Google e empresa britânica desenvolvem IA para diagnóstico de câncer de mama

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

6 de janeiro de 2020 às 16:25 - Atualizado há 10 meses

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

O Google Health e a DeepMind, empresa britânica que desenvolve máquinas que utilizam a tecnologia de inteligência artificial (IA), criaram um sistema para ajudar os médicos a fazer o diagnóstico precoce de câncer de mama.

Os pesquisadores treinaram um algoritmo usando imagens de mamografia de pacientes dos Estados Unidos (EUA) e do Reino Unido, que teve desempenho melhor do que os radiologistas humanos. Os resultados foram publicados na revista cientifica Nature na última quarta-feira (1).

O câncer de mama é o câncer mais comum entre mulheres do mundo todo e a segunda principal causa de morte. Embora a detecção e o tratamento precoces possam melhorar o prognóstico do paciente, os testes de rastreamento apresentam altas taxas de erro. Cerca de 1 em cada 5 exames não conseguem encontrar o câncer de mama, mesmo quando presente. É o resultado conhecido como falso negativo. Cinco em cada dez mulheres também recebem pelo menos um alarme falso durante um período de 10 anos, conhecido como falso positivo.

Nos testes, o sistema de IA diminuiu os dois tipos de erro. Para as pacientes nos EUA, houve redução de falsos negativos e positivos em 9,4% e 5,7%, respectivamente. Já para as pacientes do Reino Unido, a queda foi de 2,7% e 1,2%.

Em um experimento separado, os pesquisadores testaram a capacidade de generalização do sistema: treinaram o modelo usando apenas mamografias de pacientes do Reino Unido e depois avaliaram seu desempenho em pacientes nos EUA. O sistema ainda superou os radiologistas humanos, reduzindo os falsos negativos e positivos em 8,1% e 3,5%.

A capacidade do sistema de generalizar dessa maneira tem implicações promissoras. Isso mostra que pode ser possível superar um dos maiores desafios enfrentados pela adoção da IA ​​nos cuidados de saúde: a necessidade de mais dados para cobrir uma população representativa de pacientes.

Mas esses resultados também devem ser interpretados com cautela. Os EUA e o Reino Unido têm populações bastante semelhantes. Provavelmente o sistema não teria a mesma resposta se fosse generalizado para outras partes do mundo.

Em outubro passado, os pesquisadores da New York University publicaram um estudo semelhante, demonstrando um sistema de IA para exames de câncer de mama em pé de igualdade com radiologistas humanos.

As principais diferenças, no entanto, eram que ele usava apenas mamografias de pacientes norte-americanos e comparava o desempenho do sistema com diagnósticos de especialistas humanos realizados em um ambiente artificial de laboratório. O Google e o DeepMind compararam o desempenho com os diagnósticos do mundo real.

Por fim, ambos os estudos concluem que esses exames de IA de câncer de mama devem ser usados ​​em conjunto com radiologistas humanos. A combinação de tecnologia e conhecimento humano alcança os diagnósticos mais precisos, com o benefício de reduzir a carga de trabalho dos radiologistas humanos. Este benefício por si só permitiria que os médicos dedicassem ainda tempo para atender novos pacientes.