A competição é para perdedores

Felipe Giannetti

Por Felipe Giannetti

18 de agosto de 2020 às 19:04 - Atualizado há 2 meses

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O CEO da Alphabet (Controladora do Google), Sundar Pichai, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, o CEO da Apple, Tim Cook, e o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foram questionados pelo Congresso americano sobre questões antitruste.

Há 3 anos atrás, me mudei para o Vale do Silício. Meu objetivo era entender e viver com profundidade as características e práticas que fazem as pessoas que estão aqui inovar mais que outras regiões do planeta. Nas quase 16 horas de trajeto de São Paulo até San Francisco, entre um cochilo e outro, devorei um best seller de negócios, De Zero a Um, escrito por Peter Thiel, co-fundador do PayPal. O principal aprendizado daquela leitura, o qual eu viveria de perto nos próximos anos foi: A competição é para os perdedores. Se você deseja criar e capturar valor duradouro, procure construir um monopólio.

Nas ultimas semanas, essa estratégia que nas últimas décadas foi executada com maestria pelas empresas que habitam o Vale do Silício, passou a ser questionada pela câmara de deputados nos EUA e foi um dos assuntos mais falados aqui na região.

Dentre as dezenas de acusações contra as empresas, um resumo do que foi questionado aos 4 CEOs no Congresso:

Amazon: A empresa é acusada de usar dados de fornecedores terceirizados para fabricar produtos da Amazon concorrentes (e mais baratos), esmagando então qualquer possível concorrência;

Google: O CEO Sundar Pichai, foi martelado com perguntas sobre favorecer os produtos do Google ou anúncios pagos em vez de consultas de pesquisa relevantes;

Facebook: Mark Zuckerberg foi acusado de copiar recursos de concorrentes bem-sucedidos ou adquiri-los para esmagar ameaças.

Apple: A empresa teve como foco dos questionamentos a App Store, que cada vez mais vem tornando as coisas excessivamente complicadas para os desenvolvedores.

Todos os quatro CEOs assumiram a posição de que enfrentam concorrência real e que tudo o que fazem é melhorar os produtos para seus clientes. Alguns dias depois da audiência, os resultados divulgados pelas empresas ouvidas na audiência reforçam o argumento do Congresso. A Amazon por exemplo, apresentou  ganhos maciços, muito acima do esperado pelo mercado, que sugerem que muitos americanos a veem como uma plataforma necessária, especialmente em meio à pandemia. Muitos vendedores vêem a Amazon como sua única opção, uma vez que ela controla ~ 40% do mercado de comércio eletrônico de varejo dos EUA e atinge 82% das residências nos EUA.

O principal objetivo da audiência é de uma possível mudança nas leis da concorrência, tornando o mercado mais competitivo para todos. Porém, historicamente, essas audiências raramente afetaram a regulamentação e acredita-se que provavelmente, ela serviu mais como um tapa na mão do que de fato um castigo. Não resta dúvidas que dentro das principais aceleradoras de startups do Vale do Silício, responsáveis por acelerar o crescimento das mais conhecidas empresas de tecnologia que fazem parte de nossas vidas atualmente, os fundadores continuarão aprendendo que competição é para perdedores. Comece pequeno e monopolize. É mais fácil dominar um mercado pequeno do que grande.