IBM e Page Executive mostram adoção de agentes de IA disparando entre executivos brasileiros — enquanto a própria Gartner avisa que 40% desses projetos serão cancelados até 2027.
Agente de IA em 2026
, Redator
7 min
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10 set 2026
•
Atualizado: 10 set 2026
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Faça a pergunta em voz alta na próxima reunião de diretoria: quantas decisões da empresa hoje já passam, em algum ponto, por um agente de IA — sem que um humano tenha revisado cada etapa? A resposta, segundo pesquisas recentes com executivos brasileiros, provavelmente é "mais do que você imagina".
Um levantamento do IBM Institute for Business Value aponta que 65% dos executivos brasileiros entrevistados afirmam que agentes de IA já ajudam suas organizações a tomar decisões melhores e mais rápidas. Mais expressivo ainda: 75% esperam que esses sistemas operem de forma independente até o fim de 2026 — ou seja, sem intervenção humana em boa parte do ciclo de decisão.
Isso não é mais projeto-piloto de inovação isolado em um laboratório de dados. É expectativa declarada de que, em poucos meses, parte relevante da operação vai rodar com o agente decidindo, não apenas sugerindo.
O estudo Executive Compensation & Talent Trends 2026, da Page Executive, mede a curva de adoção na América Latina e o número impressiona: 74% dos líderes regionais já usam IA generativa na rotina profissional, contra 41% em 2024 — quase dobrando em dois anos. No Brasil especificamente, 75% dos executivos usam IA generativa nas atividades profissionais, 83% relatam aumento de produtividade e 79% afirmam melhora na qualidade do trabalho entregue.
Os números batem com o que qualquer liderança já sente na prática: a IA generativa deixou de ser ferramenta de produtividade individual e virou infraestrutura de decisão. A pergunta que a maioria das empresas ainda não respondeu é até onde essa infraestrutura pode operar sem supervisão.
Em escala global, a Gartner prevê que 40% das aplicações empresariais estarão integradas a agentes de IA específicos por tarefa até o fim de 2026, partindo de menos de 5% em 2025. É um dos ritmos de adoção mais rápidos já registrados para uma categoria de tecnologia corporativa.
A aposta de longo prazo da consultoria é ainda mais ousada: no cenário mais otimista, a IA agêntica pode responder por cerca de 30% da receita do mercado de software de aplicações empresariais até 2035 — superando US$ 450 bilhões, ante apenas 2% em 2025. Para quem decide orçamento de tecnologia hoje, essa não é mais uma curva que dá para observar de fora.
Aqui está o contraponto que nenhum executivo entusiasmado com IA agêntica deveria pular. A própria Gartner projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, por causa de custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controles de risco inadequados.
Anushree Verma, analista sênior da Gartner, é direta ao explicar o motivo: a maioria dos projetos atuais ainda são experimentos ou provas de conceito movidos por especulação de mercado, o que esconde a complexidade real e o custo de colocar agentes de IA em escala de produção. Trocando em miúdos: a empolgação dos 65% e dos 74% do Brasil convive, na mesma janela de tempo, com uma taxa de fracasso projetada em quase a metade dos projetos.
É a pergunta que separa empresa madura em IA de empresa apenas empolgada com IA. Quando um agente toma uma decisão errada — recomenda um crédito que não deveria ser aprovado, prioriza um cliente errado, executa uma ação operacional fora do escopo —, quem responde por isso dentro da organização? O time de dados? A área de negócio que "comprou" o agente? O board, que aprovou o orçamento sem entender o risco?
A ausência de resposta clara para essa pergunta é exatamente o "controle de risco inadequado" que a Gartner aponta como uma das três causas de cancelamento de projeto. Não é um problema técnico. É um problema de governança que chega direto à mesa de quem lidera.
Sua empresa sabe distinguir o agente de IA com ROI real do piloto badalado que nunca vai escalar? A diferença não está na tecnologia escolhida — está no critério, na governança e na disciplina de avaliação que a liderança impõe antes de colocar um agente para decidir sozinho. É exatamente esse critério que o AI Journey ajuda lideranças brasileiras a desenvolver, para que a adoção de IA agêntica gere retorno de verdade — não apenas mais um projeto na lista de cancelamentos de 2027.
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