A Netflix trocou sua chefe de conteúdo por um veterano da Disney e da Fox e cortou cerca de mil vagas. A mudança diz muito sobre liderança em momentos de desaceleração.
Netflix em plano para estancar a crise
, Redator
9 min
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20 out 2026
•
Atualizado: 20 out 2026
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A Netflix passou mais de uma década ditando as regras do streaming. Agora, está tentando reencontrar o ritmo.
Segundo a Bloomberg Línea, a empresa vai substituir sua diretora de conteúdo, Bela Bajaria, por Peter Rice, ex-presidente de entretenimento geral da Walt Disney e ex-presidente da 21st Century Fox. Rice assume em 26 de outubro. A mudança veio junto com a demissão de cerca de mil funcionários, aproximadamente 6% do quadro, em 14 de outubro.
É uma troca de comando no coração do negócio: o conteúdo.
“Crise” é uma palavra forte para uma empresa com mais de 325 milhões de assinantes no mundo. Mas os sinais de desaceleração são claros. Segundo a Bloomberg Línea, séries recentes perderam audiência nas segundas temporadas. As vitórias da Netflix no Emmy de 2026 foram as menores em dez anos. E as ações perderam cerca de 23% do valor neste ano.
O próprio co-CEO, Ted Sarandos, admitiu em uma conferência da Bloomberg em Los Angeles que o crescimento está mais lento do que ele gostaria.
O problema é típico de quem já chegou ao topo. Depois de conquistar centenas de milhões de assinantes, crescer fica mais difícil. A empresa precisa manter o público engajado, justificar aumentos de preço e encontrar novas fontes de receita, num mercado com cada vez mais concorrentes.
Um executivo conhecido por operar grandes estruturas. Rice comandou o entretenimento da Fox e, depois da compra da Fox pela Disney, assumiu o entretenimento geral da Disney. Na Netflix, vai cuidar de séries roteirizadas e não roteirizadas, filmes e eventos ao vivo em todas as regiões.
“Peter é um dos operadores em larga escala mais eficazes do setor de entretenimento”, disse Sarandos, segundo a reportagem. A palavra “operador” é reveladora. A Netflix não está buscando só um curador criativo, mas alguém capaz de gerir um orçamento gigantesco com disciplina e resultado.
Para a analista Alicia Reese, da Wedbush Securities, “perder Bela Bajaria é uma grande mudança, mas Peter Rice é muito bem visto no setor”.
Um legado relevante. Em dez anos na empresa, Bajaria se tornou o rosto público da estratégia de conteúdo da Netflix. Ela é creditada pela expansão dos programas não roteirizados, como reality shows, e pelo acordo com o TKO Group para levar o programa semanal Raw, da WWE, para a plataforma.
Bajaria definia o programa ideal da Netflix como um “cheeseburger gourmet”: algo que combina qualidade e apelo popular. A substituição não apaga esse legado, mas indica que a empresa quer outra coisa para a próxima fase.
Combinar disciplina no conteúdo com novas frentes de receita. Segundo a Bloomberg Línea, a Netflix está expandindo para esportes ao vivo e podcasts. Mas a maior parte do orçamento de programação, de cerca de US$ 20 bilhões, continua indo para filmes, séries e games.
Há também a possibilidade de aquisições. Para Alicia Reese, a experiência de Rice na integração dos ativos da Fox com a Disney pode indicar que a Netflix está aberta a comprar outras empresas. A analista cita a NBCUniversal como possível alvo, caso fique disponível. Neste ano, a Netflix perdeu para a Skydance a disputa pela Warner Bros. Discovery.
Ou seja, a estratégia combina três frentes: eficiência no gasto com conteúdo, diversificação de formatos e, possivelmente, crescimento por aquisição.
Às vezes, é. Quando a estratégia precisa mudar, o perfil de quem a conduz também pode precisar mudar. Um líder que foi ideal para a fase de expansão nem sempre é o mais indicado para uma fase de disciplina, integração ou reinvenção.
A Netflix não está sozinha nesse movimento. Uma pesquisa da BCG com 645 CEOs, divulgada em outubro e repercutida pelo HR Dive, mostra que quase 60% planejam substituir pelo menos um membro da alta liderança nos próximos seis meses. Mais de 40% apontam como principal preocupação a empresa reagir devagar demais às mudanças do mercado.
Mas a troca tem riscos. Um novo líder precisa de tempo para entender a cultura, conquistar a equipe e mostrar resultados. Se a mudança vier acompanhada de cortes, como no caso da Netflix, a pressão aumenta. O sucesso depende de o novo líder ter clareza sobre o que manter, o que mudar e como comunicar isso.
Que o sucesso passado não garante o próximo ciclo. Mesmo empresas que definiram um setor precisam se reinventar quando o crescimento desacelera, e isso costuma envolver decisões difíceis sobre pessoas, prioridades e estrutura.
Algumas lições se aplicam a qualquer empresa:
Nenhuma dessas lições é exclusiva do entretenimento. Todas valem para empresas que passaram por anos de crescimento e agora enfrentam um mercado mais competitivo.
A Netflix decidiu que a próxima fase exige outro tipo de liderança. A pergunta vale para qualquer empresa que sente o crescimento desacelerar: o time que trouxe a empresa até aqui é o mesmo que vai levá-la adiante?
Formar executivos capazes de liderar em diferentes fases do negócio, da expansão à reinvenção, é o que o Executive Program da StartSe faz com líderes que querem estar preparados quando o mercado mudar.
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