de controle, com contas desequilibradas.

Outro motivo eram os gastos desmedidos: a startup ocupava dois andares da Heron Tower, o maior arranha-céu de Londres na época – uma localização premium, incompatível com uma startup em seu princípio. Segundo o documento da Deloitte, somente o aluguel custou 6 milhões de libras em três anos.

 

4. Theranos

O que é a Theranos?

Talvez o caso mais clássico e conhecido de unicórnio que não deu certo, a Theranos foi de sucesso com investidores a caso de polícia. A startup, fundada em 2003 por Elizabeth Holmes, prometia uma máquina capaz de realizar mais de 200 exames laboratoriais com poucas gotas de sangue – até mesmo testes complexos, relacionados a câncer.

A tecnologia prometia entregar exames menos desconfortáveis, mais rápidos e mais baratos. A realidade: a tecnologia nunca existiu de fato.

a-tecnologia-da-theranos-nem-chegou-a-existir-e-levou-a-fundadora-a-condenacao. (Foto: Theranos/Divulgação).

Que problemas a Theranos enfrentou?

Os problemas começaram em 2015, depois de ter levantado mais de US$ 400 milhões, quando o The Wall Street Journal publicou uma reportagem investigativa que concluiu que apenas um pequeno número dos 240 testes prometidos era realizado com poucas gotas de sangue – a grande maioria era coletada no braço, em tubos de ensaio, da forma convencional.

A FDA, análoga à Anvisa brasileira, havia autorizado apenas um exame da Theranos a ser realizado com poucas gotas de sangue, um teste para herpes. Um dia depois da reportagem ir ao ar, a Theranos encerrou todos os outros tipos de exame, a não ser o aprovado – por pressão da FDA.

Todo o investimento que ocorreu na empresa foi baseado em reportagens pouco aprofundadas sobre a tecnologia, nenhuma pesquisa científica revisada por pares e anúncios de contratos multimilionários com grandes nomes da indústria farmacêutica americana, como a rede de farmácias Walgreens.

Holmes, fundadora da startup, chegou a ser chamada de próximo Steve Jobs ou Bill Gates da geração – sendo chamada de uma grande empreendedora. Um ex-funcionário contou ao Wall Street Journal que o equipamento da Theranos precisava de três frascos de sangue para realizar os exames prometidos e não de apenas algumas gotas de sangue.

Ainda, a Theranos realizava a maior parte dos exames com equipamentos convencionais, fabricados por outras empresas. Por fim, surgiram graves questionamentos sobre a precisão de alguns tipos de testes da Theranos, colocando em cheque os mais de 3,5 milhões de exames que a companhia alegava ter realizado.

Holmes ganhou muito dinheiro, mas foi diretamente envolvida em acusações de fraudes na empresa – chegando a ter sido acusada de ter orientado engenheiros a alterarem máquinas de testes para demonstrações.

O fim da história foi a queda brusca do valor de mercado da Theranos e sua posterior dissolução. Ações judiciais, denúncias e até mesmo acusações criminais levaram a empresa ao seu fim – a fundadora foi considerada culpada de quatro crimes: três acusações de fraude e uma de conspiração para fraudar investidores. 

Holmes foi considerada culpada em janeiro de 2022 e sentenciada a 20 anos de prisão e pagamento de multa de R$ 250 mil para cada crime cometido – mas, até hoje, continua em liberdade.

A razão para a falha da Theranos

A maior razão para a falha da Theranos foi prometer uma tecnologia inexistente – e provavelmente impossível, já que para realizar 200 exames de sangue seria necessária uma quantidade muito maior de sangue para interagir com reagentes – e, pior, fraudar investidores afirmando que a tecnologia já estava operante.

A lição que fica é que empresas que lidam com questões de saúde, especialmente de exames, enfrentam grande escrutínio regulatório e dependem de comprovação científica para serem consideradas tecnologicamente válidas. Em caso de promessas mirabolantes, vale abrir o olho e cuidar para não cair na armadilha de reputações construídas com base em ilusões, com pouca ou nenhuma comprovação.

 

POR QUE IMPORTA?

Observar os erros que levaram startups consolidadas ao fracasso é uma maneira de empreendedores evitarem de repetir os erros em seus próprios negócios. Se esses erros conseguiram derrubar negócios capitalizados e com valorizações astronômicas é fácil imaginar o que causariam em startups mais iniciais.

Além disso, para investidores de startups, é um guia para enxergar antes de depositar confiança – e dinheiro – em negócios que estejam dando sinais similares aos quatro unicórnios destacados.

Ainda, é uma lição para os que imaginam que negócios grandes não podem falhar. Podem e falham. Vale lembrar também que falhar não é uma comprovação de que não há possibilidade do mesmo empreendedor ter sucesso no futuroAdam Neumann, da WeWork que o diga –, inclusive, ter um negócio que falhou (dadas as devidas proporções) é visto positivamente por investidores de Venture Capital.

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Victor Marques é Head de Conteúdo na Captable, maior hub de investimentos em startups do Brasil, que conecta seus mais de 7000 investidores a empreendedores com negócios inovadores. Escreve há mais de dois anos sobre inovação. Formado em Letras e Mestre em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

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