Duas pesquisas mediram a resistência dentro das empresas, e um estudo da Apollo descreve o mecanismo econômico que corre em paralelo.
A resistência à IA raramente chega à gestão na forma de recusa declarada.
, Redator
8 min
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7 ago 2026
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Atualizado: 7 ago 2026
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Uma pesquisa da Writer com a Workplace Intelligence ouviu 2.400 profissionais do conhecimento nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa, incluindo 1.200 executivos de C-level, e encontrou 29% admitindo sabotar ativamente a estratégia de IA da própria empresa. Entre profissionais da Geração Z, o índice sobe para 44%. Dos que admitiram sabotagem, 30% apontaram medo de perder o emprego como motivação principal. Para saber mais, a apuração da Fortune está aqui.
A resistência costuma ser tratada como problema de comunicação interna ou de maturidade digital. Um whitepaper da Apollo Global Management publicado em 30 de julho descreve um segundo fator em curso: crescimento salarial 6,7 pontos percentuais mais lento em ocupações de alta exposição à IA, sem perda de emprego. Mais entrega, mesmo posto, reajuste relativo menor.
A sabotagem registrada é operacional, não declarativa. Aparece como uso de ferramentas públicas não aprovadas com dados proprietários, adoção de sistemas de shadow AI, recusa silenciosa a engajar com ferramentas obrigatórias e, em parte dos casos, entrega deliberada de trabalho de baixa qualidade para reduzir a percepção de eficácia da ferramenta.
Uma segunda pesquisa, feita pela Software Finder em junho de 2026 com 1.005 trabalhadores americanos empregados, dimensiona a camada mais silenciosa. Metade se descreve como ativamente resistente a novas ferramentas de IA. 45% citam medo de se tornar substituível. Apenas 16% acreditam que a empresa está adotando IA por valor de negócio real, e não por hype ou pressão competitiva. 13% admitem ter simulado uso da ferramenta, executando a tarefa manualmente enquanto pareciam usá-la. E somente 6% acreditam que a gestão tem noção precisa da frequência real de uso.
A mesma pesquisa registra adotantes de IA ganhando cerca de 20% mais que resistentes, US$ 81.526 contra US$ 65.645. O recorte descreve o perfil de quem adota, concentrado em gestores e faixas de renda mais altas, e não isola o efeito da adoção sobre o salário.
O estudo da Apollo cruzou 321 ocupações do Bureau of Labor Statistics com os registros reais de uso do Claude, em um difference-in-differences com quebra em 2023. Encontrou efeito no salário e não no emprego, concentrado na base da distribuição: 10,7% de perda de crescimento salarial relativo no quartil de menor renda, 5,4% no segundo, 4,0% no terceiro, nada estatisticamente significativo no quarto.
Torsten Slok, economista-chefe da Apollo e coautor do trabalho ao lado da analista Sania Edlich, escreveu que as empresas estão capturando os ganhos de produtividade da IA via compressão salarial, e não via redução de quadro. A íntegra está no Daily Spark da gestora.
A leitura combinada dos três levantamentos aponta para uma economia em que o trabalhador em função exposta convive com a ferramenta diariamente e observa remuneração relativa em desaceleração. As 11 ocupações de alta exposição identificadas pela Apollo somam 5,8 milhões de pessoas, 3,7% da força de trabalho americana, e uma perda agregada de renda estimada em US$ 28 bilhões por ano.
O índice de 6% que acredita que a gestão conhece o uso real da ferramenta indica um problema de instrumentação, e não apenas de comportamento. Bick et al. (2026), em trabalho conjunto do Federal Reserve Bank de St. Louis, Vanderbilt e Harvard citado pelo paper da Apollo, encontraram taxas de adoção acima de 20% em mais de 80% das ocupações e em 40% das tarefas analisadas. A adoção está distribuída. O registro dela dentro das empresas, não.
O fenômeno do shadow AI produz o mesmo duplo sinal. Colaborador que insere dado proprietário em ferramenta não homologada gera exposição de segurança e, simultaneamente, indica onde a IA resolve uma dor de fluxo de trabalho que o sistema oficial não cobre.
O AI Jobs Barometer 2026 da PwC, com mais de um bilhão de vagas analisadas em seis continentes, descreve o desfecho de mercado que se desenha a partir dessa divisão: funções em que a IA complementa expertise humana crescem o dobro em vagas e pagam mais, enquanto funções em que a IA reduz a barreira de entrada seguem trajetória oposta.
Entre os dados das duas pesquisas, o de 13% que simulam uso da ferramenta é o que expõe a diferença entre distribuir licença e instalar rotina. É a lacuna que formações voltadas a operação, e não a certificação, buscam ocupar: a Formação de IA para Líderes da StartSe organiza os seis meses em torno de fluxos e agentes rodando na área do participante, com dois encontros ao vivo por mês.
No C-level. A pesquisa que registrou 29% de sabotagem incluiu 1.200 executivos de C-level em sua amostra, o que posiciona o fenômeno fora do recorte exclusivo de base operacional.
Na diretoria. Adoção observada e evolução salarial relativa aparecem, nos três levantamentos, como variáveis que se movem em direções distintas dentro das mesmas áreas.
Nas empresas menores. Estruturas enxutas negociam a distribuição do ganho de produtividade em conversa direta, sem a mediação de política formal de remuneração que caracteriza a corporação de grande porte.
O índice de 44% entre profissionais da Geração Z é o número que mais se distancia das projeções de adoção construídas em 2024.
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