Da transformação digital ao R$1 bilhão de lucro: a trajetória do Magazine Luiza

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

20 de fevereiro de 2020 às 18:03 - Atualizado há 4 meses

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A inclusão digital pode ser uma das mais poderosas ferramentas para combater a desigualdade no Brasil. É o que acredita o Magazine Luiza. A empresa divulgou, nesta segunda-feira (17), um documento com os resultados do terceiro trimestre de 2019. Nele, a companhia afirma que o acesso ao mundo digital pode empoderar microempreendedores e tornar seus negócios mais leves, eficientes e flexíveis. 

“Fazer parte desse mundo permite que o mais humilde dos consumidores, das mais remotas áreas do país, possa contar com produtos e condições comerciais hoje restritos ao topo do mercado dos grandes centros urbanos”, escreveu a empresa. Foi com esse propósito que a companhia registrou, nos últimos três meses de 2019, um lucro líquido de R$ 168 milhões. No ano todo, o valor foi de R$ 921,8 milhões, um salto de 54,3% em relação a 2018.

Revolução digital

O lucro milionário é fruto de uma jornada de transformação digital da companhia. Em 2011, a empresa criou o Luiza Labs, laboratório de inovação responsável por melhorar, com ajuda da tecnologia, a experiência dos colaboradores e clientes. Nele, um time com mais de 500 pessoas desenvolve projetos em diferentes frentes.

Desde então, a companhia passou por um processo de digitalização, com a criação de novos aplicativos, plataformas digitais para entregadores e clientes, integração de serviços com redes sociais e até mesmo o nascimento da Lu, vendedora virtual que transformou a forma como os clientes enxergam a marca.

“A revolução digital tem gerado inúmeras consequências para os negócios dos mais variados setores. Ela mudou os parâmetros, os modelos de negócio e as regras que, durante décadas, estavam consolidadas na academia e no manual de melhores práticas difundidas por consultores e adotadas por incumbentes vencedores”, ressaltou a companhia em seu relatório.

Além de digitalizar suas operações, a companhia lançou, em 2017, o seu marketplace, vendendo produtos de outras empresas em seu site e aplicativo. Com a iniciativa, a varejista passou a oferecer uma alternativa para que pequenos empreendedores pudessem expor seus produtos em uma plataforma com grande visibilidade. 

A partir daí, o valor das ações da companhia disparou — de acordo com a Economatica, o salto foi de 4.500% entre 2016 e 2019. Neste período de três anos, a ação do Magazine Luiza foi a que gerou maior retorno sobre o capital investido entre as empresas da bolsa.

De linha para plano

De acordo com a companhia, a revolução digital também abriu inúmeras possibilidades estratégicas. “Para descrever essas possibilidades e tentar dar mais clareza à questão do posicionamento estratégico em ambientes digitais, usaremos aqui conceitos criados pelo ex-estrategista-chefe do Alibaba, Ming Zeng: ponto, linha e plano”, ressaltou a varejista no documento.

O conceito descreve três tipos de empresas: plano, linha e ponto. Ser um plano significa atuar como um ecossistema digital, abrangendo diversos setores. Já a linha controla uma cadeia específica, atuando em um determinado segmento. Por fim, o ponto descreve uma empresa super especializada, que oferece soluções para as linhas e planos. 

“Durante 18 anos, nós, do Magalu, montamos um bem-sucedido modelo estratégico de linha. Nos tornamos uma empresa multicanal e lucrativa no ramo de bens duráveis. Mas, em 2018, decidimos que nosso formato nesse novo mundo seria o de plano. Passaríamos a ser um ecossistema, com foco em varejo”, descreveu a empresa. 

A companhia afirma ter em seu DNA os princípios corporativos fundamentais para isso. “Acreditamos no ganha-ganha (ou na colaboração, para usar um termo do momento), no protagonismo do cliente e nas relações formais e éticas. São princípios, sob o nosso ponto de vista, fundamentais para dar escala ao e-commerce brasileiro”. 

Como uma empresa “plano”, o objetivo é consolidar a inclusão digital de empreendedores e consumidores brasileiros. “Nosso foco está nos pequenos e médios negócios e sobretudo nas pessoas da base da pirâmide sócio-econômica”, descreveu a companhia. Um dos primeiros passos nessa direção foi, justamente, o lançamento do marketplace. 

Crescimento exponencial

Com a nova estratégia digital, a varejista também deu um salto em faturamento. Com um modelo baseado em lojas físicas, o Magazine Luiza demorou 43 anos para atingir seu primeiro bilhão de reais. Em apenas três, a companhia conquistou R$ 3 bilhões com o marketplace.

Em 2019, a companhia focou sua estratégia em expansão e aumento da escala. “O maior dos nossos KPIs foi vinculado à expansão — crescimento em progressão geométrica de GMV, da base ativa de clientes, do número de novas categorias e de itens à venda, quantidade de sellers, usuários ativos mensais no app e novas lojas foram algumas das metas que nos auto-impusemos”, descreveu a empresa. Com 159 lojas físicas inauguradas, as vendas cresceram 51%. Além disso, a companhia atingiu o marco de 25 milhões de clientes ativos.

Além do foco em escala, o Magazine Luiza também cresceu com ajuda de outra estratégia: aquisições. Em 2019, a companhia comprou a Netshoes por US$ 115 milhões“Com a Netshoes não só entramos em duas categorias de enorme potencial — artigos esportivos e moda — como incorporamos uma das marcas mais queridas do e-commerce brasileiro. A Netshoes trouxe para o Magalu uma competente equipe de profissionais digitais e uma plataforma com 1.000 sellers, 4 milhões de clientes e 2,5 bilhões de reais em GMV”, escreveu a companhia. 

Próximos passos

Além da Netshoes, a varejista ainda adquiriu a Época Cosméticos e a Estante Virtual. O objetivo é criar, futuramente, um super app — assim como o WeChat da China — integrando serviços financeiros e outras funcionalidades em uma mesma plataforma. “Queremos que nossos 25 milhões de clientes ativos saibam que encontrarão, em um único lugar e de forma legal e ética, tudo o que precisam ou desejam”, ressaltou a empresa.

Para isso, o Magazine Luiza já traçou planos para o futuro. Fazer a integração das empresas adquiridas será o foco da varejista neste ano. Em paralelo, a companhia planeja continuar aumentando o número de parceiros no marketplace, integrando todos os catálogos de produtos.

“Tão importante quanto tudo isso — sobretudo para uma empresa que nasceu e permaneceu especialista em algumas categorias por tanto tempo — é comunicar aos nossos clientes que estamos rapidamente nos transformando num varejista de todas as coisas”, escreveu a companhia.

Além do Magazine Luiza, outras grandes empresas estão investindo em transformação digital. O movimento é inevitável pra aqueles que querem se manter competitivos no mercado. Para aprender com quem já trilhou esse caminho e entender as oportunidades e como se adaptar a esse novo cenário, se inscreva no curso Transformação Digital para executivos.