Com investimento de R$ 40 milhões e tecnologia de ponta, a universidade cria infraestrutura capaz de disputar pesquisas de classe mundial e impulsionar inovação estratégica
USP: Divulgação
, redator(a) da StartSe
7 min
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13 fev 2026
•
Atualizado: 13 fev 2026
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A Universidade de São Paulo (USP) acaba de dar um passo marcante na construção de uma infraestrutura de ponta para pesquisa em inteligência artificial. A instituição inaugurou o maior cluster de IA em operação na América Latina, com um investimento de R$ 40 milhões, colocando o país na rota das grandes plataformas de computação de alto desempenho da nova era digital.
O conjunto tecnológico, batizado de Jairu, está instalado no Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina da USP (CIAAM-USP) e vai muito além de um simples supercomputador: representa uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento de modelos avançados de IA, pesquisa científica intensiva e aplicações complexas em larga escala.
Hoje, o ritmo de inovação em inteligência artificial exige infraestrutura robusta para treinar modelos de deep learning e realizar experimentos que consomem imensa capacidade computacional. Enquanto empresas privadas concentram grande parte desses recursos em data centers, a USP decidiu construir um ambiente de pesquisa que une capacidade técnica, agilidade e propósito acadêmico — algo que poucas instituições conseguem no mundo.
O cluster Jairu é equipado com 96 GPUs NVIDIA Blackwell B200, consideradas as mais avançadas atualmente no mercado para processamento de IA. A arquitetura técnica é composta por nós de computação de alto desempenho, um sistema de armazenamento paralelo com cerca de 300 TB úteis e uma rede de comunicação de ultra-alta velocidade, capaz de suportar grandes cargas de trabalho em simulações, análise de dados massivos e treinamento de modelos.
A construção dessa infraestrutura não foi solitária. A USP contou com uma cadeia de colaboração tecnológica que reuniu:
Scherm Brasil, responsável pela integração e engenharia do projeto;
NVIDIA, com fornecimento das GPUs de última geração;
Positivo Servers & Solutions, concessionária de servidores Supermicro no Brasil.
Essa sinergia entre expertise local e tecnologia global reflete uma tendência mais ampla: universidades e centros de pesquisa se conectando diretamente com players de tecnologia para democratizar acesso a ferramentas competitivas e atrair talentos que tradicionalmente migrariam para fora do país em busca dessas capacidades.
Para a USP, a relevância do cluster vai muito além da própria academia.
“A infraestrutura de IA permitirá desenvolver grandes modelos e aprofundar pesquisas relevantes para o contexto brasileiro”, afirmou Fábio G. Cozman, coordenador do CIAAM-USP — destacando a importância de ferramentas como esta para posicionar o Brasil como um polo relevante em inteligência artificial.
Esse tipo de ambiente habilita pesquisas aplicadas em áreas que vão desde ciência de dados e aprendizado de máquina até simulações complexas, projeções climáticas e aplicações industriais. A capacidade de treinar modelos avançados localmente também abre portas para parcerias com empresas, startups e órgãos públicos, conectando a universidade ao ecossistema de inovação mais amplo.
No cenário global, investimentos em infraestrutura de IA são frequentemente medidos em bilhões de dólares — como é o caso de grandes clusters universitários nos Estados Unidos, Europa e Ásia. A iniciativa da USP, com foco acadêmico e científico, representa não apenas uma resposta à corrida tecnológica, mas também um ponto de partida para que pesquisadores brasileiros participem de competições internacionais de forma mais competitiva.
Ela está alinhada com diretrizes públicas, como as previstas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que busca fomentar pesquisa, inovação e desenvolvimento no país e que prevê investimentos estrategicamente alocados em infraestrutura e capacitação — embora em uma escala muito maior, envolvendo diversos atores nacionais e internacionais.
O Jairu é mais do que um cluster de computação. É um ativo estratégico de longo prazo — uma base sobre a qual as próximas gerações de pesquisadores poderão construir:
Modelos sofisticados de linguagem e visão computacional;
Algoritmos de otimização para saúde, agricultura, cidades inteligentes;
Ferramentas para simulações de sistemas complexos;
Experimentos de IA responsável e alinhamento de sistemas inteligentes.
Essa plataforma não só eleva o patamar da pesquisa brasileira, como também aproxima a academia dos desafios do setor produtivo, abrindo espaço para soluções que dialogam com a economia real — e não apenas com publicações científicas.
O investimento de R$ 40 milhões da USP em sua infraestrutura de inteligência artificial é um marco. Ele mostra não apenas ambição tecnológica, mas visão estratégica para colocar o Brasil no mapa mundial da pesquisa em IA de alto impacto.
Mais do que tecnologia, trata-se de capacidade de criar, adaptar e inovar em um campo que está transformando indústrias, governos e sociedades inteiras.
E, em um mundo onde dados e algoritmos são os novos combustíveis da economia, ter um supercomputador de classe mundial não é apenas vantagem acadêmica — é uma vantagem civilizacional.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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