O Project Silica revela uma abordagem radical de armazenamento de dados: não mais discos e fitas, mas vidro gravado a laser, uma solução projetada para durar milênios e repensar o futuro da memória digital.
Nova tecnologia da Microsoft
, redator(a) da StartSe
6 min
•
19 fev 2026
•
Atualizado: 19 fev 2026
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Imagine um mundo em que os documentos mais valiosos, desde o código-fonte de softwares essenciais até registros históricos, não precisem ser migrados de um disco para outro a cada poucos anos. Um mundo em que a informação é gravada de maneira tão duradoura que pode sobreviver a civilizações inteiras. Esse cenário, antes restrito à ficção científica, está mais perto da realidade graças ao Project Silica da Microsoft, uma iniciativa inovadora que usa vidro como meio de armazenamento de dados.
Pesquisadores da Microsoft demonstraram que é possível gravar dados em placas de vidro de sílica comum, usando pulsos ultrarrápidos de laser para criar microestruturas que representam informações digitais. Em testes recentes, conseguiram armazenar 4,8 TB de dados em um pequeno fragmento de vidro — o equivalente a centenas de filmes em 4 K — com expectativa de manter esses dados intactos por pelo menos 10 000 anos.
Os meios de armazenamento atuais — discos rígidos, SSDs ou fitas magnéticas — têm prazos de vida relativamente curtos. Um HD típico pode durar de 3 a 7 anos, e mesmo um SSD pode se degradar após cerca de uma década. Para evitar perda de dados, empresas e governos precisam periodicamente copiar informações para novos dispositivos, um processo caro, demorado e propenso a erros.
O vidro, por outro lado, tem propriedades físicas extraordinárias:
Estabilidade extrema: resistente à umidade, calor, radiação e campos magnéticos.
Durabilidade milenar: dados gravados em vidro não degradam, mesmo sem energia.
Eficiência espacial: uma placa pequena pode conter vários terabytes — suficiente para milhões de músicas ou milhares de filmes.
O segredo por trás dessa nova forma de armazenamento é o uso de lasers de femtossegundos, que criam microimpressões tridimensionais dentro do vidro. Esses pontos microscópicos, chamados de voxels, codificam os bits de informação em diversas camadas, aproveitando o volume total do material — um método muitas vezes referido como armazenamento óptico 5D.
Ao contrário de mídias tradicionais, uma vez escritos, os dados no vidro se tornam praticamente imutáveis — não podem ser acidentalmente sobrescritos. Os mecanismos de leitura envolvem microscópios controlados por computador que interpretam as microestruturas no vidro e traduzem de volta para informações utilizáveis.
Por enquanto, a tecnologia é usada principalmente para arquivamento de longo prazo — ideal para preservar patrimônios culturais, documentos governamentais essenciais, dados científicos e outros conteúdos que precisam de garantia de integridade ao longo de séculos ou milênios.
Apesar do enorme potencial, a tecnologia ainda não está pronta para uso comercial direto. O processo de gravação ainda é relativamente lento e caro quando comparado aos métodos convencionais, e avanços são necessários tanto na velocidade de escrita quanto na integração com infraestruturas existentes.
No entanto, o impulso da Microsoft e de parceiros como o grupo de preservação musical Elire indica que há interesse real em tornar essa tecnologia uma alternativa viável para aplicações críticas, como grandes centros de dados de nuvem ou bibliotecas digitais de conteúdo global.
Estamos vivendo uma era em que os dados se tornaram parte essencial da civilização — desde a inteligência artificial até registros de patrimônio cultural. A capacidade de preservar informação por milhares de anos de forma segura, sustentável e sem manutenção elétrica contínua mudaria profundamente a forma como pensamos sobre armazenamento digital.
Mais do que uma curiosidade tecnológica, o armazenamento em vidro representa uma resposta a um problema fundamental: como guardar a memória da humanidade para além de gerações, períodos econômicos e ciclos tecnológicos.
À medida que o volume de dados cresce exponencialmente e a necessidade de retenção segura se torna mais crítica, soluções como o Project Silica podem sinalizar a próxima revolução na infraestrutura de tecnologia da informação — aquela em que o tempo passa, mas a informação permanece.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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