Startup VaiCar foi do zero a R$ 60 milhões em dois anos e tem fôlego para crescer

Em entrevista a StartSe, o sócio e CEO Helio Netto, de branco à esquerda, fala de novos investimentos e dos planos de expansão da startup

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“Estamos arrumando a casa, aperfeiçoando nossos processos, melhorando o aplicativo, fazendo uma auditoria interna (com a KPMG), para conseguir uma nova rodada de investimentos, que vai permitir acelerar o nosso crescimento”, diz Helio Netto, sócio e CEO da startup VaiCar, de locação de carros.

As conversas com os investidores já estão acontecendo e "em breve a VaiCar deve anunciar o novo investidor". Até setembro a startup, fundada em 2017, faturou R$ 60 milhões. “Esperamos fazer uma rodada grande”, diz o executivo, que afirma que os planos são expandir os serviços, hoje localizados em São Paulo, para outras regiões do país e, no futuro, internacionalizar o negócio.

A ideia da VaiCar surgiu em 2016 com os brasileiros João Paulo Galvão e Fernando Fiuza, que moravam em Miami, e pensaram o negócio para atender motoristas que não conseguiam alugar veículos mais caros, como as SUVs, para trabalhar nos aplicativos de compartilhamento de corridas, como o Uber.

O público da VaiCar são motoristas que não possuem histórico de crédito. Nos Estados Unidos, esse público era formado, em grande parte, por imigrantes. A vantagem das SUVs é que elas permitem fazer corridas que pagam até cinco vezes mais do que as realizadas com carros menores.

Ou seja, em teoria, elas garantem ao motorista um rendimento maior por corrida, embora tenham também custo de manutenção maior. Nos Estados Unidos, o modelo era peer-to-peer. João Paulo e Fernando alugavam os carros dos proprietários e os alugavam, mediante o pagamento de uma taxa de serviço, para motoristas que os utilizavam para trabalhar nos aplicativos de compartilhamento de corridas.

Durante seis meses os brasileiros tocaram o projeto como um MVP (produto mínimo viável), que chegou a operar com 60 veículos e a faturar US$ 40 mil dólares.

“A conclusão deles foi de que havia um negócio ali e que ele poderia crescer com ajuda de tecnologia”, diz Helio, que se juntou à empresa há dois anos, quando os fundadores decidiram trazer o negócio para o Brasil.

João Paulo e Fernando refizeram o plano de negócios da VaiCar para que o serviço pudesse operar com um modelo online. Com o plano pronto, vieram para o Brasil, pois achavam que o mercado para relançar a versão digital do serviço era o brasileiro, onde 45 milhões de pessoas não têm acesso a crédito. Parte desta população não pode, por exemplo, alugar um veículo para trabalhar como Uber.

O primeiro investimento

Os dois foram bater na porta de Pierre Schurmann, fundador e presidente da Bossa Nova, fundo de capital de risco que investe em startups no estágio inicial, como era o caso da VaiCar. A Bossa Nova investiu US$ 120 mil para que a startup pudesse começar a operar no Brasil. Foi Pierre quem apresentou Helio a João Paulo. Depois de algumas conversas, o executivo topou se juntar a startup, como sócio responsável pela operação.

Hélio foi quem aperfeiçoou o modelo de negócios da VaiCar no Brasil. Ex-executivo de grandes operadoras de locação de veículos como Avis e Hertz, Hélio possui mais de 25 anos de experiência neste mercado, tendo ocupado posição de CEO no Brasil da americana Thrifty, de 2013 a 2016.

“O primeiro passo da empresa foi romper com a necessidade do cartão de crédito para a locação. Isso permite trabalhar com uma população que está fora do mercado de locação tradicional. Criamos uma ferramenta robusta de controle de cadastro do cliente que permite oferecer crédito a este motorista”, diz Helio.

O software de cadastro do motorista da VaiCar varre informações relacionadas a um número de CPF e elenca pendências em cartórios de protesto, ações cíveis e criminais, além de trazer informações dos serviços de proteção ao crédito como SPC e Serasa.

A VaiCar também não possui lojas, como as locadoras tradicionais. A startup opera por meio de um aplicativo, onde o cliente faz o cadastro, a reserva do veículo, o pagamento (que pode ser feito com cartão de crédito ou boleto), e recebe o veículo em casa, que é entregue por “motoristas freelancers”, contratados apenas para fazer a última etapa do serviço.

A frota da VaiCar, que é alugada de grandes locadoras por até dois anos, fica em pequenos estacionamentos terceirizados que estão espalhados pela cidade de São Paulo, de forma a facilitar a disponibilização para o cliente. Operando desta forma, a VaiCar já fez 40 mil locações, de dezembro de 2017 até agora. Em outubro, a VaiCar comemorou 100 mil inscritos na sua plataforma.

O período mínimo de locação na VaiCar é de um mês e o preço médio de locação é de R$ 1.400 por mês. Há três categorias de carros: hatch, hatch plus e sedan. A manutenção, o seguro e as revisões ficam por conta da VaiCar. Um detalhe: embora a locação seja mensal, o cliente pode optar por fazer os pagamentos semanalmente.

A VaiCar tem hoje 54 funcionários, que trabalham em um escritório na região central de São Paulo. Até setembro a empresa faturou R$ 60 milhões. “Esperamos poder contar em breve da nova rodada de investimento”, diz Helio.

Crédito foto: Paulo Vitale/divulgação

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