Insurtechs mostram como inovar em um mercado tradicional

Há no Brasil apenas 100 startups de seguros que são relevantes e possuem produtos, time, investimentos e já faturam – apesar disso, mais insurtechs chegam ao mercado desde 2013

0
shares

As startups de seguros, ou insurtechs, ainda são animais raros no ambiente de inovação em negócios. No Brasil, segundo levantamento da Distrito, existem 13 mil startups.

Deste total, aproximadamente 25% são fintechs, os novos negócios do mercado financeiro como Nubank, Creditas e Geru. As startups de seguros são catalogadas pela Distrito dentro do segmento de fintechs e somam apenas 100 empresas de um total de 3.000 fintechs em operação no país.

“São 100 startups de seguros que são relevantes no Brasil. Essas têm produtos, time, investimentos e já faturam”, disse Gustavo Araújo, co-fundador da Distrito, na conferência Insurance Day, realizado nesta quinta-feira pela StartSe, em São Paulo.

Mesmo sendo poucas, elas estão tornando a experiência dos clientes que contratam os produtos de corretoras e seguradoras mais rápida e menos burocrática.

Segundo uma pesquisa feita pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara e-net), 62% das startups de seguros nasceu para oferecer serviços para potencializar os negócios das seguradoras. O dado explica porque a maior parcela das insurtechs trabalha na oferta, cotação e venda de seguros online. Ou seja, há um ganho na distribuição via plataformas digitais.

A primeira lição, portanto, de como inovar em um mercado tradicional, com altas barreiras de entrada, é: crie novas soluções para tornar a operação dos incumbentes mais eficiente.

O mesmo estudo da Câmara e-net mostra que 57% das insurtechs têm como missão principal desburocratizar o setor e/ou potencializar os negócios dos corretores. A informação corrobora a pesquisa da Distrito, que mostra que o segundo segmento com maior número de insurtechs é o de gerenciamento de negócios, que desenvolve tecnologias para otimizar o dia a dia de trabalho de seguradoras e corretoras.

A segunda lição de como inovar em um mercado tradicional é: desenvolva novas ferramentas digitais para tonar a gestão dos incumbentes mais eficiente.

No vídeo abaixo, Gustavo fala de como o governo pode contribuir para que mais startups de seguros cheguem ao mercado e prosperem em uma atividade em que o Estado ainda regula com mão de ferro.

Mercado novo

As insurtechs começaram a aparecer no Brasil em 2010, com startups pioneiras como a MinutoSeguros, criada por Marcelo Blay como uma corretora 100% online. Mas foi só a partir de 2013 que as startups de seguros começaram a entrar no radar de investidores.

A MinutosSeguros, por exemplo, captou US$ 60 milhões de investimento, em três rodadas de aporte de recursos realizadas entre 2014 e 2019.

Hoje, a maior parcela delas (87% mostra o estudo da Distrito) está baseada no Sudeste, sendo que praticamente sete de cada dez delas tem escritório no estado de São Paulo. Seus fundadores são quase sempre ex-executivos e ex-profissionais de bancos, seguradoras e corretoras, e 56% tem entre 36 e 55 anos de idade.

São, portanto, profissionais experientes que conhecem o mercado tradicional, seus problemas e oportunidades, e decidiram empreender para reinventar uma atividade que ainda é, em grande parte, realizada da forma como sempre foi.

Atualize-se em apenas 5 minutos


Receba diariamente nossas análises e sinta-se preparado para tomar as melhores decisões no seu dia a dia gratuitamente.

Comentários