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2026 não será sobre inovação. Será sobre decisões estratégicas que não podem mais ser adiadas

Durante anos, falar de inovação foi suficiente. Agora, não é mais.

2026 não será sobre inovação. Será sobre decisões estratégicas que não podem mais ser adiadas

2026 precisa ser um ano de decisões

, Colunista

9 min

15 jan 2026

Atualizado: 15 jan 2026

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Os sinais que vêm do mercado indicam que a inteligência artificial deixou de ser uma aposta futura e passou a ocupar o centro das decisões de negócio. Em 2024, mais de 550 empresas de tecnologia demitiram cerca de 153 mil pessoas. Apenas no primeiro semestre de 2025, outras 151 companhias do setor cortaram mais de 63 mil postos de trabalho. No Brasil, aproximadamente 40% das empresas já utilizam IA de forma sistemática.

Executivos sabem disso. E estão agindo.

Andy Jassy, CEO da Amazon, foi direto ao afirmar que, à medida que a IA generativa e os agentes avançam, menos pessoas serão necessárias para algumas das funções realizadas hoje. A Gartner reforça essa leitura ao estimar que até 50% das atividades atualmente realizadas por RH serão automatizadas, enquanto 100% do trabalho será ampliado por IA.

Reduzir esse movimento a uma transformação tecnológica, no entanto, é um erro estratégico.

O que está em curso não é apenas eficiência operacional. É uma redefinição silenciosa de valor, poder e relevância dentro das organizações.

A tecnologia acelera. As organizações sentem. As pessoas absorvem como podem.

Há um paradoxo que define 2026: a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade humana e organizacional de absorver a mudança, mas o mercado não desacelera para esperar esse processamento.

Empresas como McKinsey estão remodelando funções inteiras, expandindo áreas estratégicas enquanto eliminam tarefas automatizáveis. A AMD passou a contratar prioritariamente perfis considerados “AI-forward”. Entre 2022 e 2024, o percentual de indústrias brasileiras que utilizam inteligência artificial saltou de 16,9% para 41,9%, segundo o IBGE.

A pergunta deixou de ser se as empresas vão mudar. Passou a ser quando elas perceberão que já ficaram obsoletas.

O futuro do trabalho não é tecnológico. É humano e sob pressão.

A adoção da IA criou um novo contrato não escrito entre empresas e colaboradores. Ele não foi negociado, nem comunicado formalmente, mas já está em vigor:

Entregue mais. Aprenda mais rápido. Gere valor. Ou fique para trás.

Esse contrato se manifesta de diferentes formas. No Brasil, empresas como Petrobras, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Vale e Suzano aumentaram a exigência de presença física nos escritórios. Em alguns casos, a mudança gerou protestos, greves e forte desgaste interno. Em outros, foi comunicada de forma direta: trabalhadores remotos deixaram de ser elegíveis a promoções ou novas oportunidades internas.

A mensagem implícita é clara: flexibilidade deixou de ser prioridade; controle e produtividade voltaram ao centro.

A contradição que define a liderança em 2026

Dados globais mostram que 77% dos CEOs estão buscando medidas de eficiência de custos, enquanto 56% apontam crescimento como prioridade máxima. Essa combinação cria uma realidade delicada: menos flexibilidade, menos margem de erro e mais pressão por resultado.

Nesse cenário, a cultura organizacional deixa de ser discurso e passa a ser fator crítico de desempenho. Ainda assim, apenas 43% dos colaboradores acreditam que a cultura de suas empresas os ajuda a ter sucesso. Menos da metade dos CHROs afirmam que a cultura organizacional impulsiona efetivamente a performance.

O paradoxo é evidente: organizações com culturas realmente incorporadas registram até 34% mais desempenho. Cultura não desapareceu. Está sendo negligenciada sob pressão.

Os quatro desafios estratégicos que vão separar quem lidera de quem reage:

1. IA deixou de ser eficiência. Passou a ser desenho consciente do trabalho.

A pergunta que antes guiava a adoção tecnológica era “onde aplicar IA?”. Agora, ela é mais incômoda: o que ainda justifica um ser humano?

Os números mostram que as empresas já estão respondendo:

● 27% redefiniram cargos por causa da IA;

● 10% substituíram colaboradores por automação;

● 24% realocaram pessoas após a tecnologia tornar as funções redundantes.

Organizações que não fizerem esse desenho conscientemente descobrirão, tarde demais, que a tecnologia decidiu por elas.

2. Liderança eficaz não é sobre inspirar. É sobre sustentar a mudança.

Liderar em 2026 não significa discursos motivacionais ou visões grandiosas. Significa regular incertezas, treinar decisões rápidas e incorporar aprendizado contínuo.

Mudança deixou de ser projeto. Tornou-se sistema operacional.

Isso exige líderes capazes de:

● normalizar o desconforto;

● criar rotinas de adaptação;

● transformar exceções em prática.

Nem todos conseguirão. E algumas organizações precisarão tomar decisões difíceis: requalificar, realocar ou substituir lideranças que não conseguem mais navegar nesse ambiente.

3. Cultura não é discurso. É comportamento sob pressão.

Cultura não é o que a empresa declara. É o que ela tolera.

Empresas que conseguem traduzir valores em comportamentos observáveis e processos claros constroem vantagem competitiva real. Casos como SugarCRM e Mercado Livre mostram que cultura ganha força quando se materializa em decisões cotidianas: como reuniões são feitas, como erros são tratados, como autonomia é concedida.

Cultura só existe quando é praticada, especialmente quando ninguém está olhando.

4. A IA não vai substituir os melhores. Vai expor os médios.

Fontes do mercado indicam que modelos de IA já estão sendo treinados para executar tarefas centrais em praticamente todas as profissões baseadas em conhecimento. Isso inclui áreas financeiras, jurídicas, analíticas e até funções executivas.

A tolerância ao líder que não aprende rápido será um dos maiores riscos estratégicos de 2026. Alguns precisarão ser requalificados. Outros, substituídos. Não por crueldade, mas por sobrevivência organizacional.

O que empresas mais maduras já entenderam

2026 não será vencido por quem adotar mais tecnologia. Será vencido por quem decidir melhor.

Decidir:

● onde a IA cria valor real;

● quais funções devem ser protegidas da automação;

● que tipo de liderança sustenta mudança contínua;

● que cultura emerge quando a pressão aumenta.

O futuro dos negócios não será decidido por ferramentas. Será decidido por escolhas conscientes, feitas antes que a tecnologia as imponha. 2026 não separa empresas inovadoras das tradicionais. Separa quem lidera de quem reage.

E a pergunta final permanece:

Quando olhar para trás, daqui a alguns meses, você vai se lembrar que teve escolha?

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Imagem de perfil do redator

LinkedIn Top Voices. Conselheira na área de Pessoas e especialista em Recursos Humanos e Diversidade & Inclusão. Palestrante, Mentora e Consultora. Atua com propósito no desenvolvimento de líderes e na construção de culturas mais humanas, diversas e sustentáveis.

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