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Só 10% das empresas atrelam o bônus do executivo à IA. A conta vai chegar ao conselho

Pesquisa do Diligent Institute mostra que poucos conselhos incluíram metas de IA na remuneração dos executivos. Definir o que premiar será uma das decisões mais difíceis dos próximos anos.

Só 10% das empresas atrelam o bônus do executivo à IA. A conta vai chegar ao conselho

A distância entre a importância que se dá à IA e o que se premia na prática deve diminuir rápido.

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

15 out 2026

•

Atualizado: 15 out 2026

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Metade dos CEOs acredita que o próprio emprego está em risco se a IA não der retorno, segundo o BCG AI Radar 2026. Mas quase nenhum conselho colocou a IA na conta que define quanto esses CEOs vão ganhar.

Uma pesquisa da Corporate Board Member com o Diligent Institute, feita com conselheiros no fim de agosto e publicada em 25 de setembro, mostra que só 10% das empresas já atrelam a remuneração dos executivos a metas ligadas à IA. Outros 51% dos conselheiros dizem que o tema nunca foi discutido no conselho e que não veem necessidade.

A distância entre a importância que se dá à IA e o que se premia na prática deve diminuir rápido. E vai obrigar os conselhos a responder a uma pergunta difícil.

Quantas empresas já pagam executivos por resultados de IA?

Poucas, mas o número deve crescer. Além dos 10% que já fazem isso, a pesquisa mostra que 5% dos conselheiros discutiram o tema e pretendem adotar metas de IA em breve, 6% discutiram sem decidir e 28% esperam levar o assunto a uma próxima reunião.

O setor financeiro está na frente: mais de um terço dos conselheiros que já atrelam a remuneração à IA são de empresas financeiras. O porte da empresa também pesa. Entre os conselheiros de empresas com receita acima de US$ 1 bilhão, 69% considerariam usar o retorno sobre o investimento em IA como métrica, contra 30% nas empresas menores.

Que empresas já fizeram isso, e como?

Algumas já incluem metas de IA nos planos de incentivo, segundo levantamento da Equilar publicado no Harvard Law School Forum on Corporate Governance:

  • Qorvo: um objetivo ligado à adoção de ferramentas de IA para aumentar a produtividade vale 20% do incentivo de longo prazo.
  • Juniper Networks: a meta de “ganhar a oportunidade da IA”, ligada ao crescimento da receita, responde por 10% do bônus anual.
  • Recursion Pharmaceuticals: cerca de 16,7% do incentivo anual depende de liderar o uso de dados e IA na pesquisa de medicamentos.
  • Ralph Lauren: anunciou que, no ano fiscal de 2026, indicadores de IA vão substituir as metas de sustentabilidade como critério estratégico do bônus.

O rastreador da Equilar lista outras empresas que mencionam a IA na remuneração dos executivos, como Salesforce, UnitedHealth, Nasdaq e Hyatt. São exemplos selecionados, não uma estatística do mercado.

O que deveria ser premiado: adoção ou resultado?

Essa é a pergunta central, e não tem resposta fácil. Entre os conselheiros que avaliam o tema, as métricas preferidas são ganho de produtividade ou eficiência (61%), retorno financeiro (44%), receita nova (40%) e implementação ou adoção bem-sucedida (28%).

Cada opção tem um risco. Premiar a adoção é simples de medir, mas incentiva projetos de vitrine: o executivo lança dezenas de iniciativas para bater a meta, sem que nenhuma gere valor. Premiar o retorno financeiro é mais correto, mas difícil de isolar. Quanto da redução de custo veio da IA, e quanto de outros fatores?

Há ainda o problema do tempo. A IA muda tão rápido que metas de vários anos podem ficar obsoletas no meio do caminho. Segundo a Equilar, a Qorvo resolveu isso medindo o desempenho anualmente, mesmo dentro do plano de longo prazo.

Por que não se deve ter pressa?

Porque uma métrica mal desenhada pode causar mais dano que a ausência de métrica. “A IA não deveria ser empurrada às pressas para os planos de remuneração”, alerta Dottie Schindlinger, do Diligent Institute, na mesma pesquisa.

O risco é conhecido de quem estuda remuneração executiva: quando uma métrica vira meta, as pessoas passam a otimizar a métrica, e não o resultado que ela deveria representar. Um executivo premiado pelo número de funcionários usando IA pode impor ferramentas sem critério. Outro, premiado por redução de custo atribuída à IA, pode cortar pessoas antes de a tecnologia estar pronta para substituí-las.

Por isso, o comitê de remuneração precisa entender de IA o suficiente para desenhar metas que capturem valor real, e não apenas movimento.

O que o conselho deveria discutir antes de mudar o bônus?

Antes de definir a métrica, o conselho precisa ter clareza sobre a estratégia. Algumas perguntas ajudam:

  • Qual é o papel da IA na estratégia da empresa: eficiência, crescimento, novos negócios?
  • Que resultado concreto a empresa espera em um, dois e três anos?
  • Como isolar o efeito da IA de outros fatores que afetam o resultado?
  • A meta é coletiva, para todo o time executivo, ou individual?
  • Quais comportamentos indesejados a métrica pode estimular, e como evitá-los?

Só depois dessas respostas faz sentido decidir quanto do bônus deve depender da IA.

Seu conselho sabe o que está premiando?

A remuneração é uma das ferramentas mais poderosas que um conselho tem para orientar a gestão. Se a IA é estratégica, ela vai acabar entrando nos planos de incentivo. A questão é se vai entrar com critério ou por modismo.

Preparar conselheiros e comitês para tomar essa decisão, conectando estratégia, métricas e incentivos com consistência, é o que o Board Program da StartSe faz com quem tem a responsabilidade de decidir o que a empresa recompensa.

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