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Sete em cada dez conselheiros dizem que o board precisa saber mais de IA

A pesquisa anual da PwC com conselheiros mostra que 71% veem falta de repertório em IA no board, mas apenas 27% consideram essa expertise decisiva ao escolher novos membros.

Sete em cada dez conselheiros dizem que o board precisa saber mais de IA

PWC

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

5 nov 2026

•

Atualizado: 5 nov 2026

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Os conselheiros sabem que falta conhecimento de IA na mesa. O problema é que, na hora de escolher quem senta nela, continuam priorizando outra coisa.

É o retrato que sai da Annual Corporate Directors Survey 2026 da PwC, divulgada em setembro. Para 71% dos conselheiros, seus boards precisam fortalecer as competências em IA para supervisionar a empresa com eficácia. É mais que o dobro da segunda resposta mais citada.

Ao mesmo tempo, quando avaliam candidatos ao conselho, 81% consideram muito importante a compatibilidade com a cultura e o jeito de trabalhar do board. Só 27% dizem o mesmo sobre expertise especializada, como IA ou cibersegurança.

Os conselhos estão preparados para supervisionar IA?

A resposta dos próprios conselheiros é não. E a falta de competência é só metade do problema. A outra metade é a falta de informação.

Segundo a PwC, 82% dos conselheiros classificam como razoável, ruim ou inexistente a informação que recebem conectando resultados de IA, riscos e desempenho do negócio. Ou seja: a maioria dos boards está sendo chamada a supervisionar investimentos e riscos de IA sem um painel que mostre o que esses investimentos estão gerando.

Supervisionar sem informação e sem repertório tem nome: aprovar no escuro.

O risco de IA que mais preocupa os conselhos

Quando perguntados sobre a principal preocupação ligada à IA, 69% dos conselheiros apontam riscos de cibersegurança, privacidade de dados ou propriedade intelectual.

Os conselhos já estão reagindo nessa frente. No último ano, 58% aumentaram a interação com o CISO, o executivo responsável pela segurança da informação. Outros 44% esclareceram os protocolos de escalonamento para incidentes cibernéticos graves, e 42% ampliaram a formação dos conselheiros em segurança cibernética.

É um começo. Mas reduzir a supervisão de IA a risco cibernético deixa de fora a pergunta que mais importa para a estratégia: a empresa está usando IA para criar valor, ou só para cortar custo? E quem no conselho tem repertório para desafiar a resposta da gestão?

A substituição de conselheiros já mira a falta de expertise

Um dado da pesquisa merece atenção especial. Mais da metade dos conselheiros, 55%, acha que pelo menos um colega deveria ser substituído. O número é parecido com o do ano anterior.

O que mudou foi o motivo. Entre esses conselheiros, 39% citam falta de expertise como razão, contra 21% em 2025. Quase dobrou em um ano.

E aqui aparece outra contradição. Apenas 36% dos que querem substituir um colega dizem que seus boards consideram lacunas de competência no planejamento de sucessão. Os conselheiros identificam o problema, mas o processo que deveria resolvê-lo não está desenhado para isso.

A autoavaliação do board ainda é pouco franca

A PwC também perguntou como os conselhos avaliam o próprio desempenho. Para 73%, os processos de avaliação poderiam melhorar. Quase metade, 49%, diz que as avaliações não são francas o suficiente. Entre esses, 40% acreditam que um terceiro independente ajudaria.

A conexão com a IA é direta. Um conselho que não consegue conversar com franqueza sobre as próprias limitações dificilmente vai admitir que não entende a tecnologia que está redesenhando o setor da empresa.

Os conselheiros querem desafiar mais a estratégia

Há um sinal positivo na pesquisa: os conselheiros querem ter um papel mais ativo. Para 81%, seus boards poderiam desafiar a gestão sobre a estratégia de forma mais eficaz. E 82% veem espaço para a gestão melhorar o material que entrega ao conselho, com preferência por síntese, foco estratégico e análise prospectiva em vez de mais volume.

Esse desejo encontra um limite claro na IA. Para desafiar a estratégia de IA de uma empresa, o conselheiro precisa entender o suficiente para fazer as perguntas certas. Não precisa saber programar. Precisa saber distinguir um piloto que gera aprendizado de um que só gera custo, um risco aceitável de um risco existencial, uma promessa de fornecedor de um resultado medido.

O contexto não deixa espaço para adiar. Segundo a mesma pesquisa, 73% dos conselheiros temem que conflitos geopolíticos afetem suas empresas nos próximos três anos, e 51% dizem que o ambiente regulatório já mudou o papel do board. A agenda do conselho só cresce.

Ray Garcia, líder do Governance Insights Center da PwC nos Estados Unidos, resume: “Os conselhos passaram anos se adaptando a uma agenda de governança em expansão”. Agora, segundo ele, o foco deveria estar em construir as capacidades e práticas que ajudam os conselhos a navegar o que vem pela frente.

O que um conselho pode fazer já no próximo ciclo

Três movimentos estão ao alcance de qualquer board sem esperar a próxima eleição de membros.

O primeiro é exigir da gestão um painel de IA que conecte investimento, resultado e risco, a informação que 82% dos conselheiros dizem não receber de forma adequada. O segundo é colocar competência em IA, explicitamente, na matriz de habilidades usada para sucessão, e não deixar a escolha só nas mãos da afinidade cultural. O terceiro é investir na formação dos membros atuais, porque nenhum conselho vai substituir todos os seus integrantes para resolver uma lacuna que muda a cada seis meses.

Seu conselho consegue desafiar a estratégia de IA da gestão, ou só aprová-la?

A pesquisa da PwC mostra conselheiros conscientes do próprio ponto cego e, ainda assim, presos a processos que reproduzem o problema. Fechar essa distância exige repertório, método e coragem para conversas francas na própria mesa.

É o que o Board Program da StartSe oferece a conselheiros que querem supervisionar IA com critério, em vez de assinar embaixo do que a gestão apresenta.

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