Quando a engrenagem digital global dá tilt: uma falha na nuvem da Amazon expõe a dependência crítica do sistema financeiro brasileiro
Evolução do Pix promete transformar experiência do consumidor
, redator(a) da StartSe
5 min
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9 fev 2026
•
Atualizado: 9 fev 2026
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No sábado, 7 de fevereiro de 2026, milhões de brasileiros sentiram na pele um raro — e inquietante — momento em que o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que virou padrão de velocidade e conveniência no país, simplesmente parou de funcionar por mais de uma hora.
O motivo? Não foi um bug no Banco Central, nem uma pane nos sistemas internos dos bancos. Foi um problema na nuvem de uma empresa de tecnologia — a Amazon Web Services (AWS).
O Pix não é apenas “um app que funciona”. É uma arquitetura tecnológica complexa que liga bancos, fintechs e o Banco Central em um processo que precisa acontecer em milissegundos — e 24/7. Para tornar isso possível de forma econômica e escalável, grande parte dessa infraestrutura roda sobre serviços de computação em nuvem de terceiros. A Amazon, por meio da AWS, é a principal fornecedora desses serviços no Brasil.
Entre 11h36 e 12h09 (horário de Brasília), a AWS enfrentou uma falha de conectividade entre duas de suas zonas de disponibilidade em São Paulo — partes de um mesmo sistema que deveriam garantir redundância e tolerância a falhas. Isso gerou erros de rede e latência em serviços essenciais que bancos usam para processar pagamentos, autenticar usuários e completar transações Pix.
O resultado dessa falha técnica foi imediato:
Transferências via Pix travaram ou retornaram erro,
Códigos QR ficaram inutilizáveis,
Apps bancários simplesmente não carregavam funções essenciais,
E milhares de usuários correram para redes sociais e plataformas de monitoramento como o DownDetector, que registrou picos de queixas justamente no meio do dia.
A pane afetou clientes de bancos tradicionais e digitais como Nubank, Itaú, Santander, Banco Inter, C6 Bank, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e PicPay — um sinal claro de que o problema era do sistema como um todo, não de uma instituição isolada.
Esse episódio evidencia duas verdades fundamentais do novo sistema financeiro:
1. O Pix é resiliente, mas … depende de terceiras partes.
O Banco Central garantiu que seus próprios sistemas internos continuaram operando normalmente. Porém, quando a infraestrutura de um provedor de nuvem falha, o impacto reverbera nos serviços que dependem dela — incluindo a cadeia de processamento de pagamentos.
2. A nuvem é poderosa — e também um ponto de fragilidade.
Empresas, bancos e o próprio sistema financeiro globalmente adotaram a nuvem para escalar serviços, reduzir custos e inovar rápido. Mas concentrar serviços críticos em poucos provedores globais cria um novo tipo de risco sistêmico: quando a nuvem “cai”, parte do país também cai junto.
O Pix voltou ao ar depois que a AWS solucionou a falha, mas a pergunta que fica é mais estratégica do que técnica: estamos preparados para eventos extremos em uma infraestrutura cada vez mais compartilhada globalmente?
A dependência de plataformas como AWS não é apenas uma questão tecnológica — é um risco que agora afeta diretamente o bolso, o comércio, e a confiança dos consumidores.
No ambiente atual, onde pagamentos instantâneos são parte do cotidiano de milhões, redundância, diversificação de provedores de nuvem e planos de contingência se tornam tão essenciais quanto os próprios sistemas bancários. A inovação financeira não pode depender de um único elástico tecnológico — porque quando ele arrebenta, o país inteiro sente.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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