Os benefícios da transformação digital para caminhoneiros e transporte de carga no Brasil

João Ortega

Por João Ortega

10 de março de 2020 às 10:30 - Atualizado há 7 meses

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Em um país no qual predomina o transporte rodoviário, cerca de dois milhões de caminhoneiros são responsáveis por movimentar quase toda a mercadoria que a população consome diariamente. Embora seja um setor muito tradicional no Brasil, nos últimos anos, a tecnologia tem tido crescente impacto no mercado de transporte de cargas, cujo valor estimado está na casa dos R$ 400 bilhões. Tanto startups quanto grandes transportadoras vêm criando soluções que tornam a experiência dos motoristas mais digital e levam eficiência para a rotina destes profissionais.

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Conectando cargas e caminhoneiros

“O motorista de caminhão é um empresário. Ele precisa ter receita. Então, a dor primária deste profissional é encontrar carga onde estiver, para gerar receita o tempo todo”, diz Charile Conner, co-CEO da transportadora Sotran, em entrevista exclusiva à StartSe. “Em média, os motoristas hoje rodam 40% do tempo vazios”, afirma o executivo.

A Sotran é uma empresa que nasceu em 1985 e, no ano passado, faturou R$ 1,2 bilhão com transporte de quase 13 milhões de toneladas de carga no Brasil. A transportadora passa por processo de transformação digital e lançou, em 2018, a TMOV, uma solução em aplicativo para unir as duas pontas da cadeia: embarcadores (cargas) e motoristas.

Em pouco mais de um ano desde o lançamento do MVP, cerca de 75% das viagens intermediadas pela Sotran foram realizadas por meio do app da TMOV. Para Charlie Conner, o resultado é uma prova de que os caminhoneiros, em geral, já estavam adaptados a soluções digitais para smartphones. Bastava oferecer uma solução eficiente e em que os profissionais pudessem confiar – e, portanto, ter a marca da Sotran por trás foi um diferencial para a rápida adoção do aplicativo.

No entanto, a transportadora não é pioneira no Brasil quando se fala em conectar motoristas de caminhão a cargas em um ambiente digital. O TruckPad e a CargoX são duas startups que operam há alguns anos com esta mesma proposta de valor inicial: ser um marketplace de fretes. O que as diferencia, na origem, é o foco primário: enquanto o TruckPad mira as dores do caminhoneiro, a CargoX nasceu como uma solução orientada às pequenas transportadoras.

Ambas, no entanto, têm em comum a confiança de investidores de peso. O tamanho do mercado brasileiro, aliado às soluções inovadoras desenvolvidas pelas startups, trouxe segurança ao capital de risco proveniente do exterior.  A Full Truck Alliance, maior plataforma de transporte de cargas na China, está entre as apoiadoras do TruckPad. Já a CargoX recebeu aporte do fundo liderado por George Soros, além do banco Goldman Sachs.

Dados e segurança

Outra dor do mercado de transportes de carga no Brasil é a segurança. Em 2018, segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, foram 22 mil roubos de carga em todo o país. O prejuízo para o setor foi próximo a R$ 2 bilhões.

Neste sentido, as empresas de tecnologia deste mercado buscam aumentar a segurança do profissional, bem como da mercadoria. A TMOV, a CargoX e o TruckPad permitem que a embarcadora acompanhe o trajeto do transporte em tempo real, com geolocalização. Para além disso, as soluções utilizam os dados das viagens anteriores para prever riscos e informar os caminhos mais seguros para o motorista.

“Nosso sistema de geolocalização avisa ao motorista, por exemplo, se um posto é perigoso por ter atividades ilegais”, diz o argentino Federico Vega, fundador da CargoX, em entrevista ao Estadão. A TMOV realiza o mesmo serviço, e também oferece opções de seguro de vida e carga no próprio aplicativo.

Fintechs para caminhoneiros

Buscando ser uma solução ainda mais completa para o motorista de caminhão, a TMOV oferece, desde o ano passado, uma carteira digital com meio de pagamento integrado para seus clientes. No próprio aplicativo, o profissional recebe o pagamento da viagem realizada, pode realizar transferências e pagar pelo combustível, por exemplo.

Segundo Charlie Conner, a solução traz valor ao cliente não apenas por digitalizar os pagamentos – que muitas vezes ainda são feitos em cheque, o que atrasa a vida do motorista – como por “ajudar organizar a vida financeira” dos usuários. “Outro diferencial é o cashback da TMOV que tem o objetivo de trazer o usuário offline para uma primeira experiência de jornada digital. Depois, ele permanece na plataforma não pelo cashback, mas pela margem de custo que entende que terá. Cerca de 75% da nossa base já migrou do offline para o digital”, diz o executivo.

O TruckPad é outro player do mercado que entrou no universo dos serviços financeiros. A startup lançou, no início deste mês, o TruckPad Pay. A carteira digital visa diminuir gastos e facilitar a vida de quem trabalha com transporte de carga. “Hoje, o caminhoneiro recebe uma série de cartões pré-pagos e não tem ideia do saldo ali presente. Com o TruckPad Pay, ele vai poder saber quanto vai receber, quanto tem de adiantamento e até mesmo incluir o saldo dos outros cartões”, diz Carlos Mira, fundador do TruckPad, à reportagem do Estadão.