Investimento coletivo em startups no Brasil cresce 71% e chega a R$ 78 milhões

Estudo realizado pela CapTable, plataforma de investimentos em startups da StartSe, constata aumento de 844% em quatro anos no modelo de “crowdfunding de investimentos”

João Ortega

Por João Ortega

31 de janeiro de 2020 às 15:21 - Atualizado há 2 semanas

Ano a ano, cresce o volume de investimentos em startups no Brasil. A maior parte dos aportes, em valor investido, vem de fundos de venture capital — ou fundos de capital de risco. Só no primeiro semestre de 2019, R$ 3,4 bilhões foram investidos em startups por meio deste modelo. No entanto, há outras formas para empresas em estágios iniciais de crescimento captarem recursos. Entre elas, destaca-se o crowdfunding de investimentos — antes conhecido como equity crowdfunding – uma modalidade que é tendência global e está se popularizando entre os brasileiros.

O crowdfunding de investimentos consiste em um aporte coletivo, no qual diversos investidores individuais contribuem, normalmente por meio de plataformas digitais com valores pré-definidos em troca de uma pequena porcentagem da empresa. Além de levantar capital, as startups que optam por este tipo de captação transformam cada um dos investidores em sócios, distribuidores ou embaixadores da marca em suas comunidades.

Entre os destaques do setor de crowdfunding de investimentos no Brasil está a CapTable, plataforma de investimentos da StartSe. Desde julho de 2019, quando iniciaram as captações, foram arrecadados R$ 4,2 milhões, distribuídos entre cinco startups.

A CapTable realizou um levantamento sobre o mercado de crowdfunding de investimentos no ano passado. Analisando as 13 plataformas do setor que têm autorização da CVM para operar, o estudo constatou que o investimento coletivo em startups chegou a R$ 78 milhões em 2019, valor 71% maior do que no ano anterior.

Investimento coletivo

De acordo com Paulo Deitos, sócio da CapTable, o crescimento ano a ano deste modelo de captação aponta para um futuro otimista. “Se compararmos os resultados anuais de 2016 e 2019, tivemos um aumento de 844% em quatro anos. Houve uma descoberta da modalidade pelas startups e a tendência é que os volumes a serem captados tornem-se maiores em 2020”, diz o empreendedor.

A fintech aposta em um rígido processo de seleção das startups que vão captar investimento na plataforma, em detrimento à abertura para qualquer empresa que busque arrecadar fundos. “Fazemos uma triagem rígida de todos os empreendimentos que querem fazer captação conosco para passar mais credibilidade aos nossos investidores. Afinal, temos a intenção de que daqui saia um dos próximos unicórnios”, vislumbra Guilherme Enck, co-fundador da CapTable.

Veja, a seguir, alguns dados sobre o mercado de investimentos coletivos levantados pela pesquisa da CapTable:

Valores anuais captados:

2016 – R$ 8.342.924,00

2017 – R$ 12.836.000,00

2018 – R$ 46.006.340,00

2019 – R$ 78.758.300,00

Valores pleiteados pelas startups:

2017 – R$ 7.700.000,00

2018 – R$ 69.500.000,00

2019 – R$ 124.800.000,00

Valor médio das ofertas:

2017 – R$ 650.000,00

2018 – R$ 1.400.000,00

2019 – R$ 1.200.000,00