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Por que startups tiveram o pior mês, mas o melhor ano?

O inverno das startups é uma questão de perspectiva: novembro marcou o pior mês em volume levantado – US$ 627,5 mi – por startups na América Latina, mas 2022 já é o segundo melhor ano do setor.

Por que startups tiveram o pior mês, mas o melhor ano?

Controvérsia das startups: pior mês em volume, segundo melhor ano. (Foto: Pexels).

, Head de Conteúdo na Captable

8 min

14 dez 2022

Atualizado: 11 jan 2023

A controvérsia do chamado inverno das startups começa na análise dos dados isolados do mês de novembro: foram US$ 627,5 milhões levantados por startups da LatAm, o pior resultado mensal do ano; ao mesmo tempo, o número de rodadas, 137, teve um salto de 19% comparado ao mês anterior e de 44% em relação ao mesmo mês de 2021. Os dados são do relatório LatAm Activity Report, do Sling Hub.

Mas a controvérsia não é só no mês de novembro: um novo relatório da Latitud, traz números que mostram que o chamado “inverno das startups” não foi tão grande quanto o alardeado – a queda é uma questão de perspectiva, já que 2022 já alcançou o segundo lugar do pódio de número de rodadas de investimento em startups no ano.

Isso quer dizer que: há menos capital sendo aplicado no setor e as rodadas tiveram um volume menor – ou seja, há menos dinheiro sendo investido e esse capital precisa ser compartilhado com um maior número de startups.

As rodadas de novembro

Os US$ 627,5 milhões captados representam uma redução de 34% em relação com outubro, e 58% comparado com o mesmo período do ano passado. O valor médio dos rounds também reduziu: novembro foi o mês com o menor valor médio de rounds (US$ 6,4 milhões) – a metade da média anual, de US$ 13,7 mi. 

Segundo o Sling Hub, “os sinais são de que estamos vivendo uma era de rounds pequenos, com companhias ainda valorizando a inovação como parte de sua estratégia”. 

Atipicamente, o Brasil também não foi o líder da América Latina em volume captado: foram US$ 171 milhões investidos aqui (27% do total) e US$ 264 milhões no México. A queda do topo do pódio pode ser explicada, principalmente, pela participação do México em três dos cinco maiores rounds do mês: Kapital (US$ 100 milhões), Mendel (US$ 50 milhões) e Quinio (US$ 40 milhões).

Quanto aos segmentos, nenhuma surpresa: as fintechs continuaram no topo, recebendo 58% do total dos investimentos na região no período (US$ 365,7 milhões). Após, apareceram mobitechs (US$ 50 milhões), retailtechs (US$ 46 milhões), agtechs (US$ 31 milhões) e gestão (US$ 27 milhões).

Controvérsia: 2022 não foi tão ruim

Do mês para o ano, um levantamento da Latitud, que considera apenas os três primeiros trimestres de 2022, demonstrou que as startups da América Latina conquistaram 874 rodadas de investimento, fazendo deste o segundo melhor ano na série histórica – ficando atrás, apenas, de 2021, que viu um total de 1150 rodadas serem fechadas.

Vale lembrar: a diferença pode ser ainda menor, já que o ano de 2022 ainda não acabou e os dados contabilizados desconsideram o último trimestre inteiro do ano.

A Latitud também destacou no relatório que “depois de mais de 2 anos de pandemia, o salto da digitalização persistiu além das tendências globais. E ainda que 2021 tenha trazido um boom atípico no número de negócios (e altas avaliações), a região continua prosperando”. 

O relatório também destacou a importância das fintechs na região, considerando-as um dos motores do ecossistema da América Latina. Para o segmento B2C de fintechs, a Latitud ainda identifica oportunidades de criação de novas fintechs, já que não prevê queda nos investimentos em negócios early stage.

No cenário dos negócios financeiros da região, o Brasil lidera com folga: são 689 fintechs no país – o segundo lugar fica com o México, com 486. Quando se trata de investimentos, as fintechs B2C brasileiras atraíram 80% dos aportes captados desde 2014.

Para o futuro das fintechs, a Latitud identifica um “aumento de investimentos, novos players estão entrando e oferecendo novos tipos de soluções e funcionalidades para diferentes produtos financeiros. Entre as principais inovações, destacamos novos gateways de pagamento, modelos alternativos de análise de crédito, automatização de processos e surgimento de sistemas financeiros autônomos, biometria e comandos de voz”.

Como ficarão os investimentos?

Quanto aos investimentos, ainda deve haver um clima de ‘esperar para ver’ dos grandes fundos de Venture Capital, com muitos deles ainda preferindo investir em Private Equity (companhias mais maduras) para satisfazer seus cotistas. 

O Corporate Venture deve continuar ganhando volume na região, especialmente no Brasil, com empresas vendo exemplos de sucesso em diversas outras que optaram já começar.

O equity crowdfunding, modalidade que permite que investidores do varejo acessem a oportunidade de investir em startups com tíquete menor, de forma mais acessível, ganhou uma evolução regulatória significativa em 2022, mas que ficou à sombra do período ruim dos investimentos no mundo todo. 

Em 2023, os investimentos através das plataformas devem crescer exponencialmente, com investidores finalmente percebendo a virada de chave proporcionada pela Regulação 88 da CVM – especialmente, a possibilidade de negociar ações entre investidores e a chegada de negócios mais maduros, com rodadas maiores.

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Por que importa?

Independente da perspectiva, as startups encararam um cenário desafiador durante todo o ano – mas demonstraram resiliência, fazendo os ajustes necessários para perdurar para além do período. Os sinais de recuperação já começam a aparecer e os aprendizados durante o período de escassez de recursos devem tornar as startups ainda mais eficientes – e cuidadosas.

Os segmentos destaque de 2023 devem continuar sendo liderados pelas fintechs, já que ainda há largas oportunidades de revolução em outras áreas além dos bancos digitais, que receberam boa parte da atenção até o momento; healthtechs devem continuar em voga, mesmo após a pandemia; retailtechs devem aproveitar novas oportunidades depois do boom do e-commerce em 2021; e as climatetechs podem se tornar novas preferidas dos investidores – de olho no ESG e na atenção governamental global em soluções que possam auxiliar o planeta.

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Victor Marques é Head de Conteúdo na Captable, maior hub de investimentos em startups do Brasil, que conecta seus mais de 7000 investidores a empreendedores com negócios inovadores. Escreve há mais de dois anos sobre inovação. Formado em Letras e Mestre em Linguística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

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