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2022: o ano que os unicórnios perderam metade do valor

Unicórnios no top 10 de valuations nos EUA caíram de uma média de US$ 1,48 bi para US$ 680 mi em valor

2022: o ano que os unicórnios perderam metade do valor

Unico é anunciada como unicórnio pela Nasdaq (foto: divulgação)

5 min

23 nov 2022

Atualizado: 23 nov 2022

Que 2022 foi um ano péssimo para os valuations das startups, a gente já ouviu falar. Contudo, os impactos do atual cenário econômico às empresas que receberam grandes rodadas – mais especificamente os unicórnios – foram particularmente notáveis. Segundo um levantamento divulgado pelo Pitchbook, as startups norte-americanas no Top 10% das rodadas no terceiro trimestre de 2021 perderam cerca de metade de seu valor.

É uma realidade dura comparada ao período fértil que o mercado ianque teve no ano passado, quando cerca de 340 novos unicórnios foram criados no país – praticamente um unicórnio por dia, se cortarmos alguns fins de semana desta conta.

Cortando para o terceiro trimestre de 2022, os valuations de nível unicórnio praticamente sumiram em face do cenário econômico turbulento, inflação e juros em alta. No último trimestre, a média de rodadas ficou em comedidos US$ 71 milhões, uma queda de 29% em relação ao ainda aquecido primeiro trimestre de 22.

Agora, falando especificamente dos deals mais no topo da pirâmide, as startups nos 10% mais bem avaliados em suas rodadas unicórnio viram seu valor cair para uma média de US$ 680 milhões. É uma queda de aproximadamente 54%, em relação ao valuation médio destas empresas mais bem avaliadas, que era de US$ 1,48 bilhão. No caso de empresas com aportes de venture capital, mas que já abriram seu capital, a queda foi ainda mais acentuada – cerca de 69%.

Segundo especialistas de mercado, estes número não são nada bons para as empresas que atingiram o estágio de unicórnio, que estão a perigo de sofrerem downrounds severos em futuras captações. “Não há razão para acreditar que os múltiplos do mercado público que estavam elevando as avaliações no mercado privado no ano passado voltarão para onde estavam antes”, afirmou Kyle Stanford, analista sênior da PitchBook.

Além disso, o cenário de investimentos para startups late-stage também não é dos mais favoráveis. Segundo a consultoria, o volume nas rodadas mais no topo da pirâmide caíram cerca de 74% do terceiro trimestre de 2021 para o terceiro trimestre deste ano – e isso significa menos dinheiro para quem é ou deseja ser um unicórnio.

Um exemplo recente desta crise é o da fintech de BNPL Klarna, que para levantar uma rodada de US$ 800 milhões, baixou sua valorização para US$ 6,7 bilhões. Não deixou de ser um unicórnio, mas para quem estava valendo cerca de US$ 45 bilhões em 2021, é uma queda e tanto.


E NO BRASIL?

No Brasil, o cenário não é muito diferente. Segundo números do Distrito no primeiro semestre do ano, foram as startups de esttágio inicial que seguraram a movimentação no venture capital. Com a aversão ao risco de negócios que ainda não conseguiram se provar e queimam caixa, o late stage – rodadas de série C em diante – encolheu 68% para US$ 1,24 bilhão.

Um detalhe: desde maio, com uma rodada de US$ 110 milhões da fintech Dock, o Brasil não teve nenhum novo unicórnio. Até agora, a lista brasileira para o ano está magra, com apenas outra fintech – a Neon – atiginndo o estágio de unicórnio este ano. Para a PitchBook, o cenário global das superavaliações não deve mudar tão cedo, algo que também deve se refletir no Brasil.

“Tenho certeza de que haverá empresas unicórnios fortes que serão capazes de se sustentar”, disse ele. “Mas algumas empresas desse grupo rapidamente se tornarão ‘não-unicórnios’ e outras provavelmente fecharão”, finaliza Stanford.

(Por Leandro Miguel Souza, publicado originalmente em Startups.com.br)


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