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Por que a tese de software para food service ainda não decolou no Brasil?

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4 min

26 jun 2024

Atualizado: 26 jun 2024

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*Rodrigo Oliveira é CRO da Yooga

Entre os dias 18 e 21 de maio, participei da NRA Show em Chicago, a maior feira do ecossistema de food service do mundo. Esta foi a minha décima participação consecutiva, e mais uma vez, a feira provou ser uma vitrine essencial para as tendências que moldarão o futuro do setor de restaurantes, não só nos Estados Unidos, mas globalmente.

Amigos e colegas do setor frequentemente me perguntam por que considero crucial visitar a NRA Show todos os anos. A resposta é simples: a feira é um catalisador de tendências e inovações que influenciam o mercado global. Se você atua no setor de food service, recomendo fortemente a visita em 2025.

Este ano, o tema mais discutido foi a Inteligência Artificial (IA) e seu impacto na indústria. A IA lidera o ranking das tendências de food service para os próximos cinco anos. Empresas de tecnologia, fabricantes de equipamentos, indústrias de bebidas, embalagens e prestadores de serviços estão focados em explorar e implementar essa tecnologia. Vimos aplicações de IA em atendimento ao cliente, backoffice e até soluções que automatizam vendas através de chats e comandos de voz em totens de autoatendimento. Imagine fazer seu pedido falando diretamente com uma máquina que entende e processa suas preferências em tempo real!

Impacto no nosso Brasil com "S"

A feira deste ano também serviu como um momento de reflexão pessoal e profissional. Com mais de 400 empresas de tecnologia apresentando suas soluções, fica claro que a tecnologia é vital para a evolução do setor. Nos Estados Unidos, o mercado de food service, com cerca de 1 milhão de estabelecimentos, é dominado por redes de mais de 10 lojas, o que contrasta com o cenário brasileiro, onde 73% dos 1 milhão de estabelecimentos são negócios de uma única unidade. 

Outro dado relevante é que o mercado norte-americano movimenta quase 10 vezes mais do que o volume movimentado no Brasil. Analisando essa perspectiva, é possível perceber o potencial do mercado brasileiro, mas essa transformação só acontecerá se olharmos para o pequeno empreendedor, pois são a locomotiva dessa indústria tão pujante.

Essa diferença estrutural levanta uma questão importante: por que muitas das tecnologias vistas na NRA Show, e em tantos outros pólos de inovação ao redor do mundo, não são acessíveis aos pequenos empreendedores brasileiros? Observando o que grandes empresas de tecnologia no Brasil fazem, e características específicas do cenário macroeconômico brasileiro, notei uma lacuna significativa de soluções disponíveis que poderiam ajudar o pequeno empreendedor a gerenciar seu bar ou restaurante de forma simples e eficiente.

Há oportunidade desde a formação desses empreendedores. Boa parte do que sabem, aprenderam ao longo do tempo após já terem decidido abrir seu restaurante. Falta conteúdo, falta uma comunidade ativa, falta acesso à informação prática e desta forma o empreendedor se vê sozinho nessa jornada. Em busca de novos canais de aquisição os restaurantes procuram os marketplaces de delivery e se deparam com uma taxa de serviço muito agressiva, que pode ultrapassar 25% e dessa forma inviabiliza a operação comprometendo a margem do negócio.

Em geral, por não estarem 100% digitalizados, esses restaurantes também têm dificuldade de criar boas rotinas de compras, controlar corretamente o CMV (custo de mercadoria de vendida) e isso também impacta na margem do negócio. Após pagar todas as despesas no fim do mês, com o pouco que sobra, o gestor já não consegue investir no negócio e pagar pela tecnologia que empresas tradicionais do mercado oferecem. Por vender pouco, esse restaurante também não conseguirá boas negociações com sua maquininha de cartão, pois sabemos que o mercado do food service tem uma "política invertida", já que quem vende menos, paga mais, enquanto quem vende mais, paga menos.

Tudo que falei acima eu presenciei durante a minha experiência de 16 anos no setor, passando por empresas como Totvs, Bematech, Linx, Stone e Rappi. Além disso, acompanhando de perto a revolução tecnológica promovida por empresas americanas como Toast, Square e Clover, estou confiante que é possível construir no Brasil um jeito mais fácil de gerenciar um restaurante, para os empreendedores ganharem mais dinheiro e terem menos dor de cabeça.

Rodrigo Oliveira no National Restaurant Association Show 2024 - (Foto: acervo pessoal)

O futuro

Foi essa convicção que me levou a encarar um novo desafio no setor de food service no Brasil. Decidi assumir a posição de Chief Revenue Officer (CRO) na Yooga, onde lidero as áreas de marketing, corporate solutions, vendas e parcerias. Enxergo essa oportunidade como um passo fundamental para ajudar a democratizar a tecnologia de gestão para pequenos restaurantes e redes de franquias, que enfrentam muitos obstáculos em sua digitalização.

O que o empreendedor deste ramo precisa é a integração de diversas funções essenciais, como PDV, delivery, meios de pagamentos, serviços financeiros e rotinas fiscais, em uma única plataforma. Esses pequenos empreendedores do setor têm a necessidade de capacitação, de soluções acessíveis que possam realmente fazer a diferença em suas operações diárias.

É isso que vamos proporcionar nessa nova missão! E o sucesso será medido pelo progresso e pela autonomia conquistada pelos pequenos empresários. Acredito que, ao fornecermos as ferramentas certas, os restaurantes podem melhorar suas vendas, aumentar a recorrência de clientes e otimizar sua interação com fornecedores, transformando dados em insights valiosos.

Os empreendedores brasileiros, que juntaram suas economias para realizar o sonho de ter um negócio próprio, merecem todo o protagonismo. Estou comprometido em apoiar essa jornada, enfrentando os desafios e contribuindo para o crescimento sustentável do setor de food service no Brasil.

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