O que você precisa saber para entender o mercado de fintechs na China

Sanjib Kalita, CMO do Money 20/20, aponta os temas mais importantes no contexto do maior evento de fintechs do mundo, que acontece em dezembro na China

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A China conta com um ecossistema inovador bastante particular, especialmente em relação ao mercado de fintechs. Startups do setor cresceram exponencialmente na última década, oferecendo serviços digitais como crédito e meios de pagamento para um mercado consumidor de quase um bilhão de pessoas com acesso à internet. Sanjib Kalita, CMO do Money 20/20 (maior evento do mundo sobre fintechs e inovação na indústria de serviços financeiros) e fundador da startup de crédito Guppy, diz que "a China tem sido um dos mercados mais dinâmicos e empolgantes do mundo há vários anos".

Kalita é um empreendedor de sucesso na área de fintechs e pagamentos. O indiano, radicado nos EUA, iniciou sua trajetória na equipe de cartão de crédito do Citibank há 20 anos. Desde então, passou por múltiplas startups com exits de sucesso, até chegar à liderança no marketing do Money 20/20.

A StartSe realiza, em dezembro, a Missão China Money 20/20: uma semana de imersão na maior potência inovadora do Oriente, sendo três dias no maior evento de fintechs do planeta!

Por conta desta trajetória de sucesso no setor, Kalita acreditava que conhecia tudo o que há para conhecer no universo de pagamentos. No entanto, esta crença desapareceu em 2018, quando o empreendedor fez três viagens à China, ficando ao todo três semanas em cinco cidades diferentes do país. “Isto me fez perceber quanto eu ainda tinha para ver e aprender”, revela.

Na visão de Sanjib Kalita, existem “diversas coisas em potencial para focar ao olhar para a China”. Isto porque o país conta, segundo o empreendedor, com uma vasta população, economia em crescimento e inovação tecnológica “de classe mundial”. Para delimitar o olhar, Kalita aponta três aspectos sobre o mercado chinês que formam a base para entender o contexto maior que será exposto durante os três dias do Money20/20 em Huangzhou.

A nova onda de empresas ascendentes

Para quem vê de fora, a China é um difícil quebra-cabeças. Historicamente, o país tem um sistema bancário predominantemente estatal e muito distinto da maioria das nações ocidentais, cujos serviços financeiros estão restritos a grandes empresas e pouco atingem pessoas físicas. A última década foi marcada pela ascensão meteórica de empresas que se tornaram “as gigantes da internet”. Baidu, Alibaba, Tencent e JD.com formaram a primeira onda do e-commerce, que foi impulsionado por serviços financeiros que elas mesmas ofereceram aos clientes, como crédito e sistema de pagamento.

“No entanto, há uma nova onda no horizonte”, analisa Kalita. Com foco em serviços e adoção de Inteligência Artificial, startups como a Meituan Dianping (compras coletivas) e a Didi (mobilidade) superaram 400 milhões de usuários cada uma. Empresas de conteúdo com foco na nova geração – leia-se ByteDance (da rede social de vídeos curtos TikTok) e Xiaohongshu (rede social de moda e estilo de vida) – complementam esta nova onda. Diferente da primeira onda, estas startups ascendentes criam estratégias de internacionalização desde seus primórdios.

“Vendo o que aconteceu na primeira onda, aprender e trabalhar com as novas startups em estágios mais iniciais é uma oportunidade única”, diz Sanjib Kalita. “A exposição a estas companhias abriu meus olhos sobre design de produtos, oportunidades de parceria e estratégias de negócio”.

Oportunidades de parceria e crescimento

Quando a “primeira onda” começou, a economia chinesa estava em fase de formação. O conhecimento e o acesso ao mercado eram limitados, pois a energia e o foco eram locais, dentro das fronteiras. “Agora, com uma infinidade de empresas líderes globais em todos os setores, a China aumentou o foco nos mercados globais, levando à crescente abertura do mercado financeiro”, explica Kalita.

Hoje, existe uma cooperação internacional entre fundos de Venture Capital (capital de risco) e empresas de tecnologia. “Um exemplo da abertura da China para o mercado global é a aceitação do Amex, que se tornou o primeiro serviço estrangeiro a realizar pagamentos em moeda chinesa”, diz o CMO do Money 20/20.

“Meu tempo na China ano passado reforçou este cenário pessoalmente a mim”, conta Sanjib Kalita. Segundo o empreendedor, investidores e possíveis parceiros comerciais foram receptivos e entenderam rapidamente os potenciais da Guppy, sua startup de crédito em blockchain. “O desejo e os recursos para buscar algo diferente estavam presentes”, completa.

Tecnologias convergentes

Atualmente, o progresso em tecnologias como AI e blockchain está acontecendo tanto no Oriente quanto no Ocidente. Outras tecnologias, como 5G e computação quântica, podem levar a China a assumir um papel de liderança ainda maior. Essas inovações naturalmente interagem entre si e se reforçam mutuamente. Como o setor de serviços financeiros adota tecnologias disruptivas, os dados passaram de um subproduto das operações de negócios para um recurso estratégico. A convergência e combinação dessas tecnologias resultará em soluções com implicações globais.

“Senti o desejo de experimentar e aprender em primeira mão na China no ano passado, por isso estou acompanhando ansiosamente quais novas soluções serão criadas”, diz Kalita. “Ao conhecer o país e participar do Money 20/20, é importante entrar com uma estrutura e uma agenda sobre o que você gostaria de ganhar com a experiência”, recomenda.

Conheça o ecossistema chinês e participe do maior evento de fintechs do mundo na Missão China Money 20/20!

Esta publicação é uma tradução autorizada deste artigo, escrito por Sanjib Kalita, no LinkedIn. 

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