O poder da rede: RME capta R$40 mi para projetos de apoio ao empreendedorismo feminino

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

27 de agosto de 2020 às 20:30 - Atualizado há 2 meses

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Tudo começou em 2010, quando Ana Fontes participou de um curso em um programa chamado 10 mil mulheres — que auxilia donas de pequenos negócios a aprender sobre gestão, negociação, fluxo de caixa e outros assuntos. Na época, Ana teve a ideia de criar um blog sobre os medos, as dúvidas e as dificuldades do empreendedorismo feminino.

“Começamos como um movimento nas redes sociais. Era algo que eu fazia no meu tempo livre para ajudar outras mulheres que, assim como eu, estavam empreendendo”, relembra Ana, em entrevista à StartSe. A iniciativa foi um sucesso.  No primeiro ano já eram mais de 100 mil mulheres acompanhando as postagens. Foi então que Ana percebeu que essas empreendedoras também buscavam ajuda e apoio. Em 2017, A Rede Mulher Empreendedora nasceu para preencher essa lacuna, junto com um Instituto que leva o mesmo nome.

Hoje, já são mais de 750 mil participantes. A RME oferece conteúdo qualificado em diversas plataformas, mentorias, programas de capacitação, treinamento, eventos, programas de aceleração de negócios com foco em mulheres e um programa chamado RME Conecta, que faz a ponte entre empreendedoras e grandes empresas. 

A RME ainda possui um grupo no Facebook com mais de 57 mil membros, onde a sororidade é promovida por meio de discussões, rodas de conversas e ajuda mútua. Além disso, a Rede possui 100 embaixadoras e 50 influenciadoras espalhadas pelo Brasil. Atualmente, a RME é referência no apoio daquelas que querem ter o seu próprio negócio. “Nosso posicionamento é em favor da geração de renda e independência financeira para as mulheres”, ressalta Ana.

Apoio de gigantes

Atingindo mais de meio milhão de mulheres, Ana quer ir além. Nesta semana, a Rede Mulher Empreendedora e o Instituto RME anunciaram a captação de R$ 40 milhões para investir em projetos de geração de renda e apoio às empreendedoras. Bradesco, Itaú, Santander, Google e Visa estão entre os apoiadores. “Buscamos parceiros que pudessem nos ajudar a oferecer condições para as mulheres, principalmente durante essa pandemia. São várias empresas que estão doando recursos nesses últimos cinco meses para projetos com foco em geração de renda e independência financeira de empreendedoras com micro e pequenos negócios”, ressalta Ana.

O foco da captação, a princípio, está em dois grandes projetos. O primeiro deles é o Heróis usam máscaras — um programa onde a RME gerencia mais de 100 organizações sociais em todo o Brasil para a produção de 12,5 milhões de máscaras através de 6 mil costureiras que poderão gerar uma renda significativa durante a pandemia. Já o segundo, Potência Feminina, promove a capacitação, acompanhamento de negócio, mentorias, aceleração e capital semente para 50 mil empreendedoras durante 24 meses, começando no mês de junho.

O que mudou durante a pandemia

Assim como outras organizações, negócios e empresas, a Rede Mulher Empreendedora também teve que se reinventar durante a pandemia. “Nossos eventos eram presenciais, assim como nossas capacitações e treinamentos. Tivemos que migrar boa parte do nosso trabalho para o online. Não foi um processo fácil, ele ainda está acontecendo. Já geramos mais de 320 horas de conteúdos para essas mulheres e até o final de setembro vamos atingir 10 mil atendimentos em mentorias online”, conta Ana. 

Segundo a empreendedora, a RME cresceu muito durante a pandemia. “A importância dessa iniciativa para as mulheres é enorme. Elas foram as mais afetadas pela pandemia — no aspecto pessoal, pelo desequilíbrio entre tarefas domésticas na divisão dentro de casa e também no que diz respeito à saúde emocional, violência e uma série de outras questões”, ressalta Ana. 

De acordo com ela, a capacitação, conteúdo e consistência do trabalho na Rede são extremamente importantes para que essas mulheres consigam passar por esse período e sustentar seus negócios, gerando cada vez mais impacto nas famílias. “Para nossa sociedade é fundamental que elas sejam apoiadas”, ressalta Ana.

Para o futuro, a empreendedora planeja buscar novas captações de recursos, com destino focado em gerar renda e capacitar as mulheres na ponta. “Queremos que cada vez mais empresas tenham essa visão da importância do impacto social de investir em pequenos negócios liderados por mulheres. No futuro, enxergo novos parceiros, com novos recursos que facilitem o caminho das mulheres para que elas consigam desenvolver seus negócios, ajudar suas famílias e empreender de forma menos dolorida e com menos obstáculos”.