O que se espera de um CEO? Não basta gerir números, é preciso compreender cultura organizacional, complexidade de portfólio e intensidade de relacionamento.
Magic Kingdom Park, Orlando, Florida, United States (Foto: Unsplash)
, redator(a) da StartSe
8 min
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2 fev 2026
•
Atualizado: 2 fev 2026
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O conselho de administração da Walt Disney Company está avaliando promover Josh D’Amaro, presidente da divisão de parques, experiências e produtos, ao cargo de CEO da empresa — uma decisão que vai muito além de simples substituição de líderes. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg Línea, esse movimento está sendo visto internamente como um passo para reforçar a conexão entre execução operacional de alto impacto e liderança estratégica no topo da companhia.
A Disney, gigante global com múltiplos negócios — estúdios, streaming, parques temáticos, mídia e licenciamento — enfrenta um dos maiores desafios de sua história: equilibrar crescimento em plataformas digitais com performance histórica de seus parques e produtos físicos, num ambiente competitivo e volátil. A promoção de um executivo cuja carreira é ligada à operação diária de parques pode sinalizar que o conselho está escolhendo experiência operacional, leitura de consumidor e gestão de ativos reais como pilares para o futuro da empresa.
Conselhos de administração tradicionais costumam ser vistos como instâncias de governança que vigiam conformidade, reportam riscos e exercem controle sobre a gestão executiva. Mas, nas grandes empresas de hoje, o papel do conselho é muito mais estratégico: identificar quem pode conduzir a organização em contexto de disrupções, crises e reinvenção de modelo de negócio.
A possível nomeação de D’Amaro mostra que o board da Disney está disposto a romper a lógica de sucessão tradicional, onde CEO vem de dentro de um grupo de executivos centrais (como COO ou CFO), e olhar para quem já demonstrou capacidade de gerar resultados tangíveis em uma das áreas mais complexas da corporação. Parques temáticos não são apenas ativos físicos; são centros de experiência, tecnologia, brand equity e relacionamento com consumidor — fatores que hoje valem ouro na economia da experiência.
Essa decisão em potencial demonstra algo que conselheiros eficazes entendem: liderar uma empresa hoje exige tanto capacidade de execução quanto visão de futuro. Governança pura sem sensibilidade de mercado é impotente; visão de futuro sem ancoragem em operações reais é arriscada. A promoção internalizada de um líder operacional pode ser a maneira do board traduzir essa síntese em ação.
O movimento no topo da Disney tem repercussões além do parque temático. Ele sinaliza uma tendência crescente em grandes conselhos corporativos:
Valorização de líderes com experiência de campo: conselhos estão mais dispostos a promover executivos que conhecem profundamente o consumidor e o modelo de execução operacional — não apenas estrategistas “de escritório”.
Governança estratégica em ação: boards estão evoluindo de fiscalizadores para co-construtores de destino organizacional, articulando sucessão de líderes alinhada a cenário competitivo e capacidades internas.
Resposta a rupturas de modelo de negócio: com digitalização, cadeia de valor fragmentada e pressão por resultado, o conselho busca líderes capazes de combinar performance de curto prazo com visão de manutenção de relevância de longo prazo.
O novo perfil de CEO: não basta gerir números; é preciso compreender cultura organizacional, complexidade de portfólio e intensidade de relacionamento com stakeholders.
Essa configuração exige dos conselhos mais do que avaliações pontuais de performance. Exige capacidade de leitura contextual, antecipação de tendências, construção de pipelines de liderança e governança adaptativa.
O que a Disney está demonstrando com essa possível promoção é que, em um mundo em que modelos de negócio se transformam em escala acelerada, os conselhos deixam de ser meramente guardiões de regras e passam a ser arquitetos de futuro organizacional. Essa função envolve:
criar critérios claros para sucessão de liderança,
assegurar diversidade cognitiva nos boards,
articular visão estratégica com execução tática,
e sustentar decisões complexas que impactam cultura, marca e performance.
Não se trata apenas de substituir um CEO por outro — mas de posicionar a organização para a próxima década, com líderes que entendam tanto a operação quanto os imperativos de reinvenção.
Tomar decisões de sucessão como essa requer habilidades que muitas lideranças ainda estão desenvolvendo: governança estratégica, leitura de contexto econômico e político, capacidade de dialogar com múltiplos stakeholders e formação de pipelines de liderança.
O Board Program da StartSe foi desenhado exatamente para isso: capacitar executivos, conselheiros e líderes a operar no nível de decisão que transforma empresas inteiras, combinando princípios de governança com visão estratégica realista.
Se o movimento da Disney é um alerta de que o papel de CEO mudou — o Board Program é um convite para que quem já lidera ou quer liderar conselhos corporativos esteja preparado para esse novo jogo.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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