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Sua empresa está pronta para ter metade dos gerentes?

O Gartner previu que, até o fim de 2026, uma em cada cinco empresas usaria IA para cortar mais da metade da gerência média. Falta saber o que fica no lugar dos gerentes cortados.

Sua empresa está pronta para ter metade dos gerentes?

Até o fim de 2026, uma em cada cinco organizações usaria IA para achatar a estrutura e eliminar mais da metade dos cargos de gerência média.

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

7 out 2026

•

Atualizado: 7 out 2026

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Em outubro de 2024, o Gartner fez uma previsão que parecia exagerada. Até o fim de 2026, uma em cada cinco organizações usaria IA para achatar a estrutura e eliminar mais da metade dos cargos de gerência média.

Estamos em outubro de 2026. Ainda não há um balanço consolidado que confirme o número. Mas a direção já está clara, e as grandes empresas de tecnologia mostram isso com seus próprios números.

O que o Gartner previu, e o que já está acontecendo?

A previsão foi apresentada por Daryl Plummer, vice-presidente e analista do Gartner, no IT Symposium/Xpo de Orlando, e registrada pelo CIO Dive: "Até 2026, uma em cada cinco organizações vai achatar sua estrutura por meio da IA, eliminando mais da metade dos atuais cargos de gerência média."

Os sinais vieram rápido. Em agosto de 2025, o Google informou num encontro interno que tinha 35% menos gestores de equipes pequenas, com menos de três subordinados diretos, do que um ano antes. A informação foi relatada pela HC Magazine, e muitos desses profissionais passaram a atuar como especialistas, sem equipe. Na Amazon, Andy Jassy estabeleceu a meta de aumentar em pelo menos 15% a proporção de funcionários por gestor, segundo a Fortune.

O movimento ganhou até apelido nos EUA: "the great flattening", o grande achatamento.

Por que a gerência média virou o primeiro alvo?

Porque boa parte do trabalho tradicional do gerente médio é o que a IA faz melhor: consolidar informação, acompanhar status, preparar relatórios e repassar orientações de cima para baixo e dados de baixo para cima.

Durante décadas, a gerência média funcionou como a infraestrutura de informação da empresa. A diretoria precisava saber o que acontecia na operação, e a operação precisava entender o que a diretoria queria. Os gestores faziam essa ponte. Hoje, painéis em tempo real, agentes de IA e ferramentas de resumo automático cobrem uma parte relevante dessa função.

Há também uma motivação menos tecnológica e mais política: cortar camadas virou sinônimo de combater a burocracia. Jassy disse à equipe, segundo a Fortune, que um dos motivos para continuar na Amazon é ela "não ser um lugar político ou burocrático".

Cortar camadas resolve, ou só redistribui a sobrecarga?

Na maioria dos casos, redistribui, e o preço aparece em quem fica. Segundo dados do Gartner citados pela Quartz, os gestores americanos supervisionam hoje três vezes mais pessoas do que em 2015.

Esse aumento tem custo. O relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, mostra que o engajamento dos gestores caiu de 27% para 22% em um único ano, e acumula queda de nove pontos desde 2022. O engajamento global caiu para 20%. A Gallup estima que o desengajamento custou cerca de US$ 10 trilhões em produtividade perdida em 2024, o equivalente a 9% do PIB mundial.

O raciocínio é desconfortável, mas necessário. Se a empresa corta metade dos gerentes e mantém o mesmo volume de reuniões, aprovações e relatórios, quem sobra se afoga. E um gestor afogado não desenvolve ninguém.

Qual é o trabalho de gestão que a IA não faz?

A IA não assume responsabilidade por decisões difíceis, não constrói confiança e não desenvolve pessoas. São justamente essas três funções que costumam ser espremidas quando o gestor passa o dia repassando informação.

O papel que sobra depois do achatamento é mais exigente que o anterior. Esse gestor lidera equipes maiores, com mais autonomia, e precisa saber dar contexto em vez de controlar tarefa. Ele decide com dados que a IA organiza, mas assume sozinho o risco da escolha. E dedica mais tempo a conversas de desenvolvimento, porque o acompanhamento operacional ficou com os sistemas.

Alguns especialistas alertam para o risco de ir longe demais. Na mesma reportagem da Fortune, a especialista em liderança Loren Margolis lembra que eliminar camadas pode apagar conhecimento organizacional importante, aquele que não está em nenhum sistema e só existe na cabeça de quem coordena há anos.

Como saber se sua estrutura tem camadas demais?

Alguns sinais aparecem antes de qualquer análise sofisticada. Gestores com dois ou três subordinados diretos são um deles, e foi exatamente esse o critério usado pelo Google. Outro é a decisão que precisa subir três níveis para ser tomada, mesmo quando o valor ou o risco são baixos. Há ainda os relatórios produzidos só para que alguém produza outro relatório. E as reuniões cujo principal objetivo é atualizar o andar de cima.

Se a sua empresa marca vários desses itens, a pergunta não é se ela vai achatar a estrutura. É se vai fazer isso de forma planejada ou empurrada por uma rodada de corte de custos.

Que gestor sua empresa vai precisar quando sobrar metade?

Achatar a estrutura é a parte fácil. Difícil é preparar quem fica para liderar equipes maiores, com mais autonomia e menos controle, num ambiente em que a IA cuida da informação e o líder cuida do critério.

A sua empresa está formando esse gestor agora ou vai descobrir que precisava dele só depois do corte? Desenvolver essa nova liderança, que decide mais rápido, delega com contexto e sabe o que nenhuma IA faz no seu lugar, é a proposta do Executive Program da StartSe, para líderes que querem conduzir essa mudança em vez de serem atropelados por ela.

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