Employee Experience e a felicidade como ferramenta de produtividade

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Por Da Redação

20 de março de 2020 às 15:29 - Atualizado há 2 semanas

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Por Lucas Prado, cofundador da Meritocracity

Como melhorar o desempenho humano? Essa é uma questão que diversas áreas, desde os negócios até os esportes, vêm tentando responder há muito tempo e de várias formas diferentes. O alto desempenho é um dos temas mais falados em estudos sobre a gestão de pessoas. O que as pesquisas revelam, no entanto, é que trabalhar demais está prejudicando a saúde mental e, no fim, a produtividade dos colaboradores.

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Um estudo recente da Gallup com quase 7500 funcionários em período integral constatou que 23% se sentem esgotados no trabalho com muita frequência ou sempre, enquanto outros 44% relataram esgotamento ocasional. Ou seja, ficou constatado que cerca de dois terços de todos os trabalhadores em período integral sofreram desgaste no trabalho.

No Japão, ocorre um fenômeno trágico, associado à cultura de busca incessante pelo alto desempenho, que é a morte súbita ocupacional por excesso de trabalho, denominada “karoshi”. Trata-se de um grave problema de saúde pública que levou o governo local a tomar medidas preventivas. Entre elas, estão o incentivo à folga em uma manhã de segunda-feira por mês, o aumento do número de feriados nacionais, o estímulo da adoção de horários flexíveis e até o corte da energia nos escritórios tarde da noite.

Este não é um problema apenas do Japão, mas trata-se de uma questão mundial com sérios impactos econômicos negativos. O colapso  representa cerca de US$ 125 bilhões a US$ 190 bilhões em gastos com saúde física e mental todos os anos associados ao excesso de trabalho, de acordo com um artigo da Harvard Business Review.

Felicidade como ferramenta de produtividade

Nos últimos cinco anos, cresceram as questões relacionadas à produtividade, bem-estar, excesso de trabalho e esgotamento, segundo a Deloitte. Em um cenário de transformação digital, 84% dos entrevistados dizem que precisam repensar sua experiência na força de trabalho com o intuito de melhorar a produtividade. No entanto, por mais importante que seja, apenas 9% dos entrevistados acreditam que estão prontos para resolver esse problema, tornando-o uma prioridade para organizações em todo o mundo.

O conceito de engajamento dos funcionários trouxe uma nova dimensão à compreensão do problema, abrangendo requisitos psicológicos básicos para que as pessoas tenham um bom desempenho, como a necessidade de se sentir competente e de se conectar com um objetivo maior. A psicologia, através da revisão da literatura filosófica e da experimentação científica, observou que a felicidade poderia ser um elemento importante para impactar no desempenho humano.

Existem inúmeras formas de se sentir e de se experimentar a felicidade. Para uns, pode ser uma festa; para outros, uma viagem. Porém, também é possível encontrar felicidade também no esforço, no estudo ou até em conhecer pessoas. A ciência descreve estes dois “tipos” de felicidade por meio dos conceitos de hedonismo (a felicidade baseada no prazer) e eudaimonia (felicidade baseada no desenvolvimento pessoal).

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Warwick, em 2014, realizou quatro experimentos em várias empresas e concluiu que a felicidade aumentava em média 12% o nível de produtividade dos funcionários. No entanto, felicidade no ambiente corporativo não se resume a um ambiente geek colorido, beber e jogar videogame no trabalho.

O professor de administração da Wharton, Adam Grant, descobriu que os funcionários da central de atendimento eram 171% mais produtivos quando tiveram a oportunidade de gastar tempo aprendendo sobre o impacto que seus serviços estavam exercendo sobre o cliente final. O simples ato de colocar um rosto em um nome ajuda a criar significado em um trabalho rotineiro, segundo o especialista.

People Analytics

Em busca da produtividade de suas equipes, muitas empresas têm utilizado dados massivamente para descobrir como recrutar, como motivar e como engajar melhor seus funcionários através do people analytics.

O significativo aumento do poder cognitivo dos computadores e aplicações desafiam as empresas a repensar a organização do trabalho e as competências que os seus colaboradores necessitam para serem bem-sucedidos. O analytics é uma das áreas onde as organizações sentem que ainda há uma maior falta de capacidade.

Apesar de nos últimos anos people analytics ter se tornado um hype no mercado de dados, uma pesquisa da Deloitte revelou que apenas 7% das organizações acreditam que têm a capacidade de usar os dados de forma verdadeiramente analítica. Isso representa uma oportunidade. Soluções de people analytics podem auxiliar a compreender o senso de propósito e significado que deixa as pessoas felizes (e produtivas) no trabalho. Mas, para isso é preciso uma mudança de mentalidade e cultura.

Ao elevar a experiência do funcionário a uma experiência genuinamente humana que se estende para além dos processos de trabalho até o significado do trabalho em si, o ambiente corporativo avança no sentido de encontrar respostas para a pergunta que mais importa para a maioria das pessoas: “estou fazendo a diferença?”.

Neste sentido, um caminho é utilizar as ferramentas de people analytics para desenhar “employee experience” baseadas na felicidade para torná-las mais humanas. Uma pesquisa do MIT mostra que as empresas com uma experiência de funcionário bem-feita alcançam o dobro da inovação, o dobro da satisfação do cliente e lucros 25% mais altos do que as organizações com experiência de funcionário no quartil inferior.

A partir de vários estudos sobre a experiência dos funcionários nos últimos anos, vários novos conceitos se tornaram mais claros. Em primeiro lugar, os funcionários são diferentes dos clientes: eles têm um relacionamento pessoal duradouro com seus empregadores, ao contrário dos clientes que podem parar de comprar os produtos de uma organização a qualquer momento. Em segundo, a experiência do funcionário é social, construída em torno da cultura e do relacionamento com os outros, indo muito além do foco nas necessidades de um funcionário. E, por último, e mais relevante para o problema em questão, os funcionários desejam mais do que um conjunto fácil de transações; eles querem carreira, propósito e significado em seu trabalho.

A combinação entre alto desempenho e bem-estar psicológico contribui decisivamente para um elevado desempenho organizacional e humano. Não existem respostas prontas para o que cria uma experiência humana positiva e motivadora no trabalho, mas para descobrir o significado que as pessoas buscam no trabalho em si é necessário que toda a organização esteja envolvida.  A maioria das pessoas está buscando crescimento na carreira, propósito e significado em seu trabalho – e toda a organização desempenha um papel nesse processo essencialmente humano.

Neste sentido, people analytics não deve ser apenas mais uma forma de reduzir pessoas à números e sim uma tecnologia capaz de entender melhor o comportamento humano para fazer as pessoas não apenas mais produtivas, mas principalmente mais felizes em todos os aspectos de suas vidas.

Lucas Prado é bacharel em direito, servidor público, cientista de dados e cofundador da startup Meritocracity.